O Ibovespa fechou a quarta-feira (28) em 171.006,10 pontos, com baixa de 2,68%, terceiro pregão consecutivo de perda desde as eleições. A quinta-feira (29) amanhece com a agenda mais pesada do fim do mês: resultado primário do Governo Central pela manhã, estatísticas fiscais e relatório mensal da dívida pública do Tesouro à tarde, mais PCE e PIB do terceiro trimestre dos Estados Unidos e os balanços de Ambev e Vale.

A pergunta que a sessão ajuda a responder não é apenas se o índice interrompe a sequência negativa, mas qual combustível alimenta a queda. O dólar à vista recuou 0,19%, a R$ 5,3402, e o EWZ — fundo negociado em bolsa (ETF) em Nova York que replica o índice brasileiro — cedeu 0,45%, a US$ 33,62. O sinal aponta para pressão de origem doméstica, não externa.

Primário pela manhã, dívida pública à tarde

O risco fiscal chega em duas ondas. Pela manhã, sai o resultado primário do Governo Central — receitas menos despesas, sem contar o pagamento de juros da dívida —, termômetro do esforço de ajuste. À tarde, o Tesouro publica as estatísticas fiscais e o relatório mensal da dívida pública, com composição, prazo e custo do endividamento.

A ordem importa. Um primário mais fraco tende a reacender a discussão sobre a trajetória do endividamento e, historicamente, costuma pesar mais sobre os ativos domésticos do que sobre o humor internacional. O relatório da dívida completa a leitura: não basta o resultado do mês, é preciso saber a que preço o governo rola o estoque. Com três quedas seguidas, parte desse prêmio já está nos preços — o que não afasta novos ajustes.

Ambev antes do sino, Vale depois do fechamento

A Ambev reporta o terceiro trimestre antes da abertura, o que concentra a reação dos papéis nos primeiros minutos de negociação. A Vale publica depois do fechamento, e o ajuste fica para a sessão seguinte. Duas empresas de grande peso na B3 divulgando números fora da janela de maior liquidez tendem a transferir parte da digestão do resultado para o pregão posterior, num dia já tomado por indicadores.

Microsoft sobe 2,57% e Alphabet recua 10% antes da abertura

A temporada americana entrega um sinal dividido — e a divisão é o dado. A Microsoft (MSFT) avançava 2,57% no pré-mercado, enquanto a Alphabet (GOOGL) tombava 10%. No agregado, o futuro do Nasdaq cedia 0,93%, o S&P 500 perdia 0,19% e o Dow Jones subia 0,60%. A dispersão sugere troca de posição dentro da tecnologia, não fuga generalizada do risco — o que reposiciona o foco do investidor local nos indicadores domésticos.

O termômetro dos mercados na manhã de 29 de outubro

AtivoVariaçãoCotação
Nikkei (Tóquio)+1,00%—
Hang Seng (Hong Kong)-0,59%—
Xangai (China)-0,82%—
FTSE 100 (Londres)+0,44%—
DAX (Frankfurt)+1,12%—
CAC 40 (Paris)+1,09%—
Nasdaq (futuro)-0,93%—
S&P 500 (futuro)-0,19%—
Dow Jones (futuro)+0,60%—
Brent-0,76%US$ 114,44/barril
WTI-1,10%US$ 101,65/barril
Ouro-0,31%US$ 4.038,90/onça-troy
Bitcoin-1,6%US$ 80.077,38
Ethereum+2,1%US$ 2.318,05
EWZ-0,45%US$ 33,62
Dólar à vista-0,19%R$ 5,3402

Nove e meia da manhã concentra três dados americanos

Às 9h30 de Brasília, PIB do terceiro trimestre (primeira estimativa), PCE — a medida de inflação que o Federal Reserve usa como referência para calibrar os juros — e pedidos iniciais e contínuos de auxílio-desemprego saem no mesmo minuto. A sobreposição costuma gerar picos de volatilidade nos futuros, porque atividade, preços e mercado de trabalho exigem um único ajuste de preços.

Antes, às 8h, saem o IGP-M e os índices de confiança de serviços e comércio da FGV; às 8h30, as estatísticas monetárias e de crédito; às 14h30, o Caged. O Banco Central Europeu decide a taxa às 10h15 e fala com a imprensa às 10h45. Às 20h30, inflação de Tóquio e desemprego no Japão encerram o dia.

CMN extraordinário às 15h e a agenda do Planalto

Na agenda de Dario Durigan, o Conselho Monetário Nacional (CMN) se reúne em caráter extraordinário às 15h; pela manhã, às 9h, ele encontra Bruno Moretti, ministro do Planejamento e Orçamento, e às 16h despacha com Regis Dudena, secretário de Reformas Econômicas. Gabriel Galípolo tem despachos internos em Brasília às 11h. Lula recebe Mauro Vieira às 9h30, Miriam Belchior às 10h30 e Oswaldo Malatesta às 15h.

O que muda para quem carrega bolsa brasileira

Bolsa em queda forte com dólar em leve baixa pode indicar reprecificação de ativos locais, não saída de capital para fora. O EWZ, que cedeu 0,45% a US$ 33,62, reforça a leitura: o investidor estrangeiro não piorou a avaliação na mesma proporção do mercado à vista.

Na prática, o dia define três coisas a acompanhar. O primário do Governo Central e o relatório da dívida mostram se o prêmio embutido nos preços se mantém, aumenta ou recua. O comportamento do dólar confirma — ou desmente — essa leitura ao longo do pregão. E os balanços de Ambev e Vale empurram parte do risco para a sessão de sexta-feira.