O BB Investimentos mexeu em apenas um nome na carteira recomendada de outubro: a Direcional (DIRR3) deixou o portfólio, e o BTG Pactual (BPAC11) assumiu o lugar. A troca acontece depois de um setembro em que a seleção da casa avançou 0,27%, muito distante da alta de 5,03% do Ibovespa (IBOV) — o portfólio terminou setembro bem atrás do índice.

O portfólio é de perfil fundamentalista — montado a partir dos resultados e da qualidade das companhias, e não do vaivém das cotações no curto prazo — e serve como referência de alocação para investidores pessoa física.

O que sustenta a entrada do BTG Pactual

O banco passou a integrar a lista depois de um trimestre considerado robusto, marcado pela capacidade de crescer mesmo em um cenário ainda adverso para as operações de mercado. No segundo trimestre, o BTG entregou lucro líquido ajustado 23% maior na comparação ano a ano, mantendo o ROAE em 26,7% — indicador que mede o retorno sobre o patrimônio líquido médio e funciona como termômetro da eficiência de uma instituição financeira.

Na avaliação dos analistas, as linhas de negócios recorrentes do banco vêm segurando a retração momentânea das frentes mais dependentes do mercado de capitais. A presença de crescimento consistente, rentabilidade elevada e potencial de valorização, somada a uma fatia menor de risco atrelado aos fatores que turbinaram a instabilidade de setores cíclicos, foi o que pesou a favor da entrada do papel.

A carteira completa para outubro

Com a mudança, dez papéis formam a seleção do mês:

EmpresaTicker
AluparALUP11
Axia EnergiaAXIA3
BTG PactualBPAC11
EmbraerEMBJ3
GerdauGGBR4
Itaú UnibancoITUB4
PetrobrasPETR4
TendaTEND3
ValeVALE3
Vibra EnergiaVBBR3

Outubro com as eleições no radar

Na visão da casa, outubro deve ser um mês com pouca conexão com fundamentos para a bolsa, por conta da volatilidade elevada ligada à proximidade do desfecho eleitoral no Brasil. No front externo, a condução da política tarifária nos Estados Unidos, os conflitos no Oriente Médio e os efeitos do El Niño entram como elementos de pressão inflacionária.

Esse conjunto redesenhou o cenário projetado no início do ano, quando se esperava a continuidade do corte de juros nas economias desenvolvidas. A casa pondera que a conjuntura externa manteve a mesma base, ainda pouco amigável a posições de maior risco.

O que a troca sinaliza

Para quem acompanha o portfólio como referência, a troca aponta para uma preferência por companhias de resultados mais previsíveis em um mês eleitoral, quando o noticiário político tende a pesar mais do que os fundamentos. A entrada de um banco com receita diversificada e rentabilidade em nível elevado, no lugar de uma empresa ligada ao ciclo de construção, é consistente com essa leitura.

A carteira de setembro havia ficado bem atrás do índice da bolsa, e meses eleitorais tendem a ser mais voláteis para os ativos listados. A composição para outubro sugere que a casa privilegiou nomes com características menos dependentes do humor de curto prazo, ainda que a lista siga exposta a vários setores sensíveis ao ciclo econômico.

Entre os pontos de atenção do mês estão justamente a condução da política tarifária americana e o andamento dos conflitos no Oriente Médio — temas que costumam influenciar a demanda por risco em bolsas emergentes, incluindo a brasileira.