As ações da Ânima (ANIM3) subiam 9,62% por volta das 12h20 desta sexta-feira (6), cotadas a R$ 2,62, após a companhia de educação divulgar o balanço do terceiro trimestre de 2026 (3T26) com resultados acima do esperado. O destaque ficou com a margem: o Ebitda, indicador que mede o resultado operacional antes de juros, tributos e despesas de depreciação e amortização, atingiu 32,0% de margem, com avanço de 1,9 ponto percentual na comparação anual, e ficou 5% acima da projeção do Bradesco BBI.

Na prática, o balanço combina dois movimentos. De um lado, a eficiência de custos e a redução das despesas gerais e administrativas explicam a expansão da margem. De outro, o endividamento elevado e os desembolsos previstos para os próximos dois anos tendem a restringir a folga financeira da companhia. A forte reação do papel pode indicar que o mercado privilegiou o lado operacional e deixou em segundo plano a estrutura de capital.

Receita e lucro acima da estimativa do BBI

A receita líquida subiu 8% em base anual, em ritmo mais acelerado. O crescimento veio sobretudo do segmento principal, que avançou 12% impulsionado por um ticket médio 15% maior. Ticket médio é o valor médio pago por aluno no período, métrica que indica se a empresa cresce pelo preço ou pelo volume de matrículas. O lucro líquido também ficou 19% acima da estimativa do Bradesco BBI.

Inspirali compensa a retração do EAD

Na Inspirali, a receita avançou 7%, e o ticket médio subiu 6%. Esse desempenho ajudou a compensar a queda de 14% nas receitas de ensino a distância (EAD). O Morgan Stanley, por sua vez, avaliou que os resultados foram bons, embora já esperasse forte sazonalidade da receita no 3T26.

Dívida de 2,9 vezes o Ebitda e saídas de caixa previstas

O Bradesco BBI reconheceu a forte execução operacional, mas destacou a alavancagem financeira da companhia, com dívida líquida equivalente a 2,9 vezes o Ebitda. Alavancagem financeira mede o peso da dívida em relação à capacidade de geração de resultado; quanto maior o múltiplo, menor tende a ser a folga diante de uma queda de receita. A casa também listou os riscos ligados à aquisição da FMU e ao acordo com o Einstein.

Já a XP Investimentos chama atenção para saídas de caixa previstas de cerca de R$ 1,7 bilhão ligadas a obrigações de dívida em 2026 e 2027, além de R$ 150 milhões associados à parceria com o Einstein.

O Morgan Stanley observou que a redução da alavancagem veio de um Ebitda de melhor qualidade neste trimestre, e não do desconto de recebíveis usado nos anos anteriores. Antecipar recebíveis significa receber antes dinheiro que já estava previsto, o que pode maquiar a pressão sobre o caixa. Por isso, para quem acompanha a ação, a melhora do indicador ganha consistência apenas se o Ebitda se repetir nos próximos trimestres.

Os números do trimestre em um quadro

IndicadorResultadoReferência
Margem Ebitda32,0%, com alta de 1,9 ponto percentualResultado do 3T26
Ebitda frente à projeção5% acimaBradesco BBI
Lucro líquido frente à estimativa19% acimaBradesco BBI
Receita líquidaalta de 8% em base anualResultado do 3T26
Segmento principalreceita +12%; ticket médio +15%Resultado do 3T26
Inspiralireceita +7%; ticket médio +6%Resultado do 3T26
Ensino a distância (EAD)queda de 14% na receitaResultado do 3T26
Dívida líquida sobre Ebitda2,9 vezesBradesco BBI
Saídas de caixa em 2026 e 2027cerca de R$ 1,7 bilhãoXP Investimentos
Parceria com o EinsteinR$ 150 milhõesXP Investimentos

O que observar nas obrigações de 2026 e 2027

Os pontos mais concretos para acompanhar são a trajetória da dívida líquida em relação ao Ebitda, o cumprimento das saídas de caixa previstas para 2026 e 2027 e a evolução da receita da Inspirali diante da queda no EAD. O próximo trimestre pode mostrar se a melhora de margem consegue acompanhar esses desembolsos sem ampliar a alavancagem.