A agenda de 9 a 13 de novembro concentra os dados que tendem a orientar as apostas sobre os próximos passos dos juros no Brasil e nos Estados Unidos. No centro está o IPCA de outubro, que sai na quinta-feira (12/11), dois dias depois da ata do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para a terça-feira (10/11). O Banco Central havia mantido a Selic em 13,75% ao ano, e o documento deve detalhar o raciocínio por trás dessa decisão.
Terça-feira reúne a ata do Copom e o CPI americano
A ata funciona como o registro oficial da reunião do colegiado do BC, e o mercado costuma examinar sobretudo as menções à inflação e à trajetória futura da Selic. No mesmo dia, os EUA divulgam o relatório ADP, que acompanha o emprego privado, às 10h15, e o índice de preços ao consumidor (CPI) de outubro, às 10h30. O CPI mede a variação dos preços pagos pelas famílias americanas. Uma leitura acima do esperado tende a reforçar a cautela do banco central americano em relação aos juros, e esse efeito costuma se espalhar para as taxas globais, inclusive as que influenciam os títulos de renda fixa negociados no Brasil.
O IPCA de outubro chega depois da ata
O IPCA, índice oficial de inflação ao consumidor no Brasil, sai às 9h da quinta-feira. Como o número chega dois dias após o texto do Copom, a comparação entre o tom da ata e o dado oficial tende a orientar os preços de juros futuros, especialmente nos títulos prefixados. Na segunda-feira (9/11), o boletim Focus, às 8h25, reúne as projeções semanais do mercado para inflação e Selic e serve de referência para medir a distância entre a expectativa e o dado realizado. Para quem acompanha renda fixa, essa sequência costuma definir o humor do mercado no fim da semana.
Atividade doméstica e varejo completam o calendário brasileiro
Na quarta-feira (11/11), saem a Pesquisa Mensal de Serviços (PMS) de setembro e a produção industrial regional do mesmo mês, ambas às 9h. A semana fecha na sexta-feira (13/11) com as vendas no varejo de setembro. Esses números mostram se a demanda resiste a uma Selic em 13,75% ao ano. Para quem acompanha empresas de consumo e varejo, juros elevados tendem a pesar sobre o crédito e o poder de compra das famílias, e os dados de vendas ajudam a medir esse efeito. Para quem tem papéis pós-fixados, a manutenção da taxa mantém o nível de remuneração corrente, enquanto títulos prefixados reagem mais às sinalizações futuras do BC.
Reino Unido e zona do euro entram no radar
Discursos de Andrew Bailey, na segunda-feira (9/11), às 14h25, e de Huw Pill, na terça-feira (10/11), às 15h30, ambos do Banco da Inglaterra (BoE), marcam a agenda britânica. Na quinta-feira (12/11), às 4h, o Reino Unido divulga o PIB do terceiro trimestre, além da produção industrial e da balança comercial de setembro. Na zona do euro, a reunião do Eurogrupo, que reúne os ministros da Fazenda do bloco, ocorre na segunda-feira às 7h. O PIB do terceiro trimestre do bloco sai na sexta-feira (13/11), também às 7h.
Ásia abre a semana com inflação chinesa e dados japoneses
A China divulga o CPI e o PPI de outubro no domingo (8/11), às 22h30. No Japão, os gastos das famílias de setembro saem na segunda-feira, às 20h30, e os agregados monetários de outubro, na terça-feira, às 20h50. Historicamente, mudanças nos preços ao produtor chinês costumam repercutir sobre cadeias de matérias-primas, o que tende a interessar exportadores brasileiros do setor.
Calendário resumido da semana
| Data | Horário | Indicador | País |
|---|---|---|---|
| Seg. 9/11 | 8h25 | Boletim Focus | Brasil |
| Ter. 10/11 | 8h00 | Ata do Copom | Brasil |
| Qua. 11/11 | 9h00 | Pesquisa Mensal de Serviços (setembro) | Brasil |
| Qui. 12/11 | 9h00 | IPCA de outubro | Brasil |
| Sex. 13/11 | 9h00 | Vendas no Varejo (setembro) | Brasil |
| Ter. 10/11 | 10h30 | CPI de outubro | EUA |
| Sex. 13/11 | 10h30 | PPI de outubro | EUA |
O que observar até sexta-feira
- Terça (10/11): o tom da ata do Copom em relação à Selic de 13,75% ao ano.
- Quinta (12/11): se o IPCA de outubro confirma ou contraria a leitura feita a partir da ata.
- Sexta (13/11): as vendas no varejo de setembro como termômetro da demanda doméstica.
