A Simpar S.A. (B3: SIMH3) divulgou nesta segunda-feira (27) a prévia dos resultados do segundo trimestre de 2026, destacando um trimestre marcado por crescimento orgânico, desalavancagem acelerada e monetização estratégica de ativos. A holding de participações reportou receita líquida de serviços recorde, redução de 54% no endividamento da controladora e a venda da CS Porto Aratu por R$ 1,8 bilhão, reforçando seu modelo de ciclo de investimento e fortalecendo o balanço patrimonial para o mercado.
Receita recorde e eficiência na base de ativos
A receita líquida de serviços atingiu R$ 9,4 bilhões no 2T26, expansão de 13,2% na comparação anual. O crescimento reflete a maturação de contratos firmados nos últimos doze meses e a recomposição do equilíbrio econômico de projetos anteriores, com foco em novas contratações com precificação adequada. Na linha de eficiência, o indicador EBITDA sobre Capex Líquido (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização dividido por investimentos líquidos) alcançou 1,9x, melhoria de 0,5x frente ao 2T25, evidenciando melhor retorno sobre os gastos de capital e uma gestão mais assertiva da carteira de ativos.
Desalavancagem histórica e reforço de capital
A disciplina financeira reduziu a alavancagem consolidada para 2,8x (Dívida Líquida/EBITDA), o menor patamar desde o IPO em 2010. A queda de 0,8 ponto na base anual foi impulsionada por ganhos de eficiência operacional, redução na necessidade de novos investimentos e pela conclusão de captações estratégicas. Especificamente na Simpar Holding, a dívida líquida recuou para R$ 1,4 bilhão (contra R$ 3,0 bilhões no 2T25), queda de 54%. Em cenário pro forma, incluindo os recursos da venda da CS Porto Aratu, o endividamento cairia para R$ 1,0 bilhão (-66% vs. 1T26).
O reforço de capital veio da conclusão de aumentos na Simpar, Movida (B3: MOVI3) e VAMOS (B3: VAMO3), ancorados pela JSP Holding e pela BNDESPAR, que somaram R$ 3,0 bilhões. Paralelamente, a holding executou recompras de R$ 250 milhões de suas dívidas no mercado secundário, cumprindo 25% da meta de abater R$ 1,0 bilhão em dívida bruta e priorizando a limpeza do passivo.
Monetização da CS Porto Aratu e ciclo de investimentos
A Simpar anunciou a venda de 100% da CS Porto Aratu por R$ 1,8 bilhão em enterprise value. A transação gerou múltiplo de 5,8x sobre o capital investido (MOIC) em média de 3,6 anos, validando a tese de compra, desenvolvimento e venda de ativos de infraestrutura. A operação segue a mesma lógica aplicada na Ciclus Rio e Ciclus Amazônia, reforçando o pipeline de desinvestimentos e a capacidade da gestora em capturar valor intrínseco de ativos não listados. O fechamento está sujeito a aprovações regulatórias, incluindo CADE e autorização do poder concedente.
Exposição sintética e marcação a mercado (MTM)
Como parte do fortalecimento de capital, a Simpar contratou derivativos com liquidação exclusivamente financeira para obter exposição sintética às ações de sua própria emissão e de suas controladas: JSL (B3: JSLG3), MOVI3, VAMO3 e AUTOMOB. O instrumento visa aumentar a participação econômica da holding sem necessidade de aporte imediato em caixa. A contagem é feita por marcação a mercado (MTM), reconhecida no resultado financeiro e sem impacto de caixa até o vencimento em 6 de setembro de 2027. No 2T26, a operação registrou MTM negativo de R$ 231,8 milhões (R$ 153,0 milhões líquidos de impostos), variação contábil que pode flutuar nos próximos trimestres conforme o mercado.
O que muda para investidores
- Perfil de risco mais conservador: Alavancagem em 2,8x e queda acentuada na dívida da holding criam uma rede de proteção maior contra volatilidade de juros e custos de captação.
- Prioridade em caixa vs. expansão: A recompra de R$ 250 milhões de dívida sinaliza foco em saneamento do balanço antes de novas aquisições de grande porte, o que tende a reduzir o prêmio de risco da companhia.
- Atenção ao MTM de derivativos: As variações na marcação a mercado da operação sintética podem distorcer temporariamente o lucro contábil, mas não afetam a geração de caixa operacional. Investidores devem separar o resultado operacional do efeito contábil financeiro.
- Catalisadores de liquidez: O desfecho regulatório da venda da CS Porto Aratu injetará recursos adicionais, enquanto a maturação dos contratos de serviços deve sustentar a geração recorrente de EBITDA no segundo semestre.
Nota: Os dados são preliminares, não auditados e sujeitos a revisão até a divulgação oficial. Para fins de comparabilidade, as receitas do 2T25 e 1T26 foram reclassificadas como operações descontinuadas (Ciclus Amazônia e CS Porto Aratu).
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