Principais pontos

  • A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 recuou para 13,9%
  • A taxa de juros implícita chegou a 13,2% no acumulado em 12 meses para a dívida bruta

O mercado de juros futuros brasileiro operou com alívio nesta quarta-feira, 19 de agosto, em sintonia com o movimento global de titles. A intervenção do governo americano para suportar seu mercado de dívida aliviou a pressão externa, mas o cenário local mantém o alerta ligado devido ao custo de financiamento da União.

O gatilho internacional

O movimento de queda das taxas foi puxado por um anúncio do Tesouro dos Estados Unidos. A pasta informou a duplicação do volume de recompras de títulos com vencimentos entre 10 e 30 anos, saltando para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. Essa injeção de liquidez, válida de 9 de setembro a 4 de novembro, veio como resposta a uma forte onda de vendas que havia empurrado o rendimento dos papéis de 30 anos ao maior nível desde 2007, em meio a tensões geopolíticas no Oriente Médio e preocupações fiscais americanas.

A leitura de mercado é que essa ação devolveu fôlego aos ativos de risco. Como pontuou Matheus Spiess, estrategista da Empiricus Research, o movimento tirou a pressão no mercado de juros nos EUA e ao redor do mundo, inclusive no Brasil.

Na prática, o rendimento do Treasury (título do governo americano) de 10 anos recuava 6 pontos-base (bps, onde cada ponto equivale a 0,01%), indo a 4,647%. O papel de 30 anos caía 9 bps, a 5,193%.

A resposta da curva a termo

No Brasil, o reflexo foi imediato na ponta longa. A taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2035 recuou para 14,66%, ante os 14,779% do ajuste anterior. Na ponta mais curta, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 recuou para 13,9%, ante os 13,971% da sessão prévia.

Ativo / IndicadorTaxa AtualReferência Anterior / Variação
US 10y4,647%-6 bps
US 30y5,193%-9 bps
DI Jan/2813,90%13,971% (ajuste anterior)
DI Jan/3514,66%14,779% (ajuste anterior)

O risco fiscal oculto

Enquanto o exterior fornece um colchão temporário, os fundamentos locais exigem cautela. A ata da última reunião do Fed (Federal Reserve, o banco central dos EUA) mostrou que a preocupação com a inflação se aprofundou. Vários formuladores estavam dispostos a elevar as taxas, e muitos reforçaram que um aperto seria necessário caso a inflação não retorne à meta de 2%.

O mercado agora volta os olhos para as falas do presidente do Fed, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole, na próxima semana. No front doméstico, o ruído eleitoral persiste e o custo da dívida pública brasileira pesa. Conforme dados recentes, a taxa de juros implícita chegou a 13,2% no acumulado em 12 meses para a dívida bruta, o maior patamar desde novembro de 2016. Esse custo de carregamento tende a limitar o espaço para quedas mais estruturais na curva brasileira, independentemente do alívio pontual vindo de Washington.