A Strategy fechou setembro com 848.000 bitcoins na tesouraria, mas o dinheiro movimentado nas últimas semanas foi parar em outro lugar. Entre 28 de setembro e 4 de outubro, a companhia presidida por Michael Saylor retirou de circulação aproximadamente 1,77 milhão de papéis preferenciais da série STRC, com desembolso de US$ 176,3 milhões — mais de seis vezes o valor que costuma reservar por semana para adquirir BTC. No mesmo intervalo, saíram 334 bitcoins por US$ 28,7 milhões, conforme formulário 8-K entregue à SEC em 5 de outubro.
Os dois lados do caixa da Strategy
| Movimento | Volume | Valor |
|---|---|---|
| Compra de bitcoin (28/9 a 4/10) | 334 BTC | US$ 28,7 milhões |
| Recompra de ações STRC | cerca de 1,77 milhão de papéis | US$ 176,3 milhões |
| Tesouraria de bitcoin após as operações | 848.000 BTC | — |
| Protocolo do formulário 8-K | 5 de outubro | — |
O 8-K é o documento pelo qual companhias abertas nos Estados Unidos comunicam eventos relevantes à Securities and Exchange Commission (SEC). Já a ação preferencial é uma classe com precedência na distribuição de proventos e no resgate, em geral sem direito a voto — e é exatamente esse papel que a Strategy vem tirando do mercado.
O recado no X e a espera até terça
Saylor usou o X no domingo para mexer com quem esperava um sinal sobre novas aquisições, com a mensagem Sempre há espaço para mais laranja. A comunicação formal, porém, tende a demorar: com os escritórios federais americanos fechados na segunda-feira por causa do feriado do Dia de Colombo, um novo documento protocolado na SEC não deve surgir antes de terça-feira.
De onde veio e para onde foi o capital
O terceiro trimestre deixou pistas sobre o ritmo da companhia. Conforme o analista independente Shanaka Anslem Perera, a Strategy captou US$ 5,41 bilhões com a venda de novas ações ordinárias no período e chegou ao fim de setembro com 1.666 BTC a mais do que tinha no encerramento de junho. A leitura dos documentos entregues à SEC mostra que 9,5% do total captado foi direto para a compra de bitcoins; o resto ficou dividido entre reservas em dólar, caixa, dividendos e a recompra das preferenciais.
O que o bitcoin por ação não revela
A quantidade de BTC por ação responde só parte da pergunta. O caixa disponível entra na conta, e dívida e preferenciais têm precedência sobre a ação ordinária na fila de pagamentos. Levantar capital, portanto, não equivale a converter tudo em bitcoin no mesmo momento: parte dos recursos pode ficar retida para aquisições posteriores, o que desloca a decisão de compra para os meses seguintes.
O que acompanhar
- Novos formulários 8-K com o saldo de BTC atualizado, o primeiro deles possivelmente a partir de terça-feira.
- A fatia da captação que efetivamente migra para bitcoin, hoje em 9,5%.
- O ritmo das recompras de STRC, que consumiram US$ 176,3 milhões em uma única janela de sete dias.
- O estoque de caixa e o volume de dívida, que definem a posição dos acionistas ordinários na estrutura de capital.
O movimento das últimas semanas mostra uma companhia que administra duas frentes ao mesmo tempo: reforça a tesouraria em bitcoin em ritmo menor e, com volume bem maior de recursos, mexe na composição da própria estrutura de capital. Para quem acompanha a ação, os próximos documentos protocolados na SEC devem esclarecer se o caixa retido nos últimos meses volta a ser convertido em BTC.
