Fed a 4% e Petrobras: os números que definem a quarta-feira

A quarta-feira 28 de outubro concentra três frentes que costumam mexer com preços na B3: a decisão de juros nos Estados Unidos, o relatório de produção e vendas da Petrobras (PETR3; PETR4) e uma leva de balanços do terceiro trimestre. O Federal Reserve (Fed) comunica sua escolha às 15h de Brasília, e a projeção predominante entre os agentes é de manutenção da taxa em 4%.

Se o número sair como esperado, a informação nova tende a migrar para o comunicado e para o tom sobre os próximos passos — não para a taxa em si. A quarta-feira vira, assim, um termômetro do apetite por risco: juro americano parado em 4%, quatro balanços domésticos e o dado operacional da Petrobras, tudo em poucas horas.

Santander, Intelbras, Motiva e Klabin no mesmo dia

A temporada de resultados do 3º trimestre ganha tração nesta quarta, com Santander (SANB11), Intelbras (INTB3), Motiva (MOTV3) e Klabin (KLBN11) entre os destaques do calendário. A comparação que interessa ao investidor coloca receita, margem e estrutura de custos lado a lado com o que cada companhia entregou nos trimestres anteriores: a reação do papel costuma responder ao desvio frente ao esperado, não ao tamanho do lucro isolado.

Em companhias com menor cobertura de analistas, um resultado distante do consenso tende a gerar ajuste de preço mais brusco na abertura seguinte. Já o desempenho agregado dos quatro balanços ajuda a dimensionar o vigor da atividade no período — leitura que ganha peso justamente num dia de decisão monetária nos EUA.

Petrobras: o dado operacional sai após o fechamento

A petrolífera divulga o relatório de produção e vendas do 3º trimestre depois do encerramento do mercado, o que transfere qualquer reação para a sessão de quinta-feira. O documento reúne os volumes produzidos e vendidos no período, informação que o mercado usa para calibrar a operação antes do balanço financeiro completo. Quem opera com horizonte curto passa a noite sem preço de referência para o papel.

Zona do euro: crédito mais seletivo antes do Fed

Nos três meses encerrados em setembro, os bancos da zona do euro endureceram os critérios para conceder empréstimos a empresas, enquanto a procura por crédito recuou. O retrato está na pesquisa do BCE sobre empréstimos bancários, publicada em 27 de outubro, e é atribuído em grande parte ao risco percebido maior por causa da guerra entre Estados Unidos e Irã.

Crédito mais seletivo costuma anteceder decisões de investimento mais contidas por parte das empresas, o que tende a reforçar a aversão a risco global — vetor que historicamente pressiona moedas de países emergentes, o real incluído.

Os horários que organizam o pregão

Horário (Brasília)Evento
08h00Sondagem da Indústria — período de outubro
14h30Fluxo cambial — dado semanal
15h00Decisão de política monetária nos EUA — projeção de 4%
Após o fechamentoRelatório de produção e vendas da Petrobras (3º tri)

Passaporte, viagem aos EUA e eleição em Israel

Do lado político, o senador Flávio Bolsonaro (PL), derrotado na disputa presidencial, viajou aos Estados Unidos — relato feito por um aliado do parlamentar e por uma fonte do governo americano. A partida aconteceu menos de 24 horas depois de ele declarar publicamente que não pretendia deixar o país em razão do resultado eleitoral. Um dia antes do rumor da viagem, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado a entrega do passaporte do senador. Uma autoridade sênior do Departamento de Estado americano afirmou que vistos serão emitidos para ele e para a família, com autorização de entrada nos EUA.

No exterior, os eleitores de Israel foram às urnas nesta terça-feira (27), depois de o presidente americano, Donald Trump, pedir votos para Benjamin Netanyahu em duas oportunidades. O republicano tem ligado a reeleição do premiê à retomada do conflito contra o Irã, deflagrado pelos dois países em fevereiro. O primeiro apoio apareceu em 18 de outubro, numa publicação no Truth Social; no domingo (25), o pedido veio de forma direta.

Para a bolsa brasileira, a soma de ruído político doméstico e tensão geopolítica externa tende a manter o investidor em compasso de espera até que os números da noite cheguem. As três frentes da quarta — Fed, balanços e dado operacional da Petrobras — devem definir o tom da abertura de quinta-feira.