Principais pontos
- A conclusão do poço pioneiro destrava a sequência de três perfurações contingentes para delimitar os reservatórios.
- A leitura é que o mercado passa a acompanhar um cronograma de sondas, e não mais uma tentativa isolada.
- Com Manga, Crotalus e a extensão de Morpho, a companhia poderá estimar o volume recuperável de petróleo e gás natural.
A retomada da perfuração em Morpho, na bacia da Foz do Amazonas, está prevista para os primeiros dias da semana que vem, de acordo com apuração do Broadcast, serviço de notícias em tempo real do Grupo Estado. O alvo integra a Margem Equatorial (província exploratória offshore que vai do Amapá ao Rio Grande do Norte) e é operado pela Petrobras (PETR4).
A companhia comunicou em 14 de agosto a identificação de petróleo de boa qualidade em Morpho, resultado que deu suporte à tese de que a área brasileira pode reproduzir o êxito exploratório obtido nas Guianas e no Suriname. Na semana passada, o Ibama (órgão federal responsável pelo licenciamento ambiental) ratificou a licença de operação (autorização que permite a perfuração dentro de condicionantes ambientais) de Morpho, com inclusão dos novos poços.
A conclusão do poço pioneiro destrava a sequência de três perfurações contingentes para delimitar os reservatórios.
A leitura é que o mercado passa a acompanhar um cronograma de sondas, e não mais uma tentativa isolada. O ponto central passa a ser três poços contingentes: Manga, Crotalus e extensão de Morpho, etapa que transfere a discussão de existência de óleo para tamanho e produtividade das acumulações.
Por que Manga, Crotalus e PAD Morpho definem o tamanho da descoberta
Os poços contingentes (perfurações subsequentes previstas após um achado inicial para confirmar extensão) servirão para delimitar reservatórios (mapear limites e espessura das rochas que armazenam hidrocarbonetos). Com Manga, Crotalus e a extensão de Morpho, a companhia poderá estimar o volume recuperável de petróleo e gás natural.
A área está inserida no bloco FZA-M-59 (contrato exploratório offshore localizado na costa do Amapá), cuja continuidade operacional foi assegurada pela manifestação do Ibama. Segundo a fonte, a licença ratificada já contempla Manga, Crotalus e a extensão denominada PAD Morpho (trecho adicional de avaliação ao redor da descoberta).
| Frente exploratória | Localização | Situação operacional |
|---|---|---|
| Morpho, poço pioneiro | Bacia da Foz do Amazonas, bloco FZA-M-59 | Retomada prevista para os primeiros dias da semana que vem |
| Manga, poço contingente | Mesma licença de Morpho, costa do Amapá | Coberta pela licença ratificada na semana passada |
| Crotalus, poço contingente | Mesma licença de Morpho, costa do Amapá | Coberta pela licença ratificada na semana passada |
| PAD Morpho, extensão | Mesma licença de Morpho, costa do Amapá | Coberta pela licença ratificada na semana passada |
| Mãe de Ouro e Pitu | Bacia Potiguar, Margem Equatorial | Dependem de manutenção da NS-42 antes do deslocamento |
O que observar: revezamento das sondas entre Amapá e Potiguar
Em entrevista exclusiva ao Broadcast, a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, detalhou o revezamento das unidades. Encerrada a fase atual em Morpho, a sonda NS-42 (ODN II) (unidade de perfuração contratada para águas profundas) passará por manutenção e seguirá para a bacia Potiguar, para perfurar Mãe de Ouro.
Mãe de Ouro, somada a outras descobertas citadas pela empresa como Pitu, poderia sustentar um sistema de produção (infraestrutura de plataformas, poços e escoamento necessária para produzir em escala comercial). A possibilidade ainda depende da confirmação de volumes, sem compromisso adicional revelado pela fonte.
No bloco FZA-M-59, a sequência ficará a cargo da sonda NS-43 (ODN III), ainda sem data definida, segundo a fonte. A divisão de tarefas evita paralisia entre bacias e mantém atividade simultânea na Margem Equatorial, com uma unidade destinada ao Amapá e outra ao Potiguar após a parada técnica.
Para quem acompanha a tese da Margem Equatorial, a mudança de fase reduz a incerteza binária de sucesso ou insucesso do pioneiro e desloca o foco para quantificação de reservas e encadeamento logístico das sondas. Os próximos marcos a monitorar são o reinício efetivo em Morpho, o início de Manga e Crotalus sob a licença já ratificada e o deslocamento da NS-42 para Mãe de Ouro após a manutenção.
