A Localiza (RENT3) vai distribuir R$ 614,9 milhões aos acionistas por meio de juros sobre capital próprio. O montante exato reservado é de R$ 614.914.358,34, o que equivale a R$ 0,556580414 por ação em valor bruto. O depósito está agendado para 18 de novembro de 2026, porém o direito ao dinheiro depende de a posição constar da base de acionistas em 25 de setembro de 2026.
Para quem já tem RENT3, o que muda a conta é a distância entre o número anunciado e o valor que efetivamente cai na conta. Juros sobre capital próprio, o JCP, operam de modo parecido com um dividendo: a empresa reparte parte do resultado conforme a quantidade de papéis que cada sócio detém. A diferença aparece na tributação — e é ela que encolhe o cheque.
O desconto obrigatório antes do depósito
Diferentemente dos dividendos tradicionais, o JCP passa por retenção de Imposto de Renda na fonte. Em 2026, a alíquota é de 17,5%, e o abatimento é feito pela própria Localiza antes do crédito. Sobre o valor unitário de R$ 0,556580414, o líquido por papel fica em torno de R$ 0,4592.
Em uma posição de 100 ações, isso significa aproximadamente R$ 45,92 no bolso, contra R$ 55,66 no cálculo bruto. Investidores que comprovem imunidade ou isenção fiscal ficam fora da retenção e recebem o montante integral.
O tributo não precisa ser recolhido uma segunda vez pela pessoa física, porque o desconto já ocorreu na origem. Na declaração anual, o valor entra como rendimento de tributação definitiva — um detalhe que costuma gerar dúvida em quem acompanha proventos com regularidade.
A data que separa quem recebe de quem fica fora
O critério é a posição na data-base, conhecida no mercado como data com, fixada em 25 de setembro de 2026. Comprar RENT3 até esse dia assegura o direito ao JCP agora anunciado. O papel só deixa de carregar o provento em 28 de setembro, quando passa a ser negociado ex-JCP — sem o direito embutido no preço. Quem adquire a ação nessa data ou depois não entra na distribuição.
Vender após a data-base não anula o benefício. O que determina o recebimento é o registro da posição em 25 de setembro, e não a permanência do investidor no papel até novembro.
O crédito chega em 18 de novembro, rateado de forma proporcional ao número de ações que cada investidor detinha no fechamento da data-base. Não há formulário a preencher nem solicitação a fazer — o depósito é automático.
O tamanho da posição define o tamanho do cheque
| Posição em 25/9 | Valor bruto |
|---|---|
| 10 ações | ~R$ 5,57 |
| 100 ações | ~R$ 55,66 |
| 500 ações | ~R$ 278,29 |
| 1.000 ações | ~R$ 556,58 |
O valor por ação ainda pode sofrer ajuste
A companhia sinalizou que o valor unitário pode ter pequena alteração. Dois movimentos explicam a ressalva: a alienação de ações da tesouraria para cobrir planos de incentivo e as compras dentro do programa de recompra. Como o montante total é dividido pela base de papéis considerada, qualquer variação nesse número desloca o valor por ação — e, por consequência, o que cada investidor recebe.
Onde esse provento entra na política de remuneração
Segundo o site de Relações com Investidores da Localiza, a política prevê destinar, no mínimo, 25% do lucro líquido ajustado de cada exercício aos acionistas, por meio de dividendos, por JCP ou misturando as duas formas. O valor aprovado agora será computado dentro da remuneração obrigatória referente a 2026.
A distinção entre as duas vias é fiscal: apenas o JCP passa pela retenção na fonte. Para quem organiza a carteira com atenção a renda recorrente, dois elementos definem o retorno real do provento — o calendário de setembro, que decide quem entra, e o desconto de 17,5%, que decide quanto sobra.
