O dólar à vista opera em alta nesta terça-feira (18), atingindo R$ 5,208 na venda, impulsionado pela busca por ativos de refúgio em meio à escalada do conflito entre Estados Unidos e Irã. A leitura de mercado aponta para um choque entre duas forças opostas: de um lado, dados econômicos americanos mais fracos reduzem as apostas de aperto monetário; do outro, o risco geopolítico no Oriente Médio mantém a moeda americana valorizada globalmente.

Divergência entre risco geopolítico e política monetária

A precificação dos juros nos Estados Unidos mudou drasticamente nas últimas semanas. Segundo a ferramenta FedWatch (que mede as probabilidades implícitas de movimentos da taxa de juros americana precificadas nos futuros) da CME, os investidores esperam uma probabilidade de 35% de aumento da taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) na reunião de setembro, em comparação com 52% na semana passada.

O movimento reflete um cenário doméstico americano mais fraco, marcado por perdas inesperadas de empregos no mês passado e índices de inflação moderados. Historicamente, esse ambiente costuma afastar a necessidade de aperto monetário, o que teoricamente aliviaria a pressão sobre o câmbio em mercados emergentes como o Brasil.

No entanto, o prêmio de risco global está falando mais alto. O aumento das preocupações com o conflito no Oriente Médio ajudou a conter parte das perdas do dólar local por meio da fuga para ativos de refúgio. O índice DXY (que mede a moeda americana em relação a uma cesta de outras moedas globais) era negociado 0,1% mais alto, a 99,62.

O impacto do petróleo e do Estreito de Ormuz

A tensão bélica altera as perspectivas para as taxas de juros globais ao ameaçar a cadeia de suprimentos de energia. O Estreito de Ormuz, rota crucial para o escoamento de petróleo global, encontra-se praticamente fechado. O conflito, que já dura mais de cinco meses, entrou em uma nova fase após um alto funcionário iraniano afirmar que o país adotará uma postura militar totalmente ofensiva, uma vez que as negociações estagnaram.

Simultaneamente, Washington descartou a possibilidade de estender o acordo de cessar-fogo firmado em junho. Para o investidor brasileiro, o cenário impõe cautela redobrada. A alta do petróleo tende a gerar pressões inflacionárias domésticas, o que historicamente costuma limitar o espaço para movimentos mais agressivos da taxa Selic pelo Banco Central do Brasil. Além disso, a alteração drástica nas perspectivas para as taxas de juros globais impacta diretamente o fluxo de capitais externos, mantendo a volatilidade cambial como um fator de risco constante.

AtivoCotaçãoVariação
Dólar à vista (venda)R$ 5,208+0,13%
Dólar futuro (setembro)R$ 5,224+0,04%
Índice DXY99,62+0,10%