Principais pontos
- O movimento doméstico gera um contraste direto com o cenário externo.
- O dólar futuro registra queda de 0,41%, sendo negociado a R$ 5,184, ao mesmo tempo em que o Ibovespa futuro avança 0,30%, chegando aos 171.730 pontos.
- Essa tensão elevou o petróleo Brent para perto de US$ 95 por barril, o maior patamar em um mês.
Conforme apurado pelo mercado nesta sexta-feira (21), as taxas dos títulos públicos federais recuam com intensidade, acompanhando o alívio do dólar e a recuperação das praças americanas. O destaque vai para o Tesouro IPCA+ 2032, que rompeu a barreira dos 8% e atingiu 7,97% ao ano, a menor marca desde o dia 2 de junho.
O descolamento da curva global
O movimento doméstico gera um contraste direto com o cenário externo. Os rendimentos dos Treasuries (títulos públicos do governo dos Estados Unidos) voltaram a subir após uma breve trégua na quarta-feira, refletindo receios globais com inflação e contas públicas. Enquanto as ações globais caminham para a pior semana desde meados de julho, o Brasil encontra refúgio na combinação de ativos locais.
O cenário nacional é sustentado pelo câmbio e pela renda variável. O dólar futuro registra queda de 0,41%, sendo negociado a R$ 5,184, ao mesmo tempo em que o Ibovespa futuro avança 0,30%, chegando aos 171.730 pontos. Os futuros de Nova York acompanham o otimismo, com Dow Jones em alta de 0,51%, S&P 500 avançando 0,43% e Nasdaq subindo 0,70%. Esse ambiente de apetite ao risco local permite que a curva de juros longa comprima seu prêmio de risco, independentemente do ruído fiscal nos Estados Unidos.
Raio-X das taxas do Tesouro Direto
A queda foi generalizada em toda a curva prefixada e atrelada à inflação. Títulos com Juros Semestrais (que realizam o pagamento de cupons de juros a cada seis meses) também acompanharam o movimento de alívio. Confira as principais taxas apuradas às 9h24:
| Título | Taxa Anterior | Taxa Atual |
|---|---|---|
| IPCA+ 2032 | 8,05% | 7,97% |
| Prefixado 2032 | 14,74% | 14,66% |
| Prefixado Juros Semestrais 2037 | 14,76% | 14,69% |
| Prefixado 2029 | 14,29% | 14,22% |
| IPCA+ 2040 | 7,54% | 7,47% |
| IPCA+ Juros Semestrais 2060 | 7,39% | 7,34% |
| IPCA+ 2050 | 7,30% | 7,27% |
O fator câmbio e o risco geopolítico
Além do fluxo interno, o mercado monitora a nova pesquisa Datafolha para a presidência, encomendada pela TV Globo. No front internacional, a atenção se volta ao Oriente Médio. Scott Bessent, secretário do Tesouro dos EUA, sinalizou sanções severas ao Irã, reduzindo as expectativas de paz no Estreito de Ormuz.
Essa tensão elevou o petróleo Brent para perto de US$ 95 por barril, o maior patamar em um mês. Embora o ativo corrija tecnicamente nesta sexta após cinco altas seguidas, o acumulado semanal se aproxima de 6%, mantendo o radar de inflação global ligado e evidenciando que o alívio brasileiro é um fenômeno essencialmente doméstico.
