Principais pontos

  • O Tesouro Prefixado 2029 caiu de 13,98% para 13,86%, o menor patamar desde maio.
  • Na quarta-feira, o Ibovespa subiu 3,05%, aos 185.205 pontos, enquanto o dólar recuou para R$ 5,10.
  • Os mercados atribuem cerca de 60% de probabilidade a uma alta de juros pelo Fed neste mês, ante menos de 40% uma semana atrás.

As taxas dos títulos públicos negociados no Tesouro Direto operavam em queda generalizada às 13h01 desta quinta-feira (3), segundo a fonte, com o Tesouro Prefixado 2032 — papel com juro fixo definido no momento da compra — passando de 14,37% para 14,23%, em recuo de 14 pontos-base (centésimos de ponto percentual).

A leitura é direta para quem monitora custo de oportunidade na renda fixa: quando os juros de mercado caem, o preço dos papéis já emitidos tende a subir, e quem passa a aplicar trava remunerações menores que as vistas horas antes. O Tesouro Prefixado 2029 caiu de 13,98% para 13,86%, o menor patamar desde maio. O dado central do pregão foi 13,86%, o menor patamar desde maio para o prefixado mais curto, um sinal de reprecificação concentrada na parte inicial da curva de juros (relação entre prazo e retorno exigido).

Prefixado mais barato aperta a conta de quem trava taxa agora

A retirada de prêmios atingiu toda a extensão da curva, mas perdeu intensidade nos papéis ligados à inflação. O Tesouro Prefixado com Juros Semestrais 2037 — versão que paga cupons semestrais ao investidor — foi de 14,42% para 14,30%, com baixa de 12 pontos-base, a mesma variação do Prefixado 2029.

Nos títulos atrelados ao IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o movimento foi mais moderado, segundo a fonte. O Tesouro IPCA+ 2050 e o Tesouro IPCA+ com Juros Semestrais 2037 caíram 6 pontos-base, para 7,26% e 7,61%, respectivamente, enquanto o Tesouro IPCA+ 2032 recuou de 7,98% para 7,93%.

Título no Tesouro DiretoTaxa antes da aberturaTaxa às 13hVariação
Prefixado 203214,37%14,23%-14 pontos-base
Prefixado 202913,98%13,86%-12 pontos-base
Prefixado com Juros Semestrais 203714,42%14,30%-12 pontos-base
IPCA+ 2050-7,26%-6 pontos-base
IPCA+ com Juros Semestrais 2037-7,61%-6 pontos-base
IPCA+ 20327,98%7,93%-5 pontos-base

Por que a atividade fraca reforça a aposta em mais cortes da Selic

Gustavo Danilo Guimarães, especialista em renda fixa ouvido pela fonte, atribui o fechamento das taxas a fundamento doméstico. Desaceleração da atividade econômica, arrefecimento da inflação, um Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) mais fraco e perda de força da indústria reforçam, na avaliação dele, a percepção de que a política monetária vem cumprindo seu papel, o que abre espaço para continuidade dos cortes da Selic (taxa básica de juros da economia).

As pesquisas mais recentes mostram um equilíbrio maior na disputa eleitoral. Isso tende a incorporar ainda mais a precificação dos ativos para os vencimentos de 2027, 2028 como um todo.

O segundo vetor, ainda segundo Guimarães, é político. As pesquisas recentes indicariam equilíbrio maior na disputa eleitoral, o que tende a incorporar a precificação dos ativos para os vencimentos de 2027 e 2028. Na visão dele, a eleição vem retirando prêmio sobretudo da parte curta da curva, embora o resultado em si não represente necessariamente impacto significativo.

O movimento ocorreu no dia seguinte à reação positiva do mercado à pesquisa Quaest, que mostrou Lula e Flávio Bolsonaro tecnicamente empatados no segundo turno. Na quarta-feira, o Ibovespa subiu 3,05%, aos 185.205 pontos, enquanto o dólar recuou para R$ 5,10. O Ibovespa é o principal índice de ações da B3 e o patamar alcançado foi descrito pela fonte como o maior nível em quase quatro meses.

Exterior ajuda nos Treasuries, mas Brent e Fed mantêm atenção ligada

No exterior, o quadro também colaborou, segundo a fonte. Os rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro dos Estados Unidos) de dez anos recuavam e o dólar operava de lado, ainda que o Brent — referência internacional do petróleo — subisse mais de 1% e mantivesse a pressão inflacionária ligada às tensões entre Estados Unidos e Irã.

Os mercados atribuem cerca de 60% de probabilidade a uma alta de juros pelo Fed neste mês, ante menos de 40% uma semana atrás. O Fed é o banco central americano, responsável pela definição dos juros nos Estados Unidos.

No Brasil, o PMI (Índice de Gerentes de Compras) de serviços voltou ao campo de expansão em agosto, ao subir de 49,7 para 50,5, embora a atividade do setor privado como um todo siga em contração por causa da indústria. A marca de 50 pontos separa contração de expansão nesse indicador.