Isenção de IR sustenta as maiores taxas da carteira
A XP selecionou, para outubro, uma carteira de renda fixa em que o benefício fiscal funciona como fio condutor: os papéis livres de Imposto de Renda concentram as remunerações mais altas da lista. O maior retorno é o da debênture da Origem Energia (ORIG21), que vence em dezembro de 2035 e paga 16,50% ao ano prefixados, sem IR. Na ponta atrelada à inflação, a debênture da São Martinho (SMTO24), com vencimento em janeiro de 2037, aparece com IPCA + 7,95% ao ano, também isenta. São taxas indicativas do relatório, sujeitas a variação conforme o mercado e a oferta dos papéis.
A resposta para quem tenta medir o que a isenção entrega de fato está nos pós-fixados. Pelas contas da corretora, a LCA da Asa SCFI, a 90% do CDI, equivale a cerca de 103% do CDI em uma aplicação tributada; o CRI da Multiplan, a 96,5% do CDI, chega a aproximadamente 110,6% do CDI nas mesmas condições. É a equivalência tributária: sem o desconto de IR, um percentual nominal menor pode render mais, no bolso, do que um título de taxa maior que sofre imposto.
Esse ajuste vale para a lista inteira. Ao lado de um título tributado, o papel isento carrega uma vantagem que a taxa divulgada não mostra: o retorno chega ao investidor sem o desconto que apareceria no resgate.
Prefixados isentos: maior retorno, maior risco
Quem escolhe um prefixado trava a taxa já no momento da aplicação. A debênture da Origem Energia lidera o retorno nominal da lista, mas concentra a pontuação de risco mais alta da tabela — por isso a remuneração precisa ser lida junto da capacidade de pagamento da emissora, do prazo e das condições de saída antecipada.
Na mesma faixa isenta, a debênture da Coelba (CEEBD1), com vencimento em novembro de 2032, aparece com 13,45% ao ano. Já o CDB do Paraná Banco, que vence em outubro de 2029, oferece 14,50% ao ano, mas sofre cobrança de IR — o que reduz o ganho efetivo na comparação com os papéis isentos. Nesse bloco, a XP prioriza prazos curtos e intermediários, com duration perto de três anos. Duration é a medida do prazo médio de recebimento dos pagamentos de um título e da sua sensibilidade às oscilações dos juros.
Caso as taxas de mercado caiam, esses papéis podem se valorizar antes do vencimento. O inverso também vale: juros em alta derrubam o preço e diminuem o valor recebido em uma saída antecipada.
IPCA+: papéis isentos pagam prêmio sobre o Tesouro
Para preservar poder de compra, a seleção reúne títulos que entregam a variação do IPCA somada a uma taxa fixa. Depois da São Martinho, a Raposo Castelo (CERT11) aparece com IPCA + 7,40% e a Vibra (VBBRA0), com IPCA + 7,15%. Completam o grupo a Eletrobras — Axia (AXIA18), com IPCA + 7,10%, e a Sabesp (SBSPK8), com IPCA + 6,40%.
A comparação com o Tesouro ajuda a dimensionar o prêmio. As NTN-B, que não têm isenção, aparecem com IPCA + 7,06% no vencimento em agosto de 2032, e a NTN-B Principal, com IPCA + 6,86% em maio de 2035. Ou seja, debêntures privadas isentas da lista pagam acima dos títulos públicos atrelados à inflação. A XP avalia que essas taxas reais seguem atrativas e que há potencial de ganho caso os juros de mercado recuem, em especial com melhora das perspectivas fiscais.
Nos papéis isentos, prêmios de crédito mais largos — o adicional que a remuneração traz frente aos títulos de referência — abriram mais espaço. Ainda assim, a corretora afirma manter critério rigoroso na escolha de emissores e setores.
Pós-fixados: o corte da Selic não esvazia a fila
A carteira também traz opções ligadas aos juros. A debênture ER Ativo J&F (VERTL6), com CDI + 1,75% e vencimento em fevereiro de 2028, não tem isenção, assim como a LFT (Tesouro Selic), com Selic + 0,00% e vencimento em março de 2029. Entre os isentos, ficam a LCA da Asa SCFI (90% do CDI, outubro de 2029) e o CRI da Multiplan (96,5% do CDI, agosto de 2034).
Mesmo com os cortes já feitos na Selic, a XP enxerga um patamar de juros capaz de manter atrativa a renda oferecida pelos pós-fixados. No crédito privado, a preferência recai sobre emissores de qualidade superior, em um momento de prêmios menores em parte do mercado.
O que observar antes de usar a tabela
As taxas reunidas pela XP são referências do relatório datado de 30 de setembro e não configuram ofertas garantidas. CRIs e debêntures ficam fora da cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), e a saída antes do vencimento depende do que o mercado oferecer naquele momento.
O relatório também registra que a corretora ampliou de forma gradual a exposição a prefixados no mês anterior, movimento apoiado na perda de ritmo da economia e no avanço da desinflação, fatores que aumentaram a chance de novos cortes na Selic. Isso ajuda a explicar por que o bloco prefixado aparece com duration curta e por que os isentos ganharam peso na seleção.
Para o investidor pessoa física, a consequência prática é que a comparação entre papéis exige ajuste pelo IR. Um CDB com taxa nominal acima de uma debênture isenta pode entregar menos depois do imposto — e é justamente em prazos mais longos que essa diferença tende a se tornar mais visível.
A carteira de outubro em números
| Título / Emissor | Indexador | Rentabilidade indicativa | Vencimento | Isento de IR? |
|---|---|---|---|---|
| LFT (Tesouro Selic) | Pós-fixado | Selic + 0,00% | 01/03/2029 | Não |
| Debênture ER Ativo J&F (VERTL6) | Pós-fixado | CDI + 1,75% | 21/02/2028 | Não |
| LCA Asa SCFI | Pós-fixado | 90% do CDI | 01/10/2029 | Sim |
| CRI Multiplan (26H2820486) | Pós-fixado | 96,5% do CDI | 15/08/2034 | Sim |
| NTN-F | Prefixado | 13,12% ao ano | 01/01/2029 | Não |
| CDB Paraná Banco | Prefixado | 14,50% ao ano | 01/10/2029 | Não |
| Debênture Origem Energia (ORIG21) | Prefixado | 16,50% ao ano | 17/12/2035 | Sim |
| Debênture Coelba (CEEBD1) | Prefixado | 13,45% ao ano | 16/11/2032 | Sim |
| NTN-B | Inflação | IPCA + 7,06% ao ano | 15/08/2032 | Não |
| NTN-B Principal | Inflação | IPCA + 6,86% ao ano | 15/05/2035 | Não |
| Debênture Raposo Castelo (CERT11) | Inflação | IPCA + 7,40% ao ano | 15/03/2029 | Sim |
| Debênture Eletrobras — Axia (AXIA18) | Inflação | IPCA + 7,10% ao ano | 15/02/2033 | Sim |
| Debênture Vibra (VBBRA0) | Inflação | IPCA + 7,15% ao ano | 17/03/2036 | Sim |
| Debênture São Martinho (SMTO24) | Inflação | IPCA + 7,95% ao ano | 15/01/2037 | Sim |
| Debênture Sabesp (SBSPK8) | Inflação | IPCA + 6,40% ao ano | 15/02/2041 | Sim |
