Principais pontos
- A defasagem nos preços internos alcança cerca de 11% na gasolina e 32% no diesel.
- A produção da PRIO gira em torno de 173 mil barris por dia em meio à parada parcial em Albacora Leste.
- A Ipiranga tende a capturar mais benefícios dos incentivos às importações do que a Vibra.
O petróleo tipo Brent (referência internacional usada para precificar barris negociados no mundo) acima de US$ 100 por barril recolocou o setor de óleo e gás da B3 no topo das conversas com investidores, com a Petrobras (PETR3;PETR4) concentrando 55% das interações na última semana, segundo relatório semanal do Itaú BBA repercutido pela fonte.
A leitura é paradoxal: o mesmo levantamento que mantém recomendação de outperform (indicação de desempenho acima da média do mercado) para a estatal, com preço-alvo de R$ 63 e potencial de 29%, registra incômodo crescente com o vaivém na política comercial após a companhia anunciar uma alta na gasolina e voltar atrás poucas horas depois, sem explicações adicionais.
Alerta de governança não apaga tese operacional da Petrobras
Segundo a fonte, o episódio foi compensado pelo forte avanço das cotações internacionais, mas reforçou questionamentos sobre governança e processo de decisão dentro da companhia. A autonomia da estatal na condução da política de preços voltou ao centro do debate entre gestores.
Para o Itaú BBA, o quadro operacional segue favorável. Além da valorização do Brent, a instituição avalia que novas medidas anunciadas pelo governo para o diesel podem abrir caminho para um reajuste futuro, funcionando como gatilho para revisões positivas nas projeções de lucro de curto prazo.
A defasagem nos preços internos alcança cerca de 11% na gasolina e 32% no diesel.
PRIO surfa Brent e lida com manutenção em Albacora Leste
A PRIO (PRIO3) respondeu por 10% das conversas com investidores e recuperou parte da performance relativa recente, superando a Petrobras na última semana com o ambiente mais construtivo para o petróleo.
A produção da PRIO gira em torno de 173 mil barris por dia em meio à parada parcial em Albacora Leste.
Essa volumetria reflete, segundo a fonte, uma interrupção parcial programada para manutenção no sistema de resfriamento da plataforma de Albacora Leste.
Outro ponto sob monitoramento é a possibilidade de prorrogação do imposto sobre exportação de petróleo, tendo como pano de fundo a continuidade das tensões geopolíticas e as medidas recentes do governo brasileiro para combustíveis. Mesmo assim, o Itaú BBA mantém recomendação de compra para PRIO3, com preço-alvo de R$ 73.
Distribuidoras divididas entre subsídio e concorrência
As distribuidoras de combustíveis concentraram 28% das discussões com investidores, refletindo incerteza sobre os efeitos das novas regras do governo, segundo a fonte.
De um lado, o reforço nos subsídios ao diesel importado foi interpretado como suporte para companhias com operação relevante de importação, com ganho de competitividade. De outro, parte do mercado teme que as regras deixem o Brasil ainda mais convidativo para importadores independentes, com aumento da disputa e pressão sobre margens.
O Itaú BBA observa que o Ultrapar (UGPA3) segue com performance superior à da Vibra (VBBR3), pela percepção de que a rede Ipiranga está mais posicionada para aproveitar os incentivos. A Ipiranga tende a capturar mais benefícios dos incentivos às importações do que a Vibra.
Para a Vibra, a discussão central permanece no nível das margens no terceiro trimestre, no quarto trimestre e ao longo de 2027. O banco relata que uma parcela dos investidores já admite elevar as projeções de curto prazo, com a persistência dos conflitos geopolíticos que seguem alterando os fluxos globais de combustíveis.
Onde o BBA mantém convicção e onde prefere neutralidade
O mapa de cobertura do Itaú BBA para o setor segue construtivo, com seis nomes com recomendação de outperform e apenas um em neutralidade.
| Empresa | Ticker | Recomendação do BBA |
|---|---|---|
| Petrobras | PETR4 | outperform (compra) – alvo R$ 63 |
| PRIO | PRIO3 | compra – alvo R$ 73 |
| Vibra | VBBR3 | outperform |
| Ultrapar | UGPA3 | outperform |
| OceanPact | OPCT3 | outperform |
| Compass | PASS3 | outperform |
| PetroReconcavo | RECV3 | market perform (recomendação de desempenho em linha com a média, equivalente à neutra) |
Para quem acompanha a B3, a consequência prática é uma polarização maior dentro do próprio setor: de um lado, produtoras ligadas ao Brent tentam transformar preço internacional elevado em revisão de lucro; de outro, distribuidoras passam a depender mais da calibragem fina das regras de importação e da sustentação de margens até 2027.
