Principais pontos
- As bolsas europeias fecharam na mínima em dois meses nesta quinta-feira (10), com o índice pan-europeu STOXX 600 recuando 0,7%, para 635,97 pontos, seu pior nível desde 8 de julho.
- o banco central também elevou a projeção de crescimento para 2026, de 0,8% para 0,9%, e agora espera inflação média de 3% neste ano.
- A leitura do Ativo Virtual é que a queda reflete menos a alta de hoje e mais o desconto antecipado de um ciclo de aperto que pode não ter terminado.
- Lisboa foi a única praça a fechar no campo positivo, com o PSI20 avançando 0,11%, a 9.455,72 pontos.
STOXX 600 na mínima em dois meses após BCE elevar juros
As bolsas europeias fecharam na mínima em dois meses nesta quinta-feira (10), com o índice pan-europeu STOXX 600 recuando 0,7%, para 635,97 pontos, seu pior nível desde 8 de julho. O movimento acompanhou a decisão do Banco Central Europeu (BCE) de elevar a taxa de depósito — a remuneração paga aos bancos que estacionam recursos na instituição — em 25 pontos-base (cada ponto-base equivale a 0,01 ponto percentual), para 2,5%, segundo apontou a Reuters.
A queda, porém, carrega uma leitura que não aparece no indicador de fechamento: o mercado deixou de olhar para a decisão de hoje e passou a descontar a próxima.
A taxa que importa agora é a de dezembro
"Os riscos de inflação podem estar aumentando e um novo aumento em dezembro pode ser mais provável do que improvável, mas o BCE ainda precisa agir com cautela", avaliou Mark Wall, economista-chefe para a Europa do Deutsche Bank.
A leitura do Ativo Virtual é que a queda reflete menos a alta de hoje e mais o desconto antecipado de um ciclo de aperto que pode não ter terminado. O alerta de Wall sobre a atividade também pesa na equação: para ele, a economia se mostrou resiliente nos últimos seis meses, mas o rápido aumento dos preços do gás intensifica o choque negativo de oferta — o que, na sua avaliação, acabará prejudicando o crescimento.
Em coletiva de imprensa após a reunião, a presidente do BCE, Christine Lagarde, afirmou que "os riscos para as perspectivas de inflação são de alta" e que as pressões de preços podem permanecer acima da meta por um período prolongado. Ela ressaltou, contudo, que a instituição não se comprometeu antecipadamente com nenhuma medida futura.
O que o BCE decidiu — e o que mudou nas projeções
Trata-se do segundo aumento de juros do BCE no ano, justificado pelo esforço de impedir que a alta dos preços de energia decorrente da guerra no Irã se espalhe pela economia dos 21 países que compartilham o euro — região particularmente vulnerável ao choque por causa de sua dependência de importações de combustível.
Além da taxa, o banco central também elevou a projeção de crescimento para 2026, de 0,8% para 0,9%, e agora espera inflação média de 3% neste ano.
Painel de fechamento das praças europeias
O recuo foi generalizado, mas desigual entre as principais bolsas do continente:
| Praça | Índice | Variação | Fechamento (pontos) |
|---|---|---|---|
| Londres | Financial Times | -0,57% | 10.608,92 |
| Frankfurt | DAX | -0,84% | 25.361,15 |
| Paris | CAC-40 | -0,49% | 8.116,76 |
| Milão | Ftse/Mib | -0,13% | 51.807,40 |
| Madri | Ibex-35 | -0,18% | 19.659,80 |
| Lisboa | PSI20 | +0,11% | 9.455,72 |
Lisboa foi a única praça a fechar no campo positivo, com o PSI20 avançando 0,11%, a 9.455,72 pontos.
A leitura para o investidor brasileiro
Para quem acompanha o mercado externo a partir do Brasil, o cenário reforça um ambiente de custo do dinheiro mais alto por mais tempo na Europa — um quadro que historicamente tende a pressionar ativos de risco globais e a direcionar fluxo para renda fixa de moedas fortes, movimento que costuma repercutir também em praças emergentes como a B3.
Há ainda o fator energia: a dependência europeia de combustível importado, destacada pelo próprio BCE na justificativa da decisão, pode fazer com que o choque de oferta sustente a inflação além do desejado e adiante o alívio monetário que os mercados costumam esperar de ciclos de flexibilização. A permanência de Lagarde em não assumir compromisso com os próximos passos indica que a volatilidade nas bolsas do continente tende a se manter elevada até que o caminho dos juros fique mais claro.
