A Petrobras (PETR3; PETR4) divulgou em 28 de outubro de 2026 o fato relevante com o Relatório de Produção e Vendas do 3T26. O dado central é a produção média de óleo, LGN e gás natural de 3,512 MMboed, recorde e alta de 11,7% frente ao 3T25 e de 5,3% sobre o 2T26, segundo a companhia.
A estatal atribuiu o desempenho ao maior patamar de eficiência da produção em 8 anos, ao ramp-up dos FPSOs P-78 e P-79 em Búzios, ao topo de produção do FPSO Alexandre de Gusmão em Mero e ao menor volume de perdas por paradas para manutenções.
Produção e pré-sal
A produção total operada no 3T26 foi de 5.082 mboed, recorde anterior de 4.866 mboed no 2T26. A produção total própria no pré-sal somou 2,96 MMboed, enquanto a produção total operada no pré-sal alcançou 4,46 MMboed. O Índice de Utilização do Gás Associado (IUGA) foi recorde, de 98,3%, ante 98,1% no 4T25.
| Indicador | 3T26 | 2T26 | 3T25 | Variação 3T26 x 3T25 |
|---|---|---|---|---|
| Produção total própria (mboed) | 3.512 | 3.336 | 3.144 | +11,7% |
| Produção total operada (mboed) | 5.082 | 4.866 | 4.540 | +11,9% |
| Óleo e LGN (mbpd) | 2.832 | 2.689 | 2.520 | +12,4% |
| Gás natural (mboed) | 651 | 619 | 594 | +9,6% |
| Pré-sal em óleo e LGN (mbpd) | 2.454 | 2.299 | 2.117 | +15,9% |
A produção no pré-sal em óleo e LGN foi de 2.454 mbpd, 6,7% acima do 2T26. A produção no pós-sal foi de 341 mbpd, 4,2% abaixo do 2T26, por maior volume de perdas com manutenções.
No trimestre, entraram em operação 12 novos poços produtores, sendo 6 na Bacia de Campos e 6 na Bacia de Santos. No trecho sobre o pré-sal, a companhia cita a entrada em operação de 7 novos poços produtores, sendo 6 na Bacia de Santos e 1 na Bacia de Campos.
FPSOs, Búzios e Mero
- O FPSO Almirante Tamandaré, que produz em Búzios, atingiu recorde de produção média mensal de óleo de 263 mbpd em julho de 2026 e segue como a plataforma de maior produção no Brasil.
- O FPSO Alexandre de Gusmão, quinto instalado em Mero, atingiu a capacidade original de 180 mbpd em 25 de agosto e, após aditivo, chegou a 190 mbpd em 3 de setembro. As plataformas de Mero registraram produção média de óleo de 760 mbpd no 3T26, terceiro maior campo produtor do Brasil, atrás de Búzios e Tupi.
- O FPSO Sepetiba, afretado junto à SBM Offshore, superou a capacidade original de 180 mbpd e alcançou pico diário de 212 mbpd em setembro.
- Pela primeira vez, as plataformas de Búzios superaram 11 MMm³/d de exportação média de gás natural no 3T26.
- As plataformas P-80 e P-82 deixaram o estaleiro Tuas Boulevard Yard, em Singapura, em 30 de setembro e 18 de outubro, respectivamente, rumo a Búzios. Cada uma tem capacidade para 225 mbpd e compressão de 12 milhões de m³/d de gás; a entrada em operação está prevista para 2027.
Refino, vendas e exportações
As vendas de derivados no mercado interno alcançaram 1.854 mbpd no 3T26, o maior volume desde o 3T21 e o melhor resultado com o parque de refino atual. Na comparação com o 2T26, houve alta de 6,4%, impulsionada por diesel (+14,4%) e QAV (+9,9%).
As exportações de petróleo e derivados somaram 1.251 mbpd, recorde. A produção total de derivados foi de 1.869 mbpd no 9M26, alta de 7,2% versus 9M25; no 3T26, foi de 1.873 mbpd, com Fator de Utilização Total (FUT) de 99%, 5 p.p. acima do 3T25. Médios (diesel e QAV) e gasolina representaram 68% do volume produzido.
A carga processada totalizou 1.800 mbpd no 9M26, aumento de 7,0% em relação ao 9M25, com 93% de óleo nacional e 72% de pré-sal. O resultado foi alcançado mesmo com paradas programadas na RPBC no 3T26.
A produção de diesel atingiu recorde trimestral de 769 mbpd no 3T26 e recorde mensal de 792 mbpd em julho. Nos derivados, a companhia destacou os seguintes recordes:
- Diesel S10 em julho: REFAP, 59 mbpd.
- Gasolina no 3T26: REFAP, 59 mbpd; em setembro, 62 mbpd.
- GLP no 3T26: RNEST, 3 mbpd; em agosto, 3,9 mbpd.
- Nafta no 3T26: RNEST, 17 mbpd; em agosto, 20 mbpd.
“O crescimento da produção de petróleo foi acompanhado pela integração entre produção, logística e comercialização. Ampliamos a disponibilidade de navios, a capacidade dos terminais e a eficiência logística, tornando nossas operações mais ágeis e seguras”, afirmou Angélica Laureano, Diretora de Logística, Comercialização e Mercados.
Logística, bunker e frota
- Em julho de 2026, os embarques de petróleo para exportação somaram 37,2 milhões de barris; em agosto, 37,8 milhões. Parte das cargas ficou em andamento ao fim do trimestre e não foi refletida no total exportado.
- A movimentação por CTV alcançou 6,6 milhões de barris em agosto, superando o recorde anterior de 6,2 milhões em junho.
- O Terminal de Suape registrou 101 navios operados em setembro, com capacidade para receber até 11 embarcações simultaneamente.
- A Petrobras iniciou o fornecimento de bunker por via marítima em Suape e realizou a primeira operação comercial de bunker HSFO no Porto do Rio de Janeiro.
- A companhia entregou o Starnav Elektra, primeiro navio do Programa Mar Aberto, um PSV construído em Santa Catarina com tecnologias de eficiência energética e preparado para operar parcialmente com combustível renovável no futuro.
Combustíveis renováveis e emissões
A Petrobras assinou novos contratos para o projeto de BioQAV e Diesel Renovável na RPBC, que prevê a primeira planta dedicada da companhia para produção de combustíveis renováveis, com capacidade de até 15 mbpd.
A REDUC consolidou-se como a primeira refinaria da Petrobras habilitada pela certificação ISCC Corsia a produzir SAF por coprocessamento para o mercado internacional. Em julho, entregou seu primeiro lote de SAF, com 3,8 milhões de litros, produzido a partir de óleo de soja ILUC. A unidade também obteve autorização da ANP para produzir Diesel R com 8,5% de conteúdo renovável.
O relatório também destaca o IUGA recorde de 98,3%, que contribui para a redução das emissões e maior eficiência em carbono.
O que muda para investidores
O documento é um relatório operacional e a própria Petrobras informa que os dados operacionais não são auditados pelo auditor independente. Para o investidor, os números permitem acompanhar volumes de produção, vendas internas e exportações, mas não substituem as demonstrações financeiras. O relatório é dividido em destaques, destaques operacionais, emissões atmosféricas e anexos com volume de vendas consolidado, exportação e importação líquida, exportações de petróleo e exportações de derivados.
