Principais pontos
- O pregão desta quinta-feira (10) desenhou uma virada nítida na bolsa brasileira: o Ibovespa abriu estável, aos 185.622,19 pontos, recuou na manhã para 184.601,20 pontos (queda de 0,55%) e, às 12h27 (horário de Brasília), já operava em alta de 1,43%, aos 188.282 pontos.
- No Polymarket, mercado de predição sediado nos Estados Unidos, Flávio passou a superar Lula, com 52% das apostas de vitória, contra 45% do petista.
- O Banco Central, por sua vez, vendeu no início do dia, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso.
- Na véspera, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, cassou decisões liminares concedidas pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino que discutiam a permanência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no cargo.
Três marcas, um único pregão
O pregão desta quinta-feira (10) desenhou uma virada nítida na bolsa brasileira: o Ibovespa abriu estável, aos 185.622,19 pontos, recuou na manhã para 184.601,20 pontos (queda de 0,55%) e, às 12h27 (horário de Brasília), já operava em alta de 1,43%, aos 188.282 pontos. Segundo a reportagem do InfoMoney, com Reuters e Estadão Conteúdo, o gatilho da reversão foi o cenário eleitoral — mas o dia ainda reservou atuação do Banco Central (BC), dados de inflação e emprego nos EUA e um novo capítulo da crise no Supremo Tribunal Federal (STF).
A leitura do Ativo Virtual: quando um índice percorre do vermelho moderado ao verde de mais de 1% em poucas horas, o mercado tende a estar reposicionando apostas estruturais — e não apenas reagindo a um único dado. Para o investidor pessoa físico que acompanha a B3, o pregão precisa ser lido como trajetória, não como retrato final.
O motor da virada: eleições no centro da mesa
Gabriel Magno, chefe de alocação de investimentos e sócio da AW Capital, atribuiu a guinada às pesquisas recentes que colocam o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um eventual 2º turno — e, principalmente, à pesquisa da Atlas/Intel.
"Na Polymarket, Flavio e Lula estão quase empatados, coisa que nunca havia sido indicada antes. O mercado vem se balizando nisso para reajustar as posições com uma tendencia de um governo pró mercado", apontou o especialista.
No Polymarket, mercado de predição sediado nos Estados Unidos, Flávio passou a superar Lula, com 52% das apostas de vitória, contra 45% do petista. Profissionais ouvidos pela Reuters afirmaram que a especulação é de que o senador aparecerá bem posicionado na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, programada para a própria quinta-feira.
Para Kevin Oliveira, sócio e advisor da Blue3, um nome alternativo ao petista anima os mercados porque "existe pressão por conta do fiscal": na avaliação dele, todos os candidatos falam em melhoria fiscal, enquanto o governo Lula está em descrédito. Fernando Siqueira, head de Research da Eleven Financial, explicou o recuo matinal pela ausência de novidades, com o índice à espera do pleito. "Subiu muito, diante da chance de vitória de Flávio ou de outro candidato a presidente que não seja o Lula e isso ajuda", afirmou.
O pano de fundo é conhecido: Lula ainda é visto com desconfiança por parte do mercado, que enxerga sua reeleição como empecilho ao controle das contas públicas e, por consequência, da inflação. Notícias favoráveis a Flávio, portanto, tendem a pressionar o dólar para baixo e a sustentar a bolsa doméstica.
Câmbio na contramão e a mão do BC
O recuo do dólar no Brasil ocorreu na contramão do exterior, onde a moeda norte-americana avança ante boa parte das divisas em um dia de alta dos rendimentos dos Treasuries (títulos da dívida americana) e do petróleo Brent, que superou US$ 105 o barril. Às 12h05, o índice DXY — que mede o dólar frente a uma cesta de seis divisas — subia 0,12%, a 98,901.
Dos EUA vieram dois dados: os preços ao produtor (PPI) de agosto subiram 0,4%, e os pedidos de auxílio-desemprego caíram 1.000 na semana, para 206.000 (dado com ajuste sazonal), ante projeção de 205.000 entre economistas ouvidos pela Reuters.
O Banco Central, por sua vez, vendeu no início do dia, em dois leilões simultâneos, US$ 1 bilhão em moeda à vista e 20.000 contratos no valor de US$ 1 bilhão de swap cambial reverso — operação cujo efeito equivale à compra de dólares no mercado futuro. O par de operações, apelidado de "casadão" entre investidores, injeta liquidez sem alterar, em tese, a cotação, já que o BC vendeu US$ 1 bilhão em uma ponta e comprou o mesmo valor em outra. Mais tarde, o BC vendeu 50.000 contratos de swap cambial tradicional para rolar o vencimento de 1º de outubro.
| Indicador | Dado do dia |
|---|---|
| Ibovespa (12h27) | +1,43%, a 188.282 pontos |
| Ibovespa (menor nível) | -0,55%, a 184.601,20 |
| DXY (12h05) | +0,12%, a 98,901 |
| Petróleo Brent | acima de US$ 105 o barril |
| PPI dos EUA (agosto) | +0,4% |
| Auxílio-desemprego (EUA) | 206.000 pedidos |
| "Casadão" do BC | US$ 1 bi à vista + US$ 1 bi em swap reverso |
| Rolagem de swap | 50.000 contratos (venc. 1º/10) |
STF: o segundo fator de risco
Na véspera, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, cassou decisões liminares concedidas pelos ministros André Mendonça e Flávio Dino que discutiam a permanência do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, no cargo. Fachin também retirou o ministro Alexandre de Moraes da relatoria do inquérito das fake news. Historicamente, episódios de atrito institucional costumam elevar a volatilidade dos ativos domésticos, e a crise na corte segue no foco dos investidores ao lado da disputa eleitoral.
O que observar a partir de agora
Três pontos concentram o radar de curto prazo: a divulgação da AtlasIntel/Bloomberg, capaz de confirmar ou desfazer a narrativa que moveu o pregão; os índices de inflação dos EUA, acompanhados de perto em busca de pistas sobre a próxima decisão de política monetária do Fed; e a sequência das operações do BC no câmbio, que sinaliza o grau de atenção da autoridade monetária à volatilidade. Para quem tem exposição à bolsa e ao dólar, a lição da sessão é que o pêndulo eleitoral tende a ditar o ritmo dos próximos pregões — possivelmente com amplitude larga até que as pesquisas reduzam a incerteza.
