A Klabin (KLBN11) renegociou os empréstimos que financiaram o Projeto Puma II e empurrou o vencimento de duas linhas de crédito para 2033 e 2034, combinando prazo mais longo com custo menor. O aditamento contratual foi assinado com credores internacionais e bancos comerciais e comunicado pela companhia na quinta-feira (15 de outubro).

O cronograma de pagamentos ganha fôlego em duas frentes. A linha classificada como A Loan, que vencia em 2032, passa a ter vencimento em 2034. O B Loan, por sua vez, saiu de 2029 para 2033. O custo global da operação ficou em SOFR + 2,04% ao ano — o SOFR é a taxa de referência do crédito de curtíssimo prazo nos Estados Unidos, usada como base para empréstimos em dólar.

Linha de créditoVencimento anteriorNovo vencimento
A Loan20322034
B Loan20292033

Quem assinou o aditamento

Do lado credor, a prorrogação envolveu o Inter-American Development Bank Invest (IDB Invest), a International Finance Corporation (IFC), a Japan International Cooperation Agency (JICA) e um grupo de bancos comerciais. A Klabin enquadrou a medida em sua política permanente de administração do passivo, com três objetivos declarados: reforçar a liquidez, esticar o prazo médio da dívida e reescalonar as parcelas de amortização. A presença de instituições multilaterais de fomento nesse tipo de estrutura costuma vir acompanhada de prazos longos, o que ajuda a explicar o resultado da negociação.

A aposta bilionária que gerou esse passivo

O Puma II é o maior desembolso já feito pela Klabin. O complexo industrial está instalado em Ortigueira, no interior do Paraná, e consumiu cerca de R$ 12,9 bilhões. A unidade entrou em operação em 2021 e tem capacidade instalada de 450 mil toneladas por ano de kraftliner, papel de alta resistência empregado na fabricação de embalagens de papelão ondulado. A máquina produz ainda o Eukaliner, papel feito integralmente com fibra de eucalipto.

O que o alongamento muda para o investidor

Adiar parcelas de principal para a próxima década reduz o volume de compromissos que vencem nos próximos anos e tende a diminuir a pressão sobre o caixa em períodos de geração de recursos mais fraca. Para quem acompanha a ação, o efeito aparece no perfil de risco do passivo: menos necessidade de refinanciamento em janelas apertadas e mais previsibilidade para o fluxo de pagamentos.

A outra face da moeda é a exposição a juros internacionais. Como o custo está indexado ao SOFR, oscilações da taxa americana se transmitem ao serviço da dívida, componente que foge ao controle da companhia. O alongamento, portanto, não reduz o passivo: redistribui o calendário e troca parte do risco de rolagem por risco de taxa.

O que o comunicado não quantifica

A redução de custo aparece na forma de uma taxa final, não de uma economia em reais. Sem o patamar anterior divulgado, não é possível medir o tamanho do alívio financeiro nem projetar seu efeito sobre o resultado da empresa. O mesmo vale para a fatia de dívida associada a cada uma das linhas A Loan e B Loan, informação que definiria a materialidade da operação dentro do endividamento total da companhia.

Com duas linhas empurradas para a próxima década e um custo nominalmente mais baixo, o que o investidor passa a monitorar é a execução operacional das unidades de papel para embalagens, já que é a geração de caixa dessas operações que sustenta o serviço da dívida ao longo do novo calendário.