O que foi aprovado

O Banco Bradesco (BBDC3; BBDC4) informou, em fato relevante divulgado em 22 de outubro de 2026, que seu Conselho de Administração aprovou a renovação do programa de recompra de ações de própria emissão. Segundo o documento, a Diretoria está autorizada a adquirir, no período de 8.11.2026 a 8.5.2028, até 106.584.881 ações, sendo até 53.413.506 ações ordinárias e 53.171.375 ações preferenciais.

As ações serão mantidas em tesouraria e poderão ser posteriormente canceladas ou alienadas, sem redução do valor do capital social. A operação usa a faculdade prevista no Estatuto Social e na Lei nº 6.404/76, além da Resolução CVM nº 77/22 e do Anexo G da Resolução CVM nº 80/22.

Números do programa

ItemInformação divulgada
Ações que poderão ser adquiridasAté 106.584.881, sendo 53.413.506 ON e 53.171.375 PN
Prazo8.11.2026 a 8.5.2028, com prazo máximo de 18 meses
Ações em circulação em 15.10.20261.505.799.592 ON e 5.321.529.153 PN
Ações em tesouraria em 15.10.202610.650.000 ON e 10.650.000 PN
RecursosConta “Reservas de Lucros – Estatutária” do Patrimônio Líquido
Local das operaçõesB3, a preço de mercado

A companhia informou que não usará instrumentos derivativos e que não há acordos ou orientações de voto com contrapartes. Como as aquisições serão feitas na B3, as contrapartes não são conhecidas.

Por que o banco faz a recompra

De acordo com o fato relevante, o objetivo é aplicar parte dos recursos existentes na conta “Reservas de Lucros – Estatutária”, disponíveis para investimentos, na aquisição de ações que ficarão em tesouraria para posterior cancelamento ou alienação, sem redução do capital social.

O documento afirma que a operação pode gerar maior retorno financeiro aos acionistas por meio do aumento proporcional dos dividendos e dos juros sobre capital próprio (JCP) distribuídos por ação. Isso ocorre porque as ações mantidas em tesouraria não têm direitos econômicos e políticos, conforme o Art. 11 da Resolução CVM nº 77/2022. Assim, os valores declarados como dividendos ou JCP serão pagos apenas às ações remanescentes que não estiverem em tesouraria.

Para o Bradesco, a recompra busca identificar oportunidades de mercado dentro do prazo de vigência e maximizar a alocação de recursos disponíveis em reservas, em montantes que, segundo o documento, não comprometam seus resultados.

O que muda para investidores

  • O programa não reduz o valor do capital social. As ações adquiridas ficam em tesouraria e podem ser canceladas ou alienadas posteriormente.
  • O documento sustenta que a recompra pode elevar o retorno por ação remanescente, pois as ações em tesouraria não recebem dividendos nem JCP.
  • O Conselho de Administração declarou que a operação, nos limites aprovados, não deve prejudicar o cumprimento das obrigações com credores nem o pagamento de dividendos obrigatórios, fixos ou mínimos.
  • Não há impacto esperado sobre a composição do controle acionário ou da estrutura administrativa, segundo a companhia. O Bradesco afirma que tem controle definido e que o volume máximo é insuficiente para afetar essas estruturas.
  • A destinação de eventuais recursos auferidos só será conhecida quando houver decisão sobre cancelamento ou alienação das ações, que será comunicada ao mercado oportunamente.

Próximos marcos

O fato relevante cita como datas o início das aquisições em 8.11.2026 e o prazo máximo do programa em 8.5.2028. O documento não menciona assembleia, data-ex ou data de pagamento relacionada à recompra.

As instituições que atuarão como intermediárias são a Bradesco S.A. Corretora de Títulos e Valores Mobiliários e a Ágora Corretora de Títulos e Valores Mobiliários S.A.