A Petrobras atingiu 3,5 milhões de barris de óleo equivalente por dia no terceiro trimestre de 2026, marca que uniformiza petróleo e gás em medida única e representa o teto histórico da companhia. O volume de julho a setembro, detalhado em relatório da estatal publicado nesta quarta-feira (28), subiu 11,7% ante igual período de 2025 e transfere o foco do poço para a logística de escoamento.

Para quem acompanha PETR3 e PETR4, a implicação tende a aparecer no embarque e não na extração: as vendas externas avançaram na comparação anual, esfriaram ante o segundo trimestre de 2026 e ficaram mais dependentes da Ásia, enquanto as compras externas dispararam no intervalo. Essa configuração historicamente costuma deixar a margem comercial mais sensível a frete, prêmio por destino e ritmo do refino local.

Petróleo nacional de 2,83 milhões de barris sustenta recorde

O óleo extraído no Brasil somou 2,83 milhões de barris por dia, média diária de produção, com alta de 12,4% sobre o terceiro trimestre do ano passado. A conta total agrega ainda líquidos de gás natural, fração leve obtida junto ao gás. Sylvia Anjos, diretora de Exploração e Produção da Petrobras, afirmou no relatório que divulgou os números “Estamos produzindo mais e aproveitando melhor o potencial dos nossos ativos, com excelência operacional, segurança e tecnologia. É assim que transformamos nossa capacidade técnica e operacional em resultados concretos, fortalecendo a competitividade da Petrobras, criando valor sustentável e contribuindo para a segurança energética do Brasil”

Exportação de 987 mil barris cresce no ano e recua no trimestre

Os embarques de petróleo atingiram 987 mil barris por dia entre julho e setembro, volume 21,3% acima do registrado em igual etapa de 2025. Contra o segundo trimestre de 2026 houve perda de ritmo, explicada pela companhia como efeito do salto de 114,1% nas importações entre os dois trimestres. Ante 2025, essas aquisições externas cresceram apenas 6,1%, sinal de ajuste operacional passageiro e não de inversão exportadora.

China absorve 40% e Índia encolhe para 8%

A distribuição por destino mudou com nitidez. A China, com 35% no segundo trimestre de 2026, passou a responder por 40% do óleo embarcado. Os Estados Unidos elevaram a parcela para 12% no trimestre, compensando em parte o encolhimento da Índia, de 22% para 8%. A concentração maior em dois mercados pode tornar a receita externa mais reativa a diferenciais regionais de preço, ainda que o volume total siga em expansão anual.

Esse redesenho ajuda a interpretar o aumento trimestral das importações. Com produção recorde e embarques menos intensos que no trimestre anterior, a estatal tende a administrar estoques, paradas programadas e dieta das refinarias com mais compras fora, sem alterar a trajetória anual de vendas externas. Para o investidor pessoa física, acompanhar utilização do refino, nível de estoques e prêmio por destino tende a ser mais informativo que observar apenas o recorde de extração.

Indicador do 3T26Resultado
Produção total3,5 milhões de boed (+11,7% anual)
Petróleo no Brasil2,83 milhões de bpd (+12,4% anual)
Exportação987 mil bpd (+21,3% anual)
Importações+114,1% no trimestre, +6,1% no ano
China / EUA / Índia40% / 12% / 8%