O Tesouro Nacional realizou nesta quinta-feira (8) a maior oferta de títulos prefixados desde dezembro de 2020: R$ 33,3 bilhões em LTN e NTN-F, com a maior parcela destinada a papéis de 2028 e 2029. No mesmo pregão, as taxas do Tesouro Direto recuaram e renovaram mínimas desde a estreia dos vencimentos mais procurados. O Prefixado 2032 passou de 12,81% para 12,61% ao ano, e o Prefixado com Juros Semestrais 2037 saiu de 12,88% para 12,69%.
Virada no meio da tarde e o quadro completo das taxas
O dia começou na direção oposta. Na abertura, os dois prefixados mais longos marcavam 12,83% e 12,91%, e as mínimas anteriores só haviam sido anotadas no início dos negócios de terça-feira (6), o segundo pregão depois do primeiro turno, em 12,71% e 12,79%. O vencimento de 2029 acompanhou a virada e recuou de 12,47% para 12,33%.
| Título | Fechamento de quarta (7) | Quinta-feira (8) |
|---|---|---|
| Prefixado 2032 | 12,81% | 12,61% |
| Prefixado com Juros Semestrais 2037 | 12,88% | 12,69% |
| Prefixado 2029 | 12,47% | 12,33% |
| IPCA+ 2032 | IPCA + 6,86% | IPCA + 6,71% |
| IPCA+ 2040 | IPCA + 6,67% | IPCA + 6,61% |
| IPCA+ 2050 | IPCA + 6,61% | IPCA + 6,57% |
O leilão: corte de 12,708% na LTN de 2032 e 12,802% na NTN-F de 2037
A maior parte dos R$ 33,3 bilhões saiu nos vencimentos de 2028 e 2029, trecho mais curto da curva. As taxas de corte ficaram em 12,708% ao ano para a LTN de janeiro de 2032 e 12,802% para a NTN-F de 2037. Absorver um volume desse tamanho sem empurrar os juros para cima sinaliza demanda aquecida por prefixados nesses prazos, num momento em que o mercado revê o prêmio exigido para carregar risco fiscal.
Otimismo fiscal na leitura de Goldenstein
Sergio Goldenstein, sócio-fundador da Eytse Estratégia e ex-chefe do mercado aberto do Banco Central, avalia que o recuo das taxas desde o primeiro turno “reflete o maior otimismo com as perspectivas fiscais do próximo governo”. O prêmio de risco embutido nos juros longos segue, assim, sensível à forma como o mercado lê o quadro fiscal à frente.
IPCA+ 2032 na mínima desde fevereiro, longos com alívio menor
Entre os papéis indexados à inflação, o IPCA+ 2032 cedeu de IPCA + 6,86% para IPCA + 6,71%, a menor taxa desde o lançamento do papel, em fevereiro. Nos prazos mais longos a queda foi mais contida: o IPCA+ 2040 marcou IPCA + 6,61%, ante IPCA + 6,67%, e o IPCA+ 2050 ficou em IPCA + 6,57%, vindo de IPCA + 6,61%. Esse último patamar ainda está acima do IPCA + 6,32% anotado na abertura de segunda-feira (5), pregão que registrou o maior recuo de taxas dos prefixados desde 2008.
Petróleo, Treasury de 10 anos e Ibovespa no mesmo dia
Fora do Brasil, o petróleo ditou o ritmo da manhã: o Brent superou US$ 104 o barril depois de relatos de que o presidente Donald Trump e sua equipe de segurança nacional discutiam cenários com uma nova ofensiva militar contra o Irã. À tarde, Trump afirmou que não haverá ataque antes das eleições legislativas de 3 de novembro e que as conversas avançam. O WTI encerrou a US$ 91,49, alta de 3,64%, e cedeu no pregão eletrônico após a fala. O Treasury de 10 anos rondava 5,30% no meio da tarde, enquanto o Ibovespa subia cerca de 1,2%, perto dos 206.800 pontos.
Prefixados na carteira: ganho de marcação e prêmio menor
Taxa em queda significa preço em alta. Quem comprou prefixados antes desse movimento, com juros mais altos, tende a ver ganho de marcação a mercado nas posições avaliadas pelos preços correntes — resultado que só se materializa com a venda antecipada do papel. Para quem ainda não tem exposição, o prêmio oferecido para levar o título até o vencimento é menor do que o vigente no começo da semana, e a folga para absorver uma eventual reversão de humor encolhe na mesma medida. Mínimas renovadas logo após um leilão recorde sugerem que o custo de travar juros hoje já é outro.
O que observar depois do fechamento
Sai após o encerramento dos negócios a primeira pesquisa Datafolha do segundo turno, que mede a disputa entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL). O resultado tende a orientar a abertura desta sexta-feira e a leitura do prêmio de risco embutido nos vencimentos longos do Tesouro Direto.
