Principais pontos

  • O prazo médio recomendado para os prefixados caiu de quatro para três anos.
  • Os títulos pós-fixados continuam sendo a maior fatia do perfil conservador, com 71,5%.
  • As carteiras preveem retorno de IPCA mais 6% no perfil conservador, IPCA mais 7% no moderado e IPCA mais 8% no sofisticado.

A XP ampliou a fatia de títulos prefixados (papéis com taxa de juro definida no momento da aplicação) nas carteiras recomendadas de setembro e enxugou o crédito privado pós-fixado. O prazo médio recomendado para os prefixados caiu de quatro para três anos.

Segundo a fonte, o movimento é descrito como um ajuste marginal dentro da renda fixa doméstica, que segue como a principal posição dos portfólios. A leitura do Ativo Virtual é que o recado para o investidor pessoa física está menos no tamanho da mudança e mais no seu sentido: capturar uma queda futura das taxas além do que o mercado já precifica, sem esticar o risco para vencimentos longos em ano pré-eleitoral.

Por que três anos viraram o ponto preferido na curva

A aposta central da casa envolve a Selic (taxa básica de juros da economia brasileira). A avaliação relatada é que a atividade mais fraca e os índices recentes de inflação, medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, a inflação oficial), podem abrir espaço para um corte maior do que o embutido nos preços atuais.

Se as taxas negociadas para prazos futuros recuarem, papéis comprados hoje tendem a se valorizar no mercado secundário (ambiente onde investidores revendem títulos antes do vencimento). Na prática, quem carrega o papel pode obter um ganho adicional na revenda, além do juro contratado.

O time de alocação liderado pelo CIO (diretor de investimentos) Artur Wichmann afirma, em paráfrase do relatório, que a elevação não ignora perigos inflacionários, fiscais e eleitorais. O argumento é que o prêmio existente na curva curta (trecho inicial da curva de juros, estrutura que mostra as taxas esperadas para diferentes prazos) entrega uma combinação mais interessante entre risco e retorno.

A preferência por vencimentos mais curtos reflete a tentativa de capturar o efeito direto da política monetária com menor exposição a solavancos na percepção de risco.

A cautela mira exatamente os vencimentos mais distantes, mais sensíveis a revisões na percepção de risco. A proximidade das eleições e a baixa visibilidade sobre as contas públicas sustentam, na visão da corretora, a opção por papéis mais curtos.

Onde o dinheiro continua: pós-fixado ainda ancora o conservador

Mesmo com o reforço nos prefixados, os títulos pós-fixados (papéis cuja remuneração acompanha indicadores como Selic e CDI) seguem como o eixo das carteiras, sobretudo na mais defensiva.

Na carteira conservadora, os prefixados respondem por 6% do total. Na moderada, por 11%, e na sofisticada, por 9,5%. Os títulos pós-fixados continuam sendo a maior fatia do perfil conservador, com 71,5%, dos quais 20 pontos percentuais correspondem à reserva mínima em caixa. Nos perfis moderado e sofisticado, a classe responde por 34,5% e 14%, respectivamente.

PerfilPrefixadosPós-fixados
Conservador6%71,5%
Moderado11%34,5%
Sofisticado9,5%14%

Nos papéis atrelados ao IPCA, a XP manteve posição abaixo do neutro no curto prazo. A justificativa atribuída é a maior probabilidade de inflação mais contida em um ambiente de atividade em desaceleração. A alocação vai de 12,5% na carteira conservadora a 27,5% na sofisticada, com prazo médio recomendado próximo de seis anos.

A opção por prazos mais longos nessa classe procura unir a remuneração atual dos juros reais ao potencial de valorização dos papéis caso as taxas cedam, especialmente em um quadro de melhora nas perspectivas para as contas públicas.

Crédito seletivo e Bolsa contida completam o desenho

Do outro lado do ajuste está o crédito privado (títulos de dívida emitidos por empresas, como debêntures, CRIs e CRAs). A XP relata maior seletividade, dando sequência a uma postura já prudente, diante do aumento no número de recuperações judiciais, da piora nas avaliações de risco das empresas e de condições de financiamento mais restritivas.

Ainda assim, a corretora afasta a interpretação de um problema generalizado. Os balanços não apontam, segundo a casa, um quadro de estresse no sistema nem uma deterioração ampla da liquidez das companhias. A ressalva está na remuneração: os prêmios oferecidos hoje podem não compensar de forma adequada os riscos assumidos.


Na renda variável doméstica, a XP segue com posição abaixo da referência de longo prazo, com 5% na carteira moderada e 15% na sofisticada. A carteira conservadora não tem exposição à classe, decisão justificada pelas incertezas fiscais e eleitorais, que reduzem a visibilidade.

Por outro lado, a casa reconhece o suporte vindo dos termos de troca favoráveis (relação entre preços de exportações e importações, impulsionada pela alta das commodities) e de avaliações consideradas atrativas em vários segmentos da bolsa.

As carteiras preveem retorno de IPCA mais 6% no perfil conservador, IPCA mais 7% no moderado e IPCA mais 8% no sofisticado, com metas de oscilação de 1,25%, 4% e 8%, respectivamente. A corretora recomenda ainda que ao menos 15% do patrimônio esteja em uma carteira global em dólar, complementar à alocação brasileira.