Principais pontos
- A Suzano (SUZB3) comunicou seus clientes asiáticos, na última sexta-feira (28), sobre um reajuste de US$ 20 por tonelada na celulose de fibra curta (a principal matéria-prima para produção de papéis tissue e embalagens) a partir de setembro.
- A operação da fábrica OKI II, que originalmente traria novos volumes ao mercado, teve sua estreia adiada para o início de 2027.
- O relatório do Bradesco BBI, assinado por Rafael Barcellos, Gustavo Arruda e Matheus Moreira, aponta para potencial de novos incrementos de US$ 20 por tonelada tanto em outubro quanto em novembro.
A Suzano (SUZB3) comunicou seus clientes asiáticos, na última sexta-feira (28), sobre um reajuste de US$ 20 por tonelada na celulose de fibra curta (a principal matéria-prima para produção de papéis tissue e embalagens) a partir de setembro. A medida eleva o preço de tabela para o patamar de US$ 580 por tonelada, movimento que sinaliza uma inflexão no mercado após um ciclo de descontos.
A leitura imediata do mercado financeiro exige ir além do anúncio cíclico. O que realmente altera a equação de risco e retorno do setor é o alinhamento entre a recuperação de preços e um choque estrutural de oferta. Segundo o Bradesco BBI, a casa projeta risco limitado para novas desvalorizações, apoiada em uma combinação de estoques globais apertados e adiamentos de capacidade produtiva que tendem a proteger as margens das produtoras brasileiras no quarto trimestre.
O mapa da oferta: estoques e adiantamentos
Para compreender a sustentação dessa alta, é preciso observar os indicadores físicos de disponibilidade do produto. As verificações de mercado apontam que os estoques globais de celulose operam em patamares de dois meses de consumo, um nível significativamente inferior aos três meses considerados normais para a cadeia.
Esse aperto é amplificado por mudanças no cronograma global de expansão. A operação da fábrica OKI II, que originalmente traria novos volumes ao mercado, teve sua estreia adiada para o início de 2027. Esse adiamento remove uma pressão de oferta relevante no curto prazo, criando um ambiente mais favorável para as empresas já estabelecidas.
| Indicador de Mercado | Cenário Atual / Projeção |
|---|---|
| Preço de tabela na Ásia (Setembro) | US$ 580 / tonelada |
| Nível de estoques globais | 2 meses (contra 3 meses normalizados) |
| Início da operação OKI II | Início de 2027 |
| Preço de cavacos de madeira (Vietnã) | Acima de US$ 200 / tonelada |
Sazonalidade e custos na mira
O cenário de custos também oferece suporte à tese de recuperação. Os preços dos cavacos de madeira importados do Vietnã (fragmentos de madeira utilizados na fabricação de celulose) operam acima de US$ 200 por tonelada de madeira seca, o que encarece a produção de concorrentes asiáticos e protege a competitividade das plantas brasileiras.
Somado a isso, a sazonalidade do quarto trimestre historicamente costuma ser mais favorável. As fabricantes de papel iniciaram a retomada de seus níveis normais de atividade ainda em agosto, puxando a demanda por matéria-prima logo após meses em que os preços na China recuaram de US$ 600 para US$ 560 por tonelada.
Perspectivas para o fim do ano
A expectativa de continuidade do movimento de alta se estende para os últimos meses do ano. O relatório do Bradesco BBI, assinado por Rafael Barcellos, Gustavo Arruda e Matheus Moreira, aponta para potencial de novos incrementos de US$ 20 por tonelada tanto em outubro quanto em novembro. Se esse cenário se materializar, os valores retornariam à marca de US$ 600 por tonelada.
Apesar de reconhecer que os fundamentos estruturais de longo prazo do setor ainda impõem desafios, a casa manteve a avaliação de que o recuo recente nas ações da Suzano (SUZB3) — que operavam em alta de 0,47%, cotadas a R$ 46,62 por volta das 10h08 — apresenta uma assimetria positiva frente ao desempenho operacional. A recomendação para os papéis foi reiterada como compra, com preço-alvo fixado em R$ 73.
