O autor do livro The Bitcoin Standard, Saifedean Ammous, sustenta que o Bitcoin já cumpre a função de dinheiro quando guardado como reserva de valor e aposta que a moeda digital vai amadurecer até se tornar maior que o ouro e menos volátil que o metal. A defesa foi publicada no X na terça-feira, 14 de outubro de 2026, como resposta a um professor que aponta a oferta rígida do BTC como obstáculo ao uso em pagamentos.
O duelo com o crítico acadêmico
A provocação partiu de Lawrence H. White, professor e autor de Better Money: Gold, Fiat, or Bitcoin?, obra cuja tese central é que o limite fixo de emissão do Bitcoin gera oscilações de preço incompatíveis com a função de meio de troca.
O professor acrescentou que as stablecoins — criptomoedas desenhadas para manter paridade com moedas fiduciárias — vêm ocupando o espaço transacional que o Bitcoin deixa aberto, justamente por ajustarem o volume em circulação conforme a demanda muda.
A réplica desloca o critério de avaliação: em vez de medir a adoção do BTC pela frequência em pagamentos, o autor observa o papel que o ativo já desempenha onde é tratado como reserva de valor.
A distância real até o ouro
A comparação com o metal exige escala:
| Ativo | Capitalização de mercado |
|---|---|
| Bitcoin (BTC) | US$ 1,6 trilhão |
| Ouro | quase US$ 29 trilhões |
A capitalização do Bitcoin precisaria crescer pelo menos 18 vezes para alcançar o ouro e fazer do BTC o principal ativo global — patamar que exige horizonte longo e fluxo institucional consistente.
As projeções que o mercado já discute
Em maio de 2025, André Dragosch, responsável pela pesquisa da Bitwise na Europa, afirmou que a estimativa interna da casa aponta US$ 1 milhão por Bitcoin até 2029, nível que igualaria o BTC à capitalização do ouro. Antes disso, em abril de 2025, Adam Back, que comanda a Blockstream, projetou que o Bitcoin começaria a disputar com o ouro a função de proteção monetária, cenário que vinculou à instabilidade financeira global e ao avanço da inflação sobre as moedas fiduciárias.
O que isso significa para o investidor
- Volatilidade é o eixo do impasse: para White, ela inviabiliza o uso cotidiano; para Ammous, tende a recuar conforme o mercado ganha profundidade e liquidez.
- Oferta rígida tem dois lados: garante escassez verificável, mas impede que o protocolo reaja a choques de demanda — lacuna que as stablecoins preenchem na operação diária.
- A referência ao ouro é parâmetro de longo prazo: o múltiplo de 18 vezes não sinaliza nada sobre o preço de curto prazo e depende de regulação e de adoção institucional.
- O embate é conceitual: nenhuma das duas posições oferece ponto de entrada ou saída, e cabe ao investidor separar tese monetária de decisão de carteira.
A discussão reaparece a cada ciclo de alta e ajuda a explicar por que o BTC oscila entre dois papéis: o de ativo de risco, negociado na esteira do apetite global, e o de reserva de valor comparável ao ouro. Enquanto as duas teses conviverem, o mercado deve seguir precificando essa ambiguidade.
