A Petrobras encerrou o pregão de sexta-feira (2) na B3 com valor de mercado de R$ 700,08 bilhões, o maior já registrado pela companhia, conforme informado pela própria estatal. Só nessa sessão, a empresa acrescentou R$ 20,9 bilhões ao seu valor, movimento acompanhado pela alta de 2,81% das ações preferenciais (PETR4) e de 3,25% das ordinárias (PETR3).

O gatilho foi uma segunda descoberta de petróleo no poço Morpho, em lâmina d'água ultraprofunda na bacia da Foz do Amazonas, na Margem Equatorial. Com o achado, a pergunta que interessa a quem tem o papel na carteira deixa de ser o tamanho da alta do dia: ela passa a ser quanto de uma nova fronteira exploratória já está embutido no preço — e quais variáveis podem rever esse valor.

A estimativa de 10 bilhões de barris por trás do novo patamar

A EPE, Empresa de Pesquisa Energética vinculada ao Ministério de Minas e Energia, calcula que a bacia da Foz do Amazonas possa guardar até 10 bilhões de barris de óleo equivalente. A unidade, conhecida como boe, reúne na mesma conta o petróleo e o gás natural da área.

É esse número que dá escala ao Morpho: o poço deixa de ser um achado pontual e passa a sustentar a hipótese de uma província produtora inédita no país. A cifra, porém, é de volume potencial recuperável estimado, não de reserva certificada — categoria que exige mais dados e mais tempo de avaliação.

Morpho: petróleo em duas profundidades e prazo até o fim de outubro

A companhia relatou a presença de petróleo em duas profundidades distintas no poço. Em coletiva de imprensa, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, afirmou que o segundo achado eleva a aposta da estatal na abertura de uma fronteira exploratória inédita. A executiva informou ainda que a perfuração do poço está finalizada e que a operação avança agora nos procedimentos de saída, com previsão de conclusão até o fim de outubro.

O que o MPF contesta no bloco FZA-M-59

Na segunda-feira (28), o Ministério Público Federal recorreu outra vez à Justiça para tentar derrubar a licença ambiental que permite à petroleira explorar a região. O processo foi protocolado no Tribunal Regional Federal da 1ª Região e pede interrupção imediata de perfuração e de testes no bloco marítimo FZA-M-59.

Os procuradores citam como sinal de insegurança o episódio de janeiro, quando uma sonda lançou ao mar um volume superior a 18 mil litros de fluido químico. Também apontam a falta de consulta prévia e informada — prevista na Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho — às comunidades indígenas, aos quilombolas e aos pescadores artesanais de Amapá e Pará.

Geração de valor: 185% contra 131% a 138% das petroleiras pares

Nos números divulgados pela própria companhia, a soma da valorização de mercado com proventos — dividendos e juros sobre capital próprio — entre janeiro e setembro equivaleram a cerca de 185% em dólar. A marca supera a de concorrentes citados pela estatal: BP (131%), Shell (133%), TotalEnergies (135%) e Chevron e ExxonMobil, ambas com 138%.

A sequência de recordes de valor de mercado em 2026

PregãoValor de mercado
30 de marçoR$ 677,24 bilhões
14 de abrilR$ 680,10 bilhões
15 de setembroR$ 692,35 bilhões
Sexta-feira (2)R$ 700,08 bilhões

O que o valor recorde já exige da nova fronteira

O fechamento histórico embute no preço a expectativa de uma fronteira que ainda depende de licenciamento, de novos testes e de anos até começar a produzir. Na outra ponta, a disputa judicial mantém vivo o risco de paralisação das atividades no bloco.

Para quem tem exposição à estatal, o valor de mercado passa a oscilar também conforme o calendário do poço e o desfecho da ação no TRF1. Papéis com gatilho exploratório costumam reagir com volatilidade a decisões judiciais e a atualizações de cronograma — o intervalo entre expectativa e confirmação tende a ser o mais sensível para o preço.