O TGAR11 (TG Ativo Real) definiu em R$ 0,70 por cota o rendimento que será creditado em 15 de outubro, apurado sobre o resultado de setembro de 2026. A data-base é 30 de setembro: só recebe quem já estava na base ao término do pregão daquele dia, de modo que as cotas compradas a partir de 1º de outubro ficam fora desta distribuição. Segundo a gestão, o provento é isento de Imposto de Renda para pessoa física, respeitadas as condições legais aplicáveis.
O valor repete o de agosto e, isolado, não altera a tese de quem acompanha o fundo. O que muda a leitura está em outro ponto do relatório da gestão: a distância entre o preço da cota negociada na B3 e o valor patrimonial que ela representa.
Cota a R$ 46,37 contra patrimônio de R$ 106,64
No fechamento de agosto, o patrimônio líquido do TGAR11 somava R$ 2,51 bilhões, com cota patrimonial de R$ 106,64. Na mesma data, o valor de mercado era de cerca de R$ 1,09 bilhão e a cota encerrou cotada a R$ 46,37 — menos da metade do valor patrimonial registrado.
É esse fosso que reposiciona o dividendo anunciado. Em agosto, os R$ 0,70 equivaleram a 1,51% de rendimento mensal, conforme a metodologia do relatório gerencial. Esse percentual é apurado sobre o preço de tela, e não sobre o patrimônio, o que ajuda a explicar por que o rendimento mensal reportado pelo fundo aparece em um patamar tão distante do que a cota patrimonial sugeriria.
Nos 12 meses encerrados em agosto, o total distribuído chegou a R$ 9,73 por cota, com rendimento acumulado de 14,86%. A média mensal embutida nesse acumulado supera o R$ 0,70 repetido agora, o que indica ritmo de proventos inferior ao do período anterior.
127 mil cotistas, 165 ativos e R$ 3,88 milhões de liquidez diária
A base do fundo tinha 127.101 cotistas ao fim de agosto, com liquidez média de R$ 3,88 milhões por dia. A carteira reunia 165 ativos espalhados por 91 municípios de 20 estados — desenho que dilui a dependência de um mercado regional específico, mas não elimina o risco de execução das frentes imobiliárias.
A estratégia é multiestratégia e combina recebíveis, desenvolvimento imobiliário, CRIs, landbank e ativos de bolsa e de renda. CRI, ou Certificado de Recebíveis Imobiliários, é um título de renda fixa lastreado em créditos do setor imobiliário; landbank é o estoque de terrenos mantido para incorporação futura.
Vendas de agosto: urbanismo puxa, Cipasa e Nova Colorado ficam negativas
| Frente | Unidades | VGV bruto | Distratos | VGV líquido |
|---|---|---|---|---|
| Urbanismo | 229 | R$ 31,98 mi | 80 | R$ 21,25 mi |
| Cipasa e Nova Colorado | 63 | R$ 8,75 mi | não informado | -R$ 2,20 mi |
| Incorporação | 57 | R$ 24,86 mi | 29 | R$ 14,19 mi |
Nos projetos de urbanismo, as 229 unidades vendidas em agosto geraram R$ 31,98 milhões em VGV bruto, o valor geral de vendas das unidades comercializadas. Com 80 distratos — cancelamentos de contratos de compra —, o líquido ficou em R$ 21,25 milhões. Nas incorporações, 57 unidades somaram R$ 24,86 milhões brutos e R$ 14,19 milhões após 29 distratos.
O sinal negativo aparece em Cipasa e Nova Colorado: 63 unidades e R$ 8,75 milhões em VGV bruto viraram -R$ 2,20 milhões na conta líquida. O administrador atribuiu o movimento à revisão da carteira e ao distrato de clientes considerados inelegíveis, com as unidades retornando ao estoque para comercialização conforme as condições de mercado e o cronograma de vendas.
CRI da ABL Prime entra por IPCA + 12,68% ao ano
Na frente de crédito, a gestão aplicou R$ 11,99 milhões em uma operação de CRI atrelada à ABL Prime. A remuneração média ponderada do papel é de IPCA + 12,68% ao ano. Os projetos vinculados ficam em Goiás, Rio Grande do Norte e Bahia e somam VGV conjunto de aproximadamente R$ 1,64 bilhão.
A administração classifica o ambiente de crédito imobiliário como desafiador e informa manter postura mais cautelosa na alocação, com prioridade para preservação de liquidez e acompanhamento dos empreendimentos em fase de desligamento bancário — etapa em que o projeto quita a dívida com o banco e passa a operar com recursos próprios ou de novos financiadores. A gestão também afirmou manter reserva de resultados compatível com os riscos e as necessidades do portfólio.
Duas frentes para acompanhar depois do crédito de 15 de outubro
Quem acompanha o TGAR11 tem uma data curta à frente: 15 de outubro, quando os R$ 0,70 chegam às contas dos cotistas posicionados na data-base. Depois disso, a atenção tende a se deslocar para a evolução do VGV líquido das frentes que fecharam agosto no vermelho e para a velocidade com que a gestão recicla o caixa em novas operações de crédito, em um ambiente que ela própria descreve como adverso.
