O Safra fez uma única alteração na carteira de dividendos que indica para outubro: Cury (CURY3) deixa a seleção e B3 (B3SA3) assume a vaga, mantendo o total em dez ações. O relatório da casa justifica a entrada com um carrego projetado de 7,8% para 2027 e com o desconto do papel frente à média de múltiplo dos últimos cinco anos.

A carteira de setembro ficou atrás do IDIV e do Ibovespa

O desempenho do mês anterior serve de termômetro para quem acompanha a estratégia. Em setembro, o portfólio de dividendos do Safra avançou 2,30%, enquanto o Índice Dividendos (IDIV) — que reúne as ações mais generosas em proventos da bolsa — subiu 4,45% e o Ibovespa (IBOV) ganhou 5,03%. A distância de quase três pontos percentuais para o índice da bolsa ilustra um padrão conhecido: em meses de apetite por risco, carteiras montadas para renda tendem a acompanhar o mercado de longe.

O IDIV funciona como parâmetro direto dessa abordagem, porque agrupa papéis selecionados pelo histórico de distribuição de proventos, enquanto o Ibovespa mede a direção geral da bolsa. Ficar atrás dos dois em um único mês não invalida a proposta, mas escancara onde mora o custo de oportunidade de priorizar fluxo de caixa.

Por que Cury saiu e B3 entrou

Na ponta vendida, pesaram a ausência de gatilhos de curto prazo e o cenário da construção voltada à baixa renda, pressionado pelo orçamento das famílias. Os analistas não descartam a tese, mas preferiram ceder espaço a outros nomes na formação do mês.

Na ponta comprada, o argumento combina preço e sazonalidade. A B3 é negociada abaixo da média histórica de múltiplo, e a casa projeta um quarto trimestre mais movimentado — comportamento que costuma se repetir no fim do ano e que beneficia empresas cuja receita cresce junto com o giro negociado.

As dez ações da seleção de outubro

EmpresaTicker
PetrobrasPETR4
B3B3SA3
BradsaúdeSAUD3
Caixa SeguridadeCXSE3
ItaúsaITSA4
AllosALOS3
ValeVALE3
TaesaTAEE11
CPFL EnergiaCPFE3
CopelCPLE3

O que muda no risco carregado

A troca desloca a natureza da exposição. Sai uma empresa dependente do consumo e do crédito das famílias de renda menor; entra uma companhia cujo faturamento acompanha o volume de negócios na bolsa. Esse perfil age como alavanca em trimestres de liquidez alta e como fonte de pressão quando o giro esfria — ou seja, o resultado da carteira passa a depender mais do humor do mercado e menos de um setor isolado da economia.

Para quem acompanha a estratégia, as variáveis a observar são duas ao longo dos últimos três meses do ano: o ritmo de negociação na bolsa, que sustenta o caso de B3, e a recomposição do orçamento das famílias, que sustenta ou enfraquece a tese da construção de baixa renda deixada de fora.

O carrego projetado de 7,8% para 2027 e a lista concentrada em setores de fluxo previsível — energia, saneamento, bancos e petróleo — explicam por que a abordagem segue sendo monitorada por investidores que priorizam proventos. A contrapartida aparece nos números: a busca por renda tende a custar desempenho relativo em janelas de alta da bolsa, como a de setembro.