O UBS encerrou o terceiro trimestre com lucro líquido de US$ 2,69 bilhões, alta de 8% na comparação anual, e encurtou o prazo para devolver capital: a recompra de US$ 3 bilhões em ações deve ser concluída até fevereiro, e não em meados de 2027, como o banco havia sinalizado antes. Somente no trimestre, foram US$ 1,8 bilhão em papéis readquiridos.

A aceleração carrega um preço regulatório embutido. O volume e o ritmo das recompras estão atrelados ao desfecho da reforma das regras bancárias da Suíça — discussão que ganhou corpo depois de o Credit Suisse quebrar em 2023 e ser absorvido em caráter de emergência pelo UBS, em operação conduzida pelo governo. A recompra, nesse arranjo, funciona como termômetro: quanto mais exigente for o novo arcabouço de capital, menor a folga para devolver dinheiro a quem detém a ação.

Lucro de US$ 2,69 bi cresce 8% e não supera o consenso

O resultado veio praticamente em linha com o que o mercado projetava. O consenso compilado pela própria companhia apontava US$ 2,71 bilhões. Na base do lucro antes dos impostos subjacente, o UBS deixou de superar as estimativas pela primeira vez em mais de dois anos, segundo análise do Bank Vontobel.

“No geral, um conjunto sólido de resultados, embora o foco continue sendo as implicações comerciais decorrentes das novas regras de capital suíças”, afirmou o Citi.

IndicadorTerceiro trimestre
Lucro líquidoUS$ 2,69 bi (+8% em um ano)
Consenso da companhiaUS$ 2,71 bi
Recompra executada no trimestreUS$ 1,8 bi
Programa total de recompraUS$ 3 bi, conclusão até fevereiro
Novos ativos líquidosUS$ 55 bi
Entradas na ÁsiaUS$ 18 bi
Entradas nas AméricasUS$ 17 bi
Índice custo/receita72,3% (ante 77% um ano antes)
Economia de custos até o fim de 2026cerca de US$ 13,7 bi

US$ 55 bi em novos ativos, com Ásia e Américas na frente

O motor comercial do trimestre foi a gestão de patrimônio global, que atraiu US$ 55 bilhões em novos ativos líquidos. A Ásia respondeu por US$ 18 bilhões desse fluxo; as Américas, por US$ 17 bilhões. A rentabilidade da operação americana também melhorou, com a margem de lucro antes de impostos avançando mais de 2 pontos percentuais, segundo o banco.

Credit Suisse: economia revisada para US$ 13,7 bi e 1.500 vagas a menos

A absorção do antigo rival deve ser concluída até o fim do ano. A economia acumulada de custos projetada para o fim de 2026 foi revisada de cerca de US$ 13,5 bilhões para aproximadamente US$ 13,7 bilhões. O quadro de funcionários encolheu quase 1.500 posições de tempo integral no trimestre, à medida que a integração avançou, e o índice custo/receita recuou para 72,3%, contra 77% no mesmo período do ano anterior — patamar ainda elevado para essa métrica, embora inferior ao de doze meses atrás.

Na frente tecnológica, os funcionários já operam mais de 12.700 agentes de IA, e a instituição segue investindo nessa área, conforme informou o próprio UBS.

HSBC, Deutsche Bank e BNP Paribas: a temporada europeia em curso

Os resultados do UBS abrem uma semana carregada para o setor na Europa. Deutsche Bank e BNP Paribas divulgam seus números, e o mercado observa se o ritmo de lucros recordes recentes se sustenta. Na terça-feira, o HSBC esfriou o ânimo: o crescimento de receita ficou abaixo do esperado pelos investidores e as ações do banco mais valioso da Europa recuaram.

O próprio UBS afirmou que os investidores seguem cautelosos diante da volatilidade macroeconômica, das tensões geopolíticas e da incerteza política.

Para quem acompanha o setor financeiro — inclusive os bancos brasileiros, cuja agenda gira em torno de capital, inadimplência e custo de captação —, o balanço do UBS oferece uma pista de método: a capacidade de devolver capital tende a funcionar como sinal de saúde mais relevante do que o lucro de um trimestre isolado, sobretudo quando o marco regulatório do país-sede está em revisão. A antecipação da recompra sugere confiança na reta final da integração do Credit Suisse; a ressalva sobre as regras suíças mostra que essa confiança tem prazo e condição definidos.