Principais pontos

  • "A Huawei Technologies enfrenta um julgamento criminal em Nova York sob acusação de atuação em organização criminosa"
  • "o custo de operação e a previsibilidade de receitas no setor de tecnologia tende a ficar menos estável"
  • "A seleção do júri teve início na tarde de terça-feira, 8, e as declarações de abertura não eram aguardadas antes de quarta-feira"

A Huawei Technologies enfrenta um julgamento criminal em Nova York sob acusação de atuação em organização criminosa (racketeering, figura do direito norte-americano que alcança a prática reiterada e coordenada de delitos), com imputações que abrangem roubo de tecnologia, conspiração para subtrair segredos comerciais (informações sigilosas com valor competitivo) dos Estados Unidos e fraude bancária e eletrônica (bank e wire fraud, o emprego de bancos e de meios de comunicação para induzir terceiros a erro), segundo a fonte. O ponto central é que a companhia chinesa é a maior fornecedora mundial de equipamentos para redes sem fio, mas está vetada junto a operadoras americanas por temor ligado a risco de segurança.

A leitura é que o episódio interessa a quem investe porque converte um litígio societário em fator de risco geopolítico para telecomunicações e semicondutores (componentes que processam dados em celulares, redes e centros de dados). Quando sanções (vetos oficiais a comércio e a transações financeiras) ganham peso, o custo de operação e a previsibilidade de receitas no setor de tecnologia tende a ficar menos estável, movimento que historicamente costuma elevar a oscilação de companhias expostas ao tema. Para o investidor brasileiro que acompanha o exterior pela B3, o caso pode indicar mais atenção a prazos de expansão de redes e à corrida por microprocessadores de inteligência artificial (IA, sistemas capazes de aprender padrões a partir de dados).

O processo deixa de ser apenas um caso judicial e passa a funcionar como termômetro de risco para redes, chips e cadeias globais de tecnologia.

Acusação em Nova York: Skycom, Coreia do Norte e vigilância no Irã

Segundo a fonte, os procuradores americanos sustentam que, além da subtração de informações sigilosas, a Huawei e algumas subsidiárias mantiveram negócios na Coreia do Norte mesmo sob sanções americanas e instalaram aparatos de monitoramento que teriam permitido ao Irã vigiar manifestantes durante os protestos antigovernamentais de 2009.

Outro eixo envolve a Skycom, descrita como empresa de fachada (estrutura formal usada para ocultar o controlador real) sediada em Hong Kong, que teria sido usada para vender equipamentos ao Irã em descumprimento das proibições americanas. Os procuradores atribuem ainda à diretora financeira Meng Wanzhou, filha do fundador, fraude por supostamente ter induzido o banco HSBC a erro sobre os negócios no Irã.

Meng foi detida no Canadá no final de 2018 após pedido americano de extradição (procedimento para enviar uma pessoa a outro país para responder a processo) e foi solta em setembro de 2021 em troca de prisioneiros vista como de alto risco, que libertou dois canadenses retidos pela China e permitiu seu retorno para casa. Como parte do entendimento, os Estados Unidos desistiram do pedido de extradição e informaram que arquivariam as imputações de fraude contra a executiva.

Veto em redes americanas e guinada para chips de IA

A companhia, que informou sustentar seu êxito em investimento contínuo em inovação com respeito máximo à propriedade intelectual (direitos sobre criações e invenções), segue como maior fornecedora mundial de equipamentos para redes sem fio. Apesar da escala, está barrada de vendas a prestadoras americanas por preocupações com segurança e consta de lista restritiva aplicada também por aliados como Canadá e Reino Unido.

A fabricante produz telefones e outros eletrônicos de consumo, mas foi afastada de outras frentes. Mais recentemente, voltou-se à fabricação de chips, diante do impulso da demanda por microprocessadores ligado ao avanço da IA.

Durante o primeiro mandato do presidente Donald Trump, o governo americano levantou questionamentos de segurança nacional sobre a Huawei e passou a pressionar parceiros ocidentais a excluir seus produtos das redes móveis de alta velocidade de nova geração. Os Estados Unidos formalizaram as imputações criminais no início de 2019 e ampliaram as alegações desde então.

Defesa nega versão e Pequim fala em intimidação: calendário do júri

Os advogados tentaram obter o arquivamento do amplo processo penal sob o argumento de que as alegações seriam vagas demais e estenderiam de modo indevido a autoridade americana para fora do território. A empresa declarou que a versão difundida pelos procuradores não corresponde aos fatos.

Autoridades chinesas afirmaram que o governo americano pratica intimidação econômica e desvirtua o argumento de segurança nacional para sufocar empresas chinesas, segundo a fonte.

A seleção do júri teve início na tarde de terça-feira, 8, e as declarações de abertura não eram aguardadas antes de quarta-feira. A leitura é que esse cronograma pode indicar o ritmo inicial de um julgamento extenso, com repercussão sobre conformidade com sanções e governança de fornecedores.

Data / períodoMarco descrito na fonte
2009Protestos antigovernamentais no Irã citados na denúncia de vigilância
final de 2018Detenção de Meng Wanzhou no Canadá por pedido de extradição
início de 2019Anúncio das acusações criminais americanas contra a Huawei
setembro de 2021Soltura de Meng em troca que libertou dois canadenses detidos na China
terça-feira, 8Início da seleção do júri em Nova York