A última semana de outubro junta, em cinco pregões, três eventos que costumam mexer com preço de ativo: a definição do novo presidente — conhecida no domingo, 25, com mandato a partir de janeiro —, a decisão de juros do Federal Reserve na quarta-feira (28) e o núcleo da temporada de balanços do terceiro trimestre, com o resultado da Vale (VALE3) marcado para quinta (29). Na B3, política, juro externo e lucro das empresas podem se sobrepor no mesmo pregão.

A reunião do Fed, isolada, tende a passar sem sobressalto: a expectativa é de manutenção da faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. O que desloca a atenção está no intervalo seguinte — o mercado praticamente descarta aperto agora, mas vê 70% de probabilidade de alta em dezembro, na leitura da XP Investimentos. Quando o colegiado segura o juro e mantém o aperto no radar, o ajuste tende a aparecer mais nos vencimentos curtos da curva americana do que na decisão em si; no Brasil, esse movimento chega pela via do câmbio e dos juros futuros.

Fed: manutenção esperada com dezembro ainda na mesa

Os analistas do Bradesco trabalham com manutenção da taxa nesta reunião, cenário compatível com a avaliação da XP de que uma alta imediata está praticamente fora do radar. A diferença entre as duas leituras aparece no prazo: a decisão de quarta deve sair sem mudança de faixa, enquanto os 70% atribuídos a dezembro indicam que o ciclo não está encerrado. Para quem carrega ativos dolarizados ou fundos com exposição internacional, o comunicado do Fed vale mais do que a decisão em si, porque sinaliza se essa probabilidade sobe ou desce.

Caged na quinta e PNAD na sexta medem o emprego por duas lentes

Os dois principais termômetros do trabalho brasileiro caem na mesma semana. Na quinta (29), o Caged — registro administrativo de admissões e demissões com carteira assinada — tem expectativa de 150 mil vagas formais em setembro. Na sexta (30), às 9h, o IBGE divulga a PNAD Contínua de setembro, com taxa indicada de 5,2%; por ser uma pesquisa domiciliar, ela também captura o trabalho informal, o que explica divergências entre os dois retratos sem que um contrarie o outro.

Emprego formal aquecido tende a sustentar renda e consumo, variáveis que entram na conta do Copom ao calibrar a Selic. Por isso, o par Caged/PNAD costuma ter mais peso sobre a curva de juros do que sobre o Ibovespa no curto prazo.

Quinta-feira concentra o teste fiscal: -R$ 5,5 bilhões e IGP-M a 1,25%

No mesmo dia, o Tesouro divulga o resultado primário do Governo Central, com indicação de -R$ 5,5 bilhões — medida que exclui o pagamento de juros da dívida e compara apenas receitas e despesas. Às 8h, a FGV publica o IGP-M de outubro, com variação mensal indicada de 1,25%, e às 8h30 o Banco Central traz a nota de política monetária e operações de crédito de setembro.

A agenda doméstica, dia a dia

DiaIndicadoresHorário e indicação
Segunda (26)Dívida Pública Federal; Sondagem do Consumidor; Focus; Setor Externo; balança comercial semanal8h; 8h25; US$ 5,0 bi às 8h30; 15h
Terça (27)IPC semanal da Fipe; INCC-M; Sondagem da Construção5h; 8h
Quarta (28)Sondagem da Indústria; fluxo cambial semanal8h; 14h30
Quinta (29)Resultado primário; Caged; IGP-M; sondagens de Comércio e Serviços; nota de crédito-R$ 5,5 bi e 150 mil; 1,25% às 8h; 8h30
Sexta (30)Incerteza da Economia; Estatísticas Fiscais; PNAD Contínua; bandeira tarifária da Aneel8h; 8h30; 5,2% às 9h; sem horário

Nos EUA, PIB de 3% e PCE dividem a quinta

O calendário americano abre na segunda (26) com o CFNAI de setembro, às 9h30, e segue na terça (27) com a confiança do consumidor de outubro, às 11h. Na quinta (29), às 9h30, saem em bloco os gastos e a renda pessoal de setembro, o deflator do PCE do mesmo mês, os pedidos semanais de auxílio-desemprego e o PIB do terceiro trimestre, com crescimento anualizado indicado de 3% na comparação trimestral.

Balanços ganham corpo a partir de quarta

A temporada de resultados do terceiro trimestre entra em ritmo cheio na quarta-feira (28), quando a maior parte das companhias divulga seus números. O balanço da Vale (VALE3), previsto para quinta (29), é o nome datado de maior peso. Semanas com muitas divulgações simultâneas tendem a ampliar a dispersão entre papéis do mesmo índice — efeito que aparece com mais força em carteiras concentradas.

O que muda para quem investe

Três vetores correm em paralelo e podem produzir sinais contraditórios no mesmo dia. O resultado eleitoral de domingo chega ao pregão de segunda sem intervalo para digestão, o que historicamente costuma vir acompanhado de volatilidade acima do normal na abertura. O número fiscal negativo e o IGP-M a 1,25% falam diretamente com a curva de juros futuros. Já o emprego define se o debate sobre a Selic segue na direção de afrouxamento ou trava. É a combinação entre eles que define o tom dos preços.