MGLU3 avança 28,12% e comanda o bloco doméstico
O Magazine Luiza (MGLU3) subia 28,12%, cotado a R$ 9,75, por volta das 12h20 de Brasília desta segunda-feira (5), no topo das maiores valorizações do Ibovespa. O pregão de forte alta do índice responde ao primeiro turno das eleições de 2026, e o impulso se espalhou por outras empresas ligadas à economia doméstica.
São papéis de setores que dependem do consumo das famílias e do custo do crédito — as ações chamadas cíclicas, que costumam oscilar junto com o ciclo econômico. Varejo, locação de veículos, atacarejo, academias e construção civil aparecem na ponta da sessão.
Sete empresas cíclicas na ponta do Ibovespa
A alta do Magazine Luiza é a mais expressiva do grupo, mas não está sozinha. Localiza (RENT3) avançava 20,93%, Vamos (VAMO3) subia 19,62%, Smart Fit (SMFT3) ganhava 18,66% e Assaí (ASAI3) registrava 18,65%. Lojas Renner marcava 18,37% e MRV, 16,87%. C&A (CEAB3) também figurava entre os nomes cíclicos em alta.
| Empresa | Ticker | Variação |
|---|---|---|
| Magazine Luiza | MGLU3 | +28,12% |
| Localiza | RENT3 | +20,93% |
| Vamos | VAMO3 | +19,62% |
| Smart Fit | SMFT3 | +18,66% |
| Assaí | ASAI3 | +18,65% |
| Lojas Renner | — | +18,37% |
| MRV | — | +16,87% |
Varejistas e locadoras carregam balanços sensíveis ao crédito: quanto mais alta a taxa de juros projetada, mais caro fica financiar estoques, frotas e o consumo parcelado. Construtoras dependem do financiamento habitacional. Essa mecânica ajuda a explicar por que as altas se concentram nesses segmentos em sessões de alívio na curva de juros.
Primeiro turno: 47,03% contra 45,16%
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) fechou a votação para a Presidência com 47,03% dos votos válidos, à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que somou 45,16%. A definição fica para o segundo turno, marcado para 25 de outubro. Historicamente, quem larga na frente na primeira rodada costuma chegar com vantagem à etapa seguinte.
A apuração para o Senado também indicou avanço expressivo do PL e de legendas alinhadas ao bolsonarismo.
Taxas futuras em queda e real mais forte
O viés positivo do pregão vem de um resultado eleitoral que surpreendeu frente às pesquisas, na leitura de Gabriel Mollo, analista do Daycoval. Segundo ele, o alívio no prêmio de risco, somado ao recuo das taxas futuras — contratos que precificam a taxa básica para os próximos meses — e ao real mais forte, tende a favorecer as empresas domésticas e as mais sensíveis ao custo do capital.
Mollo observa ainda que a atenção do mercado migra para a composição do Congresso e para a capacidade do próximo governo de levar adiante uma agenda de consolidação fiscal. O cenário de troca de comando na política econômica está por trás do recuo das taxas futuras e do real mais apreciado; a continuidade disso, contudo, exige evidências concretas de compromisso fiscal e de avanço em reformas.
Rotação de carteiras e volatilidade até 25 de outubro
No curto prazo, o fluxo comprador tende a se concentrar nos papéis domésticos e sensíveis à taxa de juros, com rotação intensa entre setores. Depois de uma abertura tão forte, a tomada de lucros e as oscilações tendem a ganhar força, à medida que cresce a cobrança por clareza na agenda econômica.
Até 25 de outubro, a expectativa é de movimentos mais amplos, com carteiras sendo reajustadas a cada novo dado eleitoral, proposta econômica ou articulação política que venha a público.
Para quem acompanha a Bolsa, o pregão desta segunda-feira evidencia o quanto o mercado brasileiro segue sensível ao calendário eleitoral. Consumo, locação de veículos e construção costumam reagir com força a mudanças na percepção de risco fiscal e na trajetória esperada dos juros, e papéis mais expostos a essas variáveis tendem a amplificar tanto as altas quanto as quedas. Um único dia, porém, não estabelece tendência: a agenda das próximas semanas — pesquisas, propostas e alianças — é o que tende a definir se o movimento se sustenta além da reação inicial.
