A Standard Chartered anunciou nesta quarta-feira, 14 de outubro, a ampliação de seus serviços de negociação à vista de criptomoedas para investidores profissionais nos Emirados Árabes Unidos (EAU). Bitcoin (BTC) e Ether (ETH) passam a ser negociados dentro de contas bancárias já existentes de clientes de alto patrimônio do banco sediado em Londres. O ponto central da oferta: patrimônio líquido mínimo de 4 milhões de dirhams, o equivalente a cerca de US$ 1,1 milhão, com a residência principal fora do cálculo.
Requisitos para operar
Dois critérios precisam ser cumpridos em conjunto. Além do piso de 4 milhões de dirhams (aproximadamente US$ 1,1 milhão) em ativos líquidos, o investidor precisa comprovar experiência em investimentos ou contar com representação de entidade licenciada.
| Critério | Exigência |
|---|---|
| Patrimônio líquido | 4 milhões de dirhams (≈ US$ 1,1 milhão) em ativos líquidos |
| Exclusão | Residência principal fica fora do cálculo |
| Qualificação | Experiência em investimentos ou representação por entidade licenciada |
| Ativos | Bitcoin (BTC) e Ether (ETH) |
Do institucional ao private
A medida chega pouco mais de um mês após o banco ter aberto, no início de setembro, serviços de cripto nos Emirados para o público institucional. Agora, a aposta se estende a pessoas físicas de patrimônio elevado, dentro da estrutura bancária que elas já utilizam.
Samir Subberwal, responsável global por soluções de patrimônio na Standard Chartered, avalia que os ativos digitais ganham espaço nas conversas tradicionais sobre patrimônio, com clientes valorizando a proteção de operar via instituição sob regulação.
Disputa regional se intensifica
A oferta da Standard Chartered não é um caso isolado. Na segunda-feira, a Payward, controladora da exchange Kraken, recebeu aprovação da VARA — autoridade reguladora de ativos virtuais em Dubai — para prestar serviços de cripto por meio de sua entidade local. Em julho, o neobanco Revolut obteve aprovação em princípio da mesma autoridade para atuar com serviços ligados a cripto.
Os dois movimentos reforçam a posição dos Emirados como polo de atração de empresas de ativos digitais, amparado por estruturas regulatórias dedicadas ao setor.
Leitura para o investidor
A entrada de BTC e ETH no ambiente bancário tradicional dos Emirados confirma uma tendência global de aproximação entre finanças reguladas e ativos digitais. Para quem investe, o caso é revelador em dois aspectos. Primeiro, porque a oferta avança em camadas: começou pelo institucional e chega agora ao private. Segundo, porque os critérios de elegibilidade seguem restritivos, mantendo o produto distante do varejo amplo.
O piso de 4 milhões de dirhams em ativos líquidos funciona como filtro e mostra que a estratégia do banco prioriza clientes com maior capacidade de absorção de risco. A adoção mais ampla depende de fatores como clareza regulatória, infraestrutura de custódia e apetite institucional — variáveis que seguem em evolução em diferentes jurisdições, incluindo o mercado brasileiro.
