Stablecoin própria para destravar a liquidação de ativos do mundo real

A plataforma tx colocou no ar a USTX, stablecoin pareada ao dólar destinada à sua carteira e ao marketplace de ações tokenizadas que a empresa pretende operar. O lastro é de US$ 1 por unidade, sustentado por uma estrutura de reservas própria administrada pela Brale, responsável pela emissão, pela guarda dos ativos e pelas operações de criação e resgate. O anúncio foi feito numa terça-feira e divulgado em 20 de outubro de 2026.

A tx atua no segmento de ativos do mundo real, o RWA — sigla em inglês para bens e direitos que existem fora da blockchain, como ações, títulos de dívida e recebíveis, e que ganham uma versão digital negociável.

Para criar USTX é preciso ter USDC, a stablecoin da Circle referenciada ao dólar; o caminho de volta também passa por ela, já que o resgate devolve USDC ao usuário. Os depósitos podem chegar de oito blockchains, entre as quais Ethereum, Solana e Base.

Como a USTX é montada

ItemDetalhe
ParidadeUS$ 1 por token
Emissor e gestor das reservasBrale
Criação e resgateVia USDC
Redes aceitas para depósito8, entre elas Ethereum, Solana e Base
Composição do lastrocaixa, contas bancárias, fundos de mercado monetário do governo e Treasuries de prazo curto
Uso previstocarteira tx e marketplace de ações tokenizadas

Brale, Visa e liquidação programável

Em junho, a Brale relatou um trabalho conjunto com a Visa cujo objetivo é dar mais velocidade e programabilidade à liquidação com stablecoins sobre blockchain, sobretudo em cenários que pedem privacidade, conformidade e controle da operação. A empreitada sinaliza para onde o setor caminha: a stablecoin deixa de ser apenas reserva de valor e passa a funcionar como peça de infraestrutura de pagamento e de compensação.

Por que cada rede e cada corretora quer a sua stablecoin

Redes e casas de negociação têm criado suas próprias moedas atreladas ao dólar, com apoio de empresas especializadas que assumem a emissão e a gestão do lastro. O motivo é operacional. Com um saldo em dólar nativo dentro do ambiente, o usuário compra ativos, fecha negociações e apresenta garantias sem precisar sair da rede. Parte desses provedores ainda divide com os clientes o rendimento obtido com as reservas.

O limite entre recompensa e juros

Pela Lei GENIUS, um emissor não pode remunerar detentores com juros ou rendimento pelo simples ato de manter, usar ou guardar uma stablecoin de pagamento. A carteira da tx distribui recompensas a usuários elegíveis da USTX. A separação entre bonificação de uso e remuneração de saldo é o ponto mais delicado desse arranjo: quanto mais o benefício se parece com rendimento do saldo parado, maior a exposição do emissor às regras.

O que observar antes de usar

  • O marketplace de ações tokenizadas segue como projeto da tx, não como operação em funcionamento; a utilidade imediata da USTX está na carteira da plataforma.
  • A porta de entrada em USDC insere uma stablecoin de terceiro na cadeia de risco, à qual se soma o papel da Brale como emissora.
  • Reservas em caixa, contas bancárias, fundos e Treasuries curtos seguem o padrão do setor, mas a qualidade da gestão depende de auditoria e do regulamento do token.
  • A USTX é instrumento em dólar, sem ligação com o real ou com o sistema de pagamentos brasileiro; o acesso do investidor pessoa física se dá por plataformas que operam criptoativos.

Leitura para o investidor

Criar uma stablecoin própria não é produto de varejo: é infraestrutura. Para quem investe em criptoativos, o dado relevante é que plataformas de RWA estão verticalizando a camada de liquidação — o que reduz atrito para negociar ativos tokenizados, mas concentra no emissor as funções de custódia, conformidade e resgate. Em estruturas assim, o risco de contraparte do emissor entra na decisão com o mesmo peso do ativo que se pretende comprar.