O Ibovespa abriu estável nos 183.476,36 pontos, recuou até 181.931,36 pontos (-0,84%) na manhã desta segunda-feira, 28, acompanhando o tom negativo das bolsas em Nova York, e depois virou para alta de 0,23%, tocando 183.898,57 pontos. Na sexta-feira anterior, o índice havia encerrado em queda de 0,27%, aos 183.476,86 pontos, com perda semanal de 0,95% e ganho de 3,41% no acumulado.

Inflação acima do teto dá o tom

O dado que organiza a cautela não aparece no título: a mediana do Focus para o IPCA de 2026 subiu de 4,92% para 4,99%. A projeção para 2027 passou de 4,30% para 4,31%, e a estimativa para a Selic no fim de 2026 foi mantida em 13,50%. No recorte de 12 meses suavizado, a mediana avançou de 4,62% para 4,65% — acima do teto de 4,50% —, enquanto as leituras atualizadas nos últimos cinco dias úteis recuaram de 4,73% para 4,70%. O conjunto sugere um cenário de juros elevados por mais tempo, o que tende a limitar o apetite por ativos mais sensíveis ao ciclo doméstico.

Petróleo, Nova York e juros futuros

A alta de cerca de 2% nos contratos futuros de petróleo — motivada pelo impasse nas tratativas entre Estados Unidos e Irã e pela tensão no Oriente Médio — produz dois efeitos opostos. Se, de um lado, reforça a preocupação com pressões inflacionárias e juros mais altos pelo mundo, de outro favorece o setor, com PETR3 e PETR4 subindo perto de 2%. A VALE3 reduzia sua queda a 0,01% por volta das 11h30, mesmo com o minério recuando 0,91% em Dalian. Em Nova York, os índices operavam em baixa após o ganho de sexta, e o avanço dos rendimentos dos Treasuries empurrava para cima os juros futuros brasileiros. O petróleo em patamar elevado tende, historicamente, a realimentar a percepção de inflação persistente nas economias desenvolvidas.

Eleição e a agenda da semana

Somado ao calendário de indicadores — com dados de emprego no Brasil e nos Estados Unidos —, o primeiro turno da eleição presidencial tende a elevar a volatilidade do índice. Levantamento BTG/Nexus divulgado hoje mostra Lula com 46% das intenções de voto em eventual segundo turno, contra 44% do senador Flávio Bolsonaro, em empate técnico. A Quaest aponta os dois com 43% cada, e o Datafolha será divulgado na quinta-feira. No primeiro turno, a Quaest traz Lula com 39% e Flávio Bolsonaro com 34%. Mercados de previsão como o Polymarket atribuem ao senador cerca de 57% de chance. A diferença entre pesquisas e apostas tende a manter o vaivém em bolsa e câmbio a cada nova rodada de divulgação.

O fim das bets e o recado do governo

A sessão também repercute o encerramento das casas de apostas, anunciado na sexta-feira. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou que o governo não devolverá às operadoras as outorgas pagas para atuar no Brasil, mesmo com a proibição do setor. Para quem tem exposição a empresas do segmento, o recado reduz a previsibilidade sobre o retorno de valores já desembolsados e mantém o desenho regulatório em aberto.

O que observar

IndicadorValor
Ibovespa na mínima do dia181.931,36 pts (-0,84%)
Ibovespa na máxima do dia183.898,57 pts (+0,23%)
IPCA 2026 (Focus)4,99%
IPCA 2027 (Focus)4,31%
Selic no fim de 2026 (Focus)13,50%
Precificação de Flávio Bolsonaro (Polymarket)cerca de 57%

Com Petrobras entre as maiores altas e Vale praticamente estável, o índice tende a seguir sensível a dois vetores nesta semana: a leitura das pesquisas, com o Datafolha como principal marco na quinta-feira, e a reação do petróleo às notícias geopolíticas. É nesse intervalo, entre uma inflação projetada acima do teto e a corrida eleitoral, que a volatilidade se desenha como o principal risco de curto prazo para quem acompanha a bolsa.