A Petrobras (PETR3; PETR4) anunciou o reajuste do preço de referência do querosene de aviação (QAV), principal combustível para aeronaves a jato, em 1,9%, correspondente a um acréscimo de R$ 0,09 por litro nas refinarias da estatal. A alteração entra em vigor a partir de 1º de agosto e sinaliza uma mudança de direção na política de preços do produto, que vinha em trajetória de reduções consecutivas. A medida reflete diretamente a dinâmica do mercado internacional de energia e impacta a estrutura de custos do transporte aéreo nacional.
Trajetória de Preços e Referência Internacional
A nova elevação ocorre após um período de alívios nos valores praticados. Em julho, a companhia aplicou uma redução de 14,4% no combustível, equivalente a R$ 0,81 a menos por litro. Anteriormente, em junho, o ajuste já havia registrado queda de 14,2%. O movimento recente de baixa conviveu com a alta expressiva dos benchmarks de petróleo em julho: o Brent subiu 24% e o WTI avançou 21%, registrando a maior valorização mensal para ambas as referências desde março. A volatilidade histórica do produto fica evidente quando se compara o cenário atual ao mês de abril, período marcado pelo auge das tensões geopolíticas no Oriente Médio, quando o QAV saltou 54,63%.
| Mês/Ano | Variação (%) | Variação (R$/litro) |
|---|---|---|
| Abril | +54,63% | Parcelado |
| Junho | -14,2% | Parcelado |
| Julho | -14,4% | -R$ 0,81 |
| Agosto | +1,9% | +R$ 0,09 |
Estrutura de Comercialização e Cadeia de Valor
A estatal mantém um modelo de atuação focado na etapa primária de comercialização. Conforme informado em nota, a Petrobras direciona o QAV produzido em suas unidades de refino ou importado exclusivamente para distribuidoras. Essas empresas intermediárias assumem integralmente a logística de transporte, a gestão das instalações aeroportuárias, os serviços de abastecimento e a revenda para as companhias aéreas e consumidores finais. Dessa forma, os repasses ao passageiro ou ao operador aéreo dependem da política de margens das distribuidoras, dos custos logísticos e das operações de hedge (proteção financeira contra oscilações cambiais e de commodities) contratadas pelo setor.
O que isso significa para o investidor
A alteração no preço de referência do QAV influencia diretamente a margem de refino e o fluxo de receita da Petrobras. O cenário atual apresenta duas forças em movimento: por um lado, a recuperação das cotações internacionais do petróleo tende a sustentar preços mais elevados nos repasses domésticos, beneficiando a receita da estatal; por outro, a Opep+ já sinalizou um incremento de 188 mil barris por dia na produção global para setembro, fator que pode atuar como moderador nas cotações nos próximos meses. No plano macroeconômico, o custo do querosene possui transmissão relevante para a inflação de serviços e para a lucratividade das cias aéreas. Investidores devem monitorar a correlação entre o câmbio, a curva de futuros do Brent/WTI e a capacidade de as transportadoras repassarem custos às tarifas, sem comprometer a demanda por passagens.
Fatores de Risco
- Exposição à volatilidade cambial, que altera a paridade de preços e o custo de importação mesmo com produção nacional;
- Rupturas geopolíticas no Oriente Médio ou em rotas de escoamento, capazes de gerar picos abruptos nos preços internacionais;
- Ritmo de implementação do parcelamento nos reajustes, que afeta o cronograma de recuperação das margens operacionais;
- Ciclos sazonais de demanda no transporte aéreo, que definem o consumo real e a gestão de estoques do combustível.
O mercado acompanhará a efetiva entrada dos 188 mil barris diários da Opep+ em setembro, bem como a próxima rodada de revisão mensal da estatal. A trajetória do petróleo nas próximas semanas funcionará como termômetro para a precificação nas refinarias, exigindo atenção contínua aos indicadores de oferta global e ao comportamento do dólar comercial frente ao real.
