Tese em 3 pontos
- O lucro líquido IFRS foi de R$1,19 bilhão no segundo trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$1,32 bilhão um ano antes.
- O BTG Pactual reiterou recomendação de compra para AXIA3 com preço-alvo de R$74 em 12 meses, o que indicaria alta potencial de 26,1% sobre R$58,68.
- O capital alocável somou R$3,7 bilhões no trimestre, com potencial de até R$7,7 bilhões em 2026 entre dividendos, recompras e resgates.
A Axia Energia (AXIA3), antiga Eletrobras, registrou lucro líquido IFRS de R$1,19 bilhão no segundo trimestre de 2026 e alta de 9,5% no lucro líquido ajustado, em dado atribuído à fonte do vídeo.
Para a tese de investimento, o resultado pode reforçar o caso de recuperação operacional pós-privatização, com alta de 21,5% no Ebitda regulatório ajustado, mas o trade-off está na forma do retorno: parte relevante do caixa tende a voltar via resgate da AXIA7 e recompra, não necessariamente como dividendo recorrente. O lucro líquido IFRS foi de R$1,19 bilhão no segundo trimestre de 2026, revertendo prejuízo de R$1,32 bilhão um ano antes.
Resultado do 2T26: o que explica o salto
O segundo trimestre de 2026 foi descrito como forte operacionalmente. A receita bruta ajustada subiu de R$12,19 bilhões no 2T25 para R$12,91 bilhões, alta de 5,9%. No critério regulatório, passou de R$11,58 bilhões para R$11,72 bilhões, avanço de 1,2%.
O destaque foi o Ebitda, que cresceu mais que a receita, sinal de melhora de margem e controle de custos:
- Ebitda regulatório: alta de 18% ano contra ano
- Ebitda regulatório ajustado: alta de 21,5% ano contra ano
Segundo a apresentação citada, o regulatório reflete efeito mais próximo do caixa, enquanto o ajustado exclui efeitos não recorrentes por decisão da administração. A diferença entre 18% e 21,5% sugere que, removidos esses efeitos, a operação ficou ainda mais rentável.
A margem de geração no ACL e no MCP subiu de R$73 para R$96, indicando melhor captura de preços e condições comerciais da energia disponível.
| Métrica do 2T26 | 2T25 | 2T26 | Variação |
|---|---|---|---|
| Receita bruta ajustada | R$12,19 bi | R$12,91 bi | +5,9% |
| Receita regulatória | R$11,58 bi | R$11,72 bi | +1,2% |
| Ebitda regulatório | base 2T25 | 2T26 | +18% |
| Ebitda regulatório ajustado | base 2T25 | 2T26 | +21,5% |
| Lucro líquido IFRS | -R$1,32 bi | R$1,19 bi | +R$2,5 bi |
Investimentos e transmissão: crescimento contratado
Os investimentos somaram R$3,11 bilhões no trimestre, alta de 52,6% ano contra ano, ou mais de R$1 bilhão por mês. No semestre, saíram de R$3 bilhões para R$4,47 bilhões, crescimento de 47%.
A maior parte foi direcionada a transmissão, reforços, melhorias, leilões e ao projeto HVDC, com adição de RAP bilionária de R$2 bilhões citada pela companhia. A leitura do Ativo Virtual é que esse capex pode ampliar a previsibilidade de caixa, mas exige execução eficiente: só cria valor se o retorno superar o custo de capital.
A fonte cita ainda um capex de referência de R$15,54 bilhões, que, se executado com eficiência, tende a ficar no bolso da companhia e, em parte, dos acionistas.
Portfólio: simplificação e venda de ativos
A Axia herdou estrutura complexa da estatal e avança na reorganização, com venda de participações minoritárias e consolidação de ativos estratégicos:
- alienação de participações minoritárias em transmissão: recebimento de R$451,4 milhões
- cessão de crédito da Amazonas Energia: R$554 milhões
- descruzamento de participações com a Eletrobras antiga estrutura: R$1,16 bilhão
- menções a giro de ativos como UHE Garanhuns e UHE Madeira
Para o investidor, a simplificação pode melhorar governança, clareza dos resultados e eficiência de capital, o que costuma ser catalisador de valuation, embora sem garantia.
A companhia é hoje uma corporation sem controlador definido, com atuação em geração, transmissão e comercialização. Ao fim de 2025, tinha 81 usinas e 43,8 GW de capacidade instalada, cerca de 17% da capacidade brasileira, além de 74,8 mil km de linhas de transmissão, cerca de 37% do SIN. Após saída dos ativos térmicos, o portfólio de geração passou a ser integralmente renovável e de baixa emissão.
Dividendos ou resgate? O caso da AXIA7
O capital alocável somou R$3,7 bilhões no trimestre, com potencial de até R$7,7 bilhões em 2026 entre dividendos, recompras e resgates.
O conceito de capital alocável, segundo a fonte, é o dinheiro que a empresa entende poder destinar a retorno ao acionista além de investimentos e M&A, mantendo estrutura de capital saudável.
No trimestre, o destaque foi o segundo resgate e conversão das ações AXIA7 no montante de R$2 bilhões, a preço de R$53,71 por ação. A operação atingiu 6,14% da classe.
Quem detinha AXIA7 no fechamento de 7 de agosto podia escolher entre receber dinheiro ou converter em AXIA3, com pagamento em 18 de agosto; quem não se manifestou teve a parcela resgatada automaticamente.
As AXIA7, preferenciais classe C criadas no fim de 2025 e distribuídas aos acionistas, nasceram com caráter temporário para extinção completa até 2031 por conversões ou resgates progressivos. Em 2026, a companhia migrou para o Novo Mercado da B3, mantendo apenas AXIA3 como ordinária permanente.
A leitura do Ativo Virtual é que isso pode confundir quem busca renda recorrente: o retorno ao acionista pode vir mais por resgate ou recompra, se a administração entender que o papel está descontado, do que por dividendo direto.
O que dizem BTG Pactual e Itaú BBA
O BTG Pactual reiterou recomendação de compra para AXIA3 com preço-alvo de R$74 em 12 meses, o que indicaria alta potencial de 26,1% sobre R$58,68.
O banco projeta lucro em torno de R$6,7 bilhões em 2026, segundo a fonte, avançando para R$6,9 bilhões em 2027. Se o payout fosse elevado a 100% do lucro, o dividend yield poderia chegar a 10,5% em 2027. O relatório ainda considera baixa execução de resgate de R$4 bilhões da classe AXIA7, o que pode concentrar pagamentos nos próximos seis meses, somando valores em atraso e dividendos trimestrais — a chamada chuva de dividendos.
O Itaú BBA, por sua vez, elevou o preço-alvo em 49% e vê potencial para bilhões de reais em dividendos por ano, considerando a ação subestimada na bolsa, ainda segundo o material analisado.
O histórico de dividendos desde 2019, porém, não empolga, o que deixa a tese dependente de disciplina de capital e da confirmação dessas projeções.
Valuation: queda de 20% após máxima muda a assimetria?
Na cotação citada de R$53,10, o papel acumulava alta de 54,27% em 12 meses, mesmo após correção. Chegou à máxima de R$67,12 em 14 de abril, caiu até R$49,43, queda de 26,36%, e operava cerca de 20,89% abaixo do pico.
Os múltiplos citados eram P/L de 13 vezes, abaixo do benchmark de 15 vezes usado nos EUA e próximo da faixa de 10 a 12 vezes vista como conservadora no Brasil, e P/VP de cerca de 1,28 vez, ou 28% acima do valor patrimonial. O dividend yield corrente era de 3,56%.
A premissa exposta para a tese otimista é clara: precisa se confirmar crescimento de Ebitda, execução do capex de transmissão com retorno adequado e conversão do capital alocável em proventos. No cenário positivo, o investidor pode capturar valorização rumo aos alvos das casas mais yield elevado. No cenário negativo, se Ebitda desacelerar ou o caixa for retido para obras e resgates, o retorno em dividendos pode frustrar quem busca renda.
Outras empresas citadas
A fonte menciona ISA Energia e a Taesa, referida como Ta Energia, como referência de eficiência em capturar sinergias do ecossistema de transmissão. Não foram detalhados na fonte tickers, preços-alvo ou números dessas companhias, por isso não alteram diretamente a tese de AXIA3, mas servem como parâmetro comparativo de execução.
O que muda para investidores
- Foco em retorno total, não só dividendo: com resgates de AXIA7 e possíveis recompras, parte do ganho pode vir por valorização e redução de base acionária.
- Catalisadores: próximos resgates da AXIA7, anúncios de dividendos até o fim de 2026 e evolução da RAP de R$2 bilhões.
- Riscos: execução do capex bilionário, volatilidade após alta de 54% em 12 meses e dependência de payout elevado para entregar yield de dois dígitos.
- Acompanhar: Ebitda regulatório, margem ACL/MCP e simplificação societária como termômetro da virada pós-privatização.
