Principais pontos
- O mercado projetava 56 mil vagas e recebeu 162 mil, com o desemprego estacionado em 4,1%.
- A probabilidade de alta de juros caiu de 63% para quase 58% após a fala de Christopher Waller, segundo a ferramenta CME FedWatch.
- Por aqui, o dólar comercial subia a R$ 5,13 enquanto VALE3, PETR4 e a maioria dos grandes bancos recuavam.
O Ibovespa (principal índice de ações da B3) operava aos 183,8 mil pontos na sexta-feira (4), abaixo da marca de 184 mil pontos, pressionado pelo payroll (relatório mensal de criação de vagas fora do setor agrícola nos Estados Unidos) de agosto. Segundo a fonte, a economia norte-americana gerou 162 mil vagas contra 56 mil esperadas, leitura que reforçou a cautela global e pesou sobre ativos de risco no Brasil.
O mercado projetava 56 mil vagas e recebeu 162 mil, com o desemprego estacionado em 4,1%. A diferença, de quase três vezes o consenso reunido pela Reuters, muda o cálculo de quem acompanha juros nos Estados Unidos e, por tabela, câmbio e bolsa por aqui, pois juro mais elevado por mais tempo nos Estados Unidos tende a sustentar o dólar e a exigir prêmio maior para alocar capital em mercados emergentes como o brasileiro.
Por que 162 mil vagas mantêm aberta a porta de alta de juros do Fed
A criação de postos acelerou com força em agosto, enquanto a taxa de desemprego permaneceu em 4,1%, combinação descrita como sinal de mercado de trabalho ainda estável. O Escritório de Estatísticas do Trabalho, órgão ligado ao Departamento do Trabalho dos Estados Unidos, informou a abertura de 162 mil postos fora do setor agrícola no mês, após abertura de 21 mil em julho em dado revisado para cima. A divulgação anterior para julho apontava extinção de 23 mil vagas, o que mostra revisão relevante entre uma publicação e outra.
O número foi conhecido um dia depois de o diretor do Federal Reserve (banco central dos Estados Unidos), Christopher Waller, ter suavizado as expectativas de elevação da taxa de juros. A probabilidade de alta recuou, mas seguiu majoritária. A probabilidade de alta de juros caiu de 63% para quase 58% após a fala de Christopher Waller, segundo a ferramenta CME FedWatch (termômetro que converte preços de contratos futuros em chance implícita de decisão sobre juros). A leitura é que um relatório de emprego bem acima do previsto mantém viva a possibilidade de aumento ainda neste mês, mesmo após o tom mais brando adotado na véspera.
| Indicador do emprego nos EUA | Número divulgado |
|---|---|
| Criação de vagas em agosto | 162 mil |
| Projeção Reuters para agosto | 56 mil |
| Julho, dado revisado | 21 mil vagas abertas |
| Julho, divulgação anterior | extinção de 23 mil vagas |
| Taxa de desemprego em agosto | 4,1% |
| Chance de alta após fala de Waller | quase 58% |
| Chance antes da fala | 63% |
Para o acompanhamento da política monetária americana, a sequência importa tanto quanto o número cheio do mês. A revisão de julho, que saiu de um fechamento de vagas para abertura líquida, aliada ao patamar de agosto, sugere resiliência da ocupação. Esse tipo de resiliência historicamente costuma dar margem para o banco central manter uma postura mais rígida, pois atividade aquecida tende a dificultar a convergência da inflação para a meta.
Dólar a R$ 5,13, Vale, Petrobras e bancos: como o exterior chegou à B3
Por aqui, o dólar comercial subia a R$ 5,13 enquanto VALE3, PETR4 e a maioria dos grandes bancos recuavam. A fonte relata juros futuros (contratos negociados na B3 que refletem apostas para a trajetória da taxa básica Selic) com desempenho misto, sem direção única ao longo da curva. Em Wall Street, os contratos futuros apontavam abertura sem fôlego: Dow Jones Futuro caía 0,26%, S&P Futuro recuava 0,25% e Nasdaq Futuro tinha valorização de 0,05%.
Para o investidor brasileiro com exposição a bolsa e câmbio, a combinação de payroll forte, dólar mais alto e futuros americanos em queda tende a representar um dia de menor apetite por risco e maior custo de proteção. Papéis de peso elevado no índice, como os ligados a commodities e ao setor financeiro, historicamente costumam sentir primeiro esse movimento de reprecificação global, o que ajuda a entender a perda dos 184 mil pontos em um pregão influenciado por Nova York. O comportamento misto dos juros futuros indica dúvida sobre repasse cambial a preços medidos pelo IPCA e sobre ritmo de CDI ao longo do tempo.
Brasília no radar: Datafolha mais apertado e STF fixa prazo de 5 dias
No noticiário doméstico, dois focos dividiram atenções com potencial para adicionar volatilidade ao pregão. Na política, levantamento Datafolha da véspera mostrou redução da vantagem numérica do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL), reforçando quadro de empate técnico em simulação de segundo turno para a eleição presidencial de outubro.
No Judiciário, após Alexandre de Moraes acusar André Mendonça, o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Edson Fachin, cobrou explicações em até 5 dias dos dois ministros, além da PF (Polícia Federal) e da PGR (Procuradoria-Geral da República). A agenda dupla, eleitoral e institucional, adiciona uma camada de incerteza a um dia já pressionado pelo exterior, com o mercado monitorando desdobramentos em Brasília ao mesmo tempo em que recalibra expectativas para a decisão do Fed prevista para este mês.
