A curva de juros brasileira fechou a quinta-feira com o prêmio concentrado nos vencimentos mais longos. O DI para janeiro de 2035 — um dos vértices mais distantes negociados na B3 — terminou a 14,11%, avanço de 13 pontos-base (cada um equivale a 0,01 ponto percentual) sobre o ajuste anterior, de 13,976%. O vencimento de janeiro de 2028, por sua vez, subiu apenas 1 ponto-base, a 13,565%, contra 13,552% na véspera. No intradia, o DI de 2035 marcou máxima de 14,130%, alta de 15 pontos-base, às 15h09, e permaneceu em patamar elevado até o encerramento do pregão regular.
A distância entre o vértice de 2028 e o de 2035
O contraste entre os dois vencimentos resume a sessão. A ponta curta e o miolo da curva praticamente não se moveram, enquanto a ponta longa absorveu quase todo o ajuste — sinal de que o mercado voltou a embutir mais prêmio para carregar risco em horizontes distantes. Esse tipo de movimento costuma surgir quando o investidor enxerga mais incerteza à frente, no campo fiscal ou no externo, e não uma mudança nas expectativas para os próximos meses.
| Vencimento | Taxa no fechamento | Variação no dia |
|---|---|---|
| DI jan/2028 | 13,565% | +1 ponto-base |
| DI jan/2035 | 14,11% | +13 pontos-base |
Treasury de 10 anos acima de 5,20% e Brent acima de US$100
O pano de fundo externo reforçou a pressão. Os juros dos títulos do Tesouro americano tocaram, nas sessões recentes, os patamares mais altos em várias décadas; nesta quinta-feira, porém, o dia foi de alívio, com investidores voltando à compra dos papéis e derrubando as taxas ao longo de toda a curva. Ainda assim, o Treasury de dez anos, referência global para decisões de investimento, seguiu acima de 5,20%, recuando 5 pontos-base, a 5,239%, por volta das 16h35. O nível elevado ecoa a preocupação com a guerra no Oriente Médio e seu efeito sobre a inflação.
No mercado de commodities, o petróleo Brent voltou a superar US$100 o barril. O dólar, por sua vez, manteve ganhos firmes diante de quase todas as divisas globais, incluindo o real, que rondou R$5,22 — patamar que tende a aparecer associado a maior aversão a risco em ativos emergentes.
Datafolha e debate desenham a agenda da noite
No Brasil, as atenções se voltaram para a disputa pelo Palácio do Planalto entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O Datafolha divulgou nova pesquisa eleitoral no início da noite, na mesma faixa de horário em que a TV Globo promoveu debate entre os presidenciáveis — com Flávio previsto para participar, enquanto Lula concederia entrevista a um podcast. Na reta final de campanha, os levantamentos mais recentes seguiam indicando empate técnico entre os dois no segundo turno.
O que a sessão muda para quem acompanha a curva
Para o investidor com exposição a títulos prefixados de prazo mais longo, a combinação de prêmio maior na ponta distante da curva brasileira e Treasury acima de 5,20% tende a manter a volatilidade nos preços desses papéis, que são os mais sensíveis a oscilações de taxa. Já os vencimentos curtos e intermediários, que responderam pouco nesta sessão, seguem mais ancorados nas expectativas para a política monetária de curto prazo. A agenda da noite — pesquisa Datafolha e debate na TV — acrescenta um componente de incerteza que tende a aparecer na formação de prêmio nos vértices longos da curva.
