Um múltiplo acima de 31x em uma venda de R$ 39 milhões
A Totvs (TOTS3) fechou a venda da fatia de 80% que detinha na RJ Participações. O comprador é a Distribusion Tecnologia do Brasil, e o negócio foi avaliado em cerca de R$ 39 milhões, conforme comunicado ao mercado. O montante ainda pode passar por ajustes de preço previstos no contrato.
O número que a companhia escolheu para dimensionar a transação não é o ticket, e sim o preço relativo: a operação carrega múltiplo implícito que supera 31 vezes o EV/Ebitda dos 12 meses anteriores. O EV/Ebitda é a métrica que mede o lucro operacional antes de despesas financeiras, tributos, depreciação e amortização em relação ao valor total da empresa, dívida incluída. Em termos práticos, indica quantos anos de geração de caixa operacional o comprador aceitou pagar pelo ativo. Esse parâmetro, mais do que os R$ 39 milhões em si, dá escala à operação dentro do portfólio da Totvs.
Saída conduzida pela subsidiária de grandes empresas
A alienação passou pela Totvs Large Enterprise Tecnologia, braço do grupo, e envolveu a integralidade da fatia detida. A RJ Participações desenvolve software de gestão voltado ao transporte de passageiros — um nicho que deixa de integrar o perímetro de negócios reportado pela Totvs. A venda não altera a operação das demais linhas do grupo, mas reduz o número de frentes sob gestão, movimento coerente com a mensagem de foco que a empresa repete ao mercado.
| Item | Dado |
|---|---|
| Participação alienada | 80% da RJ Participações |
| Valor da transação | cerca de R$ 39 milhões, sujeito a ajustes |
| Múltiplo implícito | acima de 31x o EV/Ebitda (12 meses) |
| Comprador | Distribusion Tecnologia do Brasil |
| Veículo da operação | Totvs Large Enterprise Tecnologia |
| Classificação contábil | disponível para venda desde março de 2025 |
Ativo marcado para venda desde março de 2025
Desde março de 2025, os ativos envolvidos já eram tratados contabilmente como disponíveis para venda. Essa marcação costuma anteceder anúncios de alienação, porque sinaliza que a administração já trabalhava com a hipótese de sair do negócio. Entre a classificação e a conclusão, passaram-se cerca de 19 meses — intervalo que aponta para um processo de venda estruturado, e não para uma decisão tomada às pressas.
Foco em segmentos de Trusted Advisor
A justificativa apresentada pela companhia é estratégica. Em comunicado, a Totvs associa a alienação a um plano que busca dar mais foco às equipes e melhorar a alocação de recursos. O alvo declarado são segmentos nos quais o grupo avalia ser economicamente viável atuar como Trusted Advisor — expressão que a própria empresa traduz como a de consultora de confiança dos clientes.
Caixa de R$ 39 milhões e o critério de alocação
Para quem acompanha TOTS3, o efeito contábil direto tende a ser pequeno. O valor negociado é modesto diante do porte do grupo, e parte dele depende de ajustes contratuais. O peso da notícia recai sobre o método: um ativo classificado para venda há mais de um ano foi alienado por múltiplo acima de 31x, sinal de que a revisão do portfólio segue um critério de retorno.
Chama atenção o fato de a operação ter sido reportada com destaque para o múltiplo. Ao escolher esse parâmetro na comunicação, a companhia direciona a leitura para a qualidade do preço obtido, e não para o volume financeiro, baixo em relação à sua escala.
Desinvestimentos em companhias de software costumam ser lidos pelo mercado como priorização de rentabilidade em vez de crescimento por aquisição. O desfecho dessa percepção depende de como os recursos liberados serão empregados — ponto que o comunicado não detalhou. O avanço do plano de foco anunciado pela companhia fica como item a acompanhar nos próximos balanços.
