Netflix transforma o colapso da FTX em minissérie de oito episódios
A Netflix marcou 19 de novembro para a estreia de Os Altruístas (The Altruists). Com oito episódios, a produção reencena a trajetória da FTX, plataforma de negociação de criptoativos que faliu em 2022 sob acusações de fraude. O primeiro trailer, apresentado na quinta-feira (8), mostra dois jovens executivos que prometiam reformular o mercado financeiro e terminaram no centro de um rombo de US$ 8 bilhões.
Idealismo, ambição e o que o trailer antecipa
Anthony Boyle, visto em Mestres do Ar e House of Guinness, interpreta o fundador Sam Bankman-Fried. Julia Garner, de Ozark e Inventando Anna, vive Caroline Ellison, que dirigia a Alameda Research — mesa de negociação de criptomoedas do mesmo grupo — e mantinha um relacionamento com o empresário.
A prévia acompanha o início da sociedade e do romance, a expansão acelerada dos negócios e o instante em que as irregularidades passam a ameaçar o império recém-construído. A sinopse oficial descreve os personagens como uma espécie de Bonnie e Clyde da geração Z.
| Personagem | Ator |
|---|---|
| Sam Bankman-Fried | Anthony Boyle |
| Caroline Ellison | Julia Garner |
| Sam Trabucco, ex-codiretor da Alameda | Alex Lawther |
| Nishad Singh, ex-diretor de engenharia da FTX | Karan Soni |
| Gary Wang, cofundador da FTX | Eugene Young |
| Ryan Salame, ex-executivo da FTX Digital Markets | Matt Rife |
| Joe Bankman, pai do fundador | Paul Reiser |
| Barbara Fried, mãe do fundador | Robin Weigert |
| Changpeng Zhao, o CZ, fundador da Binance | Terry Chen |
O roteiro se apoia em reportagens da revista New York, de Kevin T. Dugan e Jen Wieczner, para tratar tanto dos crimes financeiros quanto da relação pessoal do casal.
Os números do caso FTX
| Marco | Valor |
|---|---|
| Fundação da FTX | 2019 |
| Avaliação máxima | US$ 32 bilhões |
| Colapso | novembro de 2022 |
| Rombo estimado | US$ 8 bilhões |
| Acusações contra Bankman-Fried | 7, entre fraude e conspiração |
| Pena de Bankman-Fried | 25 anos (março de 2024) |
| Pena de Caroline Ellison | 2 anos (setembro de 2024) |
A história real por trás da trama
Criada em 2019, a FTX escalou rapidamente até figurar entre as maiores plataformas globais de criptoativos, com avaliação de US$ 32 bilhões, investidores de peso e patrocínios a equipes e eventos esportivos.
Em novembro de 2022, a falta de liquidez escancarou os problemas financeiros que ligavam a corretora à Alameda Research. As investigações seguintes mostraram que bilhões de dólares de clientes foram usados indevidamente para bancar operações da mesa de trading, aportes e outras despesas.
No comando da Alameda, Ellison foi figura central. Ela se declarou culpada, colaborou com as autoridades americanas e depôs contra o ex-parceiro. Bankman-Fried foi declarado culpado por um júri em sete imputações de fraude e conspiração em novembro de 2023 e recebeu pena de 25 anos em março de 2024. Ellison pegou dois anos em setembro de 2024, sanção menor por causa da cooperação, e já está fora da prisão.
Quem assina a produção
Graham Moore, premiado com o Oscar pelo roteiro de O Jogo da Imitação, assina a criação ao lado de Jacqueline Hoyt (The Leftovers e The Underground Railroad). O casal Barack e Michelle Obama entra como produtor executivo pela Higher Ground Productions, empresa que desenvolve projetos audiovisuais em parceria com a Netflix. Julia Garner também produz, e James Ponsoldt dirige o primeiro episódio.
O roteirista sustenta que a dupla agiu por boas intenções desde o começo. “Eu realmente acredito que Sam e Caroline eram altruístas profundamente comprometidos desde o primeiro dia, que queriam fazer o máximo de bem para o maior número possível de pessoas”, afirmou Graham Moore, criador e roteirista da série, em entrevista ao site Tudum, da Netflix. Segundo ele, os personagens passam a justificar escolhas cada vez mais problemáticas alegando perseguir objetivos positivos. O objetivo declarado é levar à tela diálogos e cenas ausentes do noticiário do processo, recorrendo à dramatização para reconstruir como os personagens conviviam.
O que o caso ensina a quem investe em cripto
Para quem mantém criptoativos na carteira, a quebra da FTX virou uma aula sobre risco de contraparte — a chance de a outra ponta de uma operação não honrar o combinado, cenário que se materializou quando os recursos dos clientes já não estavam disponíveis.
O episódio também recolocou no centro do debate a custódia desses ativos: quem deixa os tokens sob a responsabilidade de uma plataforma fica exposto à saúde financeira dela, enquanto a guarda em carteira própria — a self-custody — transfere o controle para o investidor.
A minissérie chega ao catálogo em 19 de novembro e devolve o caso ao noticiário num momento em que o mercado cripto segue discutindo transparência de reservas e governança. A distância entre os números impressiona: de uma avaliação de US$ 32 bilhões a um rombo de US$ 8 bilhões, com o fundador atrás das grades e a principal colaboradora do processo já em liberdade.
