A semana de 9 a 13 de novembro tem a inflação como eixo. No Brasil, o IPCA de outubro deve registrar variação mensal indicada de 0,29%, segundo a agenda, e será divulgado na quinta-feira (12). Nos Estados Unidos, o índice de preços ao consumidor do mesmo mês sai na terça-feira (10), às 10h30, e tende a orientar as apostas sobre os juros americanos.

O cenário chega com a Selic mantida em 13,75% após a interrupção do ciclo de cortes, o que dá peso extra à leitura dos preços.

Brasil: juros e inflação no centro

O IPCA, índice oficial de inflação calculado pelo IBGE, é a referência do regime de metas do Banco Central. Sua divulgação ganha relevância porque vem logo depois da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), prevista para terça-feira (10). A ata resume as discussões do colegiado. Os investidores vão procurar no texto como o comitê avalia o risco de a inflação resistir mais do que o previsto e quais parâmetros devem orientar os próximos encontros.

Na decisão mais recente, o Banco Central enquadrou a política de juros como substancialmente contracionista, ou seja, com a taxa em patamar restritivo para desacelerar a economia.

Na segunda-feira (9), o Relatório Focus, pesquisa semanal que reúne projeções do mercado para inflação e Selic, traz a leitura mais recente das expectativas. No mesmo dia, a FGV divulga o IPC-S e o IGP-DI de outubro. O primeiro acompanha o consumo das famílias em intervalos móveis de 30 dias; o segundo combina preços ao produtor, ao consumidor e da construção.

Inflação americana no radar

O CPI de outubro, equivalente americano do IPCA, sai na terça-feira (10), às 10h30. Na sexta-feira (13), no mesmo horário, chega o PPI, índice de preços ao produtor que mede custos no atacado e costuma antecipar pressões sobre o varejo.

Na quinta-feira (12), às 10h30, saem os pedidos semanais de auxílio-desemprego, indicador do ritmo do mercado de trabalho. Às 16h do mesmo dia, é divulgado o resultado fiscal mensal de outubro, que mostra o equilíbrio das contas públicas americanas.

Agenda dia a dia

A quarta-feira (11) concentra a programação mais extensa. Além do IPC-Fipe semanal e da prévia do IGP-M de novembro, o IBGE divulga a Pesquisa Mensal de Serviços e a Pesquisa Industrial Mensal – Regional, ambas referentes a setembro. O Banco Central publica o fluxo cambial semanal, que mostra a entrada e a saída líquida de dólares, e o Índice Commodities Brasil (IC-Br), que acompanha os preços das commodities exportadas pelo país.

DiaDestaques da agenda
Segunda (9)IPC-S e IGP-DI de outubro (FGV); Relatório Focus; balança comercial semanal (Secex)
Terça (10)Ata do Copom; produção e venda de veículos (Anfavea); CPI dos EUA, às 10h30
Quarta (11)IPC-Fipe semanal; prévia do IGP-M de novembro; serviços e indústria regional de setembro (IBGE); fluxo cambial e IC-Br de outubro (BC)
Quinta (12)IPCA de outubro (variação mensal indicada de 0,29%); pedidos de auxílio-desemprego (EUA), às 10h30; resultado fiscal de outubro (EUA), às 16h
Sexta (13)Pesquisa Mensal de Comércio (previsão de queda de 0,3% na comparação mensal); Levantamento Sistemático da Produção Agrícola; PPI dos EUA, às 10h30

Vale checar a data do IPCA: parte do material da agenda cita a quinta-feira (11), mas a programação detalhada indica o dia 12. A confirmação deve ser feita no calendário oficial do IBGE.

O que muda para o investidor

Para quem acompanha renda fixa, o IPCA de outubro entra na conta da inflação acumulada em 12 meses, referência usada em títulos indexados ao índice, como os do Tesouro IPCA+, e em reajustes contratuais. Um dado acima do esperado reforça a leitura de que a Selic pode permanecer elevada por mais tempo; um resultado mais brando reabre espaço para a discussão sobre cortes.

A ata ganha peso nesse contexto, porque o comitê precisará sinalizar se considera o quadro inflacionário mais difícil do que antes. O tom do texto e as indicações sobre os próximos passos tendem a pesar tanto quanto o número em si.

No plano externo, o CPI americano influencia as expectativas sobre o Federal Reserve, o banco central dos EUA, e, por consequência, o custo do dinheiro global. Movimentos de juros lá fora costumam afetar o fluxo de capital para mercados emergentes, o que faz do dado de terça-feira uma referência também para quem acompanha a bolsa brasileira.

O roteiro combina dois termômetros de inflação com a comunicação do Banco Central, o que tende a manter as decisões de juros no centro do noticiário até sexta-feira (13).