No segundo trimestre de 2026 (2T26), a Petrobras (PETR3 e PETR4) divulgou relatório que consolida recordes históricos de eficiência e autossuficiência operacional. A companhia alcançou 3,34 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed) na produção total própria, avanço de 14,1% na comparação anual e 3,4% frente ao trimestre anterior. Impulsionada pela entrada antecipada da plataforma FPSO P-79 e pela otimização do parque de refino, a estatal reduziu drasticamente as importações de derivados e ampliou as exportações, reforçando a geração de caixa operacional e a resiliência diante da volatilidade geopolítica e de preços no mercado internacional.

Produção no pré-sal e a antecipação da P-79

A Exploração e Produção (E&P) liderou os ganhos de volume. O campo de Búzios atingiu recorde de 1,2 milhão de barris por dia, com a plataforma P-79 iniciando operações três meses antes do previsto no Plano de Negócios 2026–2030. A unidade, com capacidade instalada de 180 mil bpd e recorde de injeção de gás em 56 dias, elevou a capacidade de Búzios para 1,33 milhão de bpd. A produção de pré-sal totalizou 2,299 milhão de bpd de óleo e LGN, crescimento de 5% na comparação trimestral. Na Bacia de Campos, investimentos e gestão de ativos reverteram a tendência de queda, registrando 559 mil bpd de óleo, segundo maior patamar desde o 4T23.

Nota: "boed" (barris de óleo equivalente por dia) é a métrica que unifica a produção de petróleo, gás natural e líquidos de gás em um único indicador de capacidade.

Refino no limite: autossuficiência e salto nas exportações

O segmento de Refino, Transporte e Comercialização (RTC) registrou o Fator de Utilização (FUT) — indicador que mede a carga efetivamente processada pelas refinarias em relação à sua capacidade técnica — em recorde histórico de 101,2%. A alta eficiência operacional resultou em produção recorde de 1,918 milhão de bpd em derivados (+5,6% trimestral), com destaque para diesel S10 (509 mil bpd) e querosene de aviação (QAV), que atingiu 109 mil bpd.

  • Importações em queda: A maior produção própria reduziu a necessidade de compras externas. As importações de petróleo caíram 43,3% e as de diesel recuaram 63,3% frente ao 1T26.
  • Exportações em alta: As vendas líquidas no exterior subiram 26,2%, totalizando 1,075 milhão de bpd. Novos refinadores na Índia, Europa e Ásia foram adicionados à carteira para petróleos do pré-sal (Atapu, Tupi, Sururu).
  • Logística otimizada: Recorde de escoamento por navios CTV e chegada do shuttle tanker Janeiro Knutsen ampliaram a eficiência no transporte offshore.

Transição energética e proteção contra volatilidade de preços

A Petrobras avançou em combustíveis de baixo carbono e gestão de riscos de mercado. Nas unidades REDUC e REVAP, testes validaram a produção de SAF (Combustível Sustentável de Aviação) com 1% de óleo vegetal e certificação CORSIA, além de alcançar 8,5% de conteúdo renovável no Diesel R. Em parceria com o BNDES, a empresa assinou contratos no ProFloresta+ para adquirir 5 milhões de créditos de carbono de projetos de restauração na Amazônia. No segmento de Gás e Energias de Baixo Carbono, foi implementado um mecanismo de bandas de preço atrelado ao Brent para proteger clientes industriais e residenciais contra picos de volatilidade internacional.

As emissões de gases de efeito estufa (GEE) das atividades de óleo e gás no 1S26 somaram 25 milhões de toneladas de CO₂e, reflexo direto do maior volume processado. Contudo, a intensidade de emissões na E&P (IGEE) caiu para 14,4 kgCO₂e/boe, e a de metano recuou para 0,22 tCH₄/mil toneladas de hidrocarbonetos, evidenciando ganhos de eficiência e monitoramento de perdas.

O que muda para investidores

Os dados do 2T26 desenham um cenário estruturalmente positivo para as ações PETR3 e PETR4. A combinação de produção recorde, utilização máxima das refinarias e redução expressiva das importações tende a comprimir custos de aquisição e expandir a geração de caixa livre. A menor dependência de derivados estrangeiros reduz a exposição direta a flutuações cambiais e a riscos de supply chain. Além disso, a diversificação da carteira de exportação e a antecipação de projetos de energia sustentável alinham a companhia às exigências da transição regulada (Lei do Combustível do Futuro), mitigando riscos de longo prazo e sustentando a política de distribuição de dividendos no atual ciclo macroeconômico.

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