Principais pontos
- O Federal Reserve elevou sua taxa básica de juros pela primeira vez em mais de três anos, em decisão unânime
- a tecnologia foi o setor de melhor desempenho entre os 11 do S&P 500, enquanto o setor de energia sofreu a maior perda percentual
- Relatos de que a Arábia Saudita oferecia cargas adicionais de petróleo bruto via Omã aliviaram as preocupações com interrupções no abastecimento.
- a inflação está acima da meta de 2% há cinco anos
O Fed sobe o juro e o mercado se divide
O Federal Reserve elevou sua taxa básica de juros pela primeira vez em mais de três anos, em decisão unânime, e sinalizou que medidas adicionais de aperto monetário são prováveis nos próximos meses. O Dow Jones recuou 1,21%, para 51.461,78 pontos; o S&P 500 perdeu 0,44%, para 7.552,14 pontos; e o Nasdaq Composite encerrou com variação negativa de apenas 0,01%, a 25.978,43 pontos.
A leitura do Ativo Virtual é que o dado mais revelador do dia não está no tom negativo dos índices, e sim na dispersão entre setores. Sob um Dow em queda firme, a tecnologia foi o setor de melhor desempenho entre os 11 do S&P 500, enquanto o setor de energia sofreu a maior perda percentual, com recuo de 3,0%.
| Índice | Variação | Fechamento |
|---|---|---|
| Dow Jones | -1,21% | 51.461,78 |
| S&P 500 | -0,44% | 7.552,14 |
| Nasdaq Composite | -0,01% | 25.978,43 |
Energia no vermelho, tecnologia no azul
O setor de energia foi o que mais perdeu entre os 11 principais setores do S&P 500, pressionado pela queda dos preços do petróleo bruto. Entre as petroleiras citadas, a Chevron caiu 2,9%, a Exxon Mobil recuou 3,5%, e a Devon Energy e a ConocoPhillips perderam mais de 5% cada uma. Como o preço do barril é o principal motor das receitas e das margens dessas companhias, uma queda dessa magnitude tende a pressionar os resultados do segmento antes de aparecer nos balanços.
Na ponta oposta, a tecnologia teve destaque, com as ações de chips subindo 0,6% — o primeiro ganho significativo desde um apelo conjunto de executivos da área de inteligência artificial por um ritmo mais lento no avanço das capacidades e por coordenação de segurança em todo o setor.
A Intel avançou 4,0% após um relatório indicar que a sul-coreana SK Hynix negociava com a empresa a fabricação de chips de memória nos Estados Unidos; as ações da SK Hynix listadas nos EUA subiram 0,6%. No sentido contrário, a IBM caiu 4,4% depois de anunciar que a Anderon, sua unidade de chips, firmou um acordo de financiamento com o governo americano.
Petróleo: alívio de oferta derruba a cotação
O Brent com vencimento em novembro, negociado na Intercontinental Exchange de Londres (ICE), fechou em queda de 2,69% (US$ 2,92), a US$ 105,83 o barril. O WTI com vencimento mais curto recuou 3,2%, e o Brent caiu 2,7% na variação do dia.
O movimento interrompe uma sequência de força: o petróleo bruto havia subido mais de 20% nas duas semanas e meia anteriores. Relatos de que a Arábia Saudita oferecia cargas adicionais de petróleo bruto via Omã aliviaram as preocupações com interrupções no abastecimento. O pano de fundo geopolítico seguia tenso, com aviões de combate sauditas bombardeando o Iêmen e combatentes houthis, apoiados pelo Irã, lançando drones e mísseis contra cidades sauditas — sinal do alcance ampliado do Irã em um conflito cada vez mais extenso.
Para quem acompanha o setor, o recuo do barril cria um contraste: o mesmo conflito que sustenta o prêmio de risco geopolítico foi ofuscado, no dia, pela sinalização de mais oferta. Historicamente, essa combinação costuma trazer volatilidade acima da média para petroleiras e para a cadeia de serviços ligada ao óleo.
O que o Fed sinalizou — e por que isso importa
A decisão foi unânime, e o comunicado indicou que é provável que haja mais medidas de aperto monetário no futuro próximo para promover uma queda mais rápida da inflação. Em coletiva, o chair do Fed, Kevin Warsh, afirmou que a economia americana se fortaleceu desde a última reunião, mas que a tendência da inflação mostrou pouca melhora.
O estrategista-chefe de mercado do Carson Group, de Omaha, Ryan Detrick, classificou o movimento como amplamente esperado e avaliou que o Fed parece unido na luta contra a inflação. Acrescentou que a boa notícia é que a autoridade monetária não acredita que vários aumentos nos próximos meses terão grande impacto sobre a economia geral, que se mantém sólida — e lembrou que a inflação está acima da meta de 2% há cinco anos.
Antes do anúncio, os três principais índices acionários dos EUA vinham ganhando terreno, com uma recuperação no setor de chips dando vantagem ao Nasdaq, de forte presença de tecnologia. No início do pregão, dados robustos sobre as vendas no varejo sugeriram que os consumidores continuavam gastando, apesar da redução do poder de compra causada pelo aumento dos preços, especialmente na gasolina. O ponto de atenção para quem acompanha juros é este: enquanto a atividade resiste, a leitura é de que o viés de aperto pode durar mais do que o inicialmente precificado.
O reflexo no Brasil
A sessão brasileira também sentiu o clima externo. O Ibovespa caiu 0,51%, pressionado por Petrobras e pela expectativa em torno da decisão do Fed, enquanto o dólar fechou estável, a R$ 5,15. A B3 encerrou com os investidores à espera do Comitê de Política Monetária (Copom), e as apostas do mercado indicavam redução da taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. Em reação ao Fed, os rendimentos dos Treasuries ganharam força, assim como o dólar ante boa parte das demais divisas, incluindo o real.
Para o investidor pessoa física, o cenário desenha duas forças em sentidos diferentes. Lá fora, juro alto por mais tempo tende a encarecer o crédito global e a mexer na atratividade relativa entre renda fixa e bolsa. Aqui, a perspectiva de corte na Selic aponta para o caminho oposto. A combinação costuma se traduzir em mais volatilidade no câmbio e nos ativos domésticos.
Robinhood, Boeing e outros movimentos do dia
As ações da Robinhood tombaram 5,5% depois que o Senado dos EUA não conseguiu aprovar uma legislação abrangente sobre criptomoedas, um golpe para as empresas de ativos digitais. Separadamente, o Departamento de Justiça dos EUA acusou, na terça-feira, dois ex-engenheiros da companhia de uso de informação privilegiada e de informações confidenciais.
A Boeing recuou 3,7% depois que a diretora executiva Kelly Ortberg afirmou que está demorando mais do que o esperado para estabilizar a taxa de produção do 737 MAX em 47 aeronaves por mês.
