O BNDES aprovou R$ 200 milhões em financiamento para a Mombak, grupo especializado em projetos de carbono, viabilizar um plano de restauração ecológica na Amazônia com dinheiro do Fundo Clima. A área a ser recuperada soma 7,2 mil hectares de terrenos degradados, com concentração no Pará, dentro de um aporte total previsto em R$ 457 milhões. O contrato tem prazo total de 25 anos, e a fatia do banco de fomento corresponde a cerca de 44% do investimento; o restante vem da própria Mombak, por outras fontes.
O prazo de 25 anos contra um resultado que se completa em 50
A duração do contrato é o dado que mais destoa da rotina do crédito corporativo brasileiro. Restaurar floresta nativa é atividade de ciclo longo: o retorno ambiental não se materializa no primeiro ano nem no décimo. O próprio BNDES projeta uma remoção superior a 4,7 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente — unidade que converte gases de efeito estufa distintos numa métrica comum — ao longo de 50 anos, horizonte mais extenso que o do próprio financiamento.
A diferença de prazos tende a deslocar o centro de gravidade da análise para as receitas capazes de sustentar o serviço da dívida antes de a floresta fechar o ciclo. Créditos de carbono, campo em que a Mombak atua, aparecem como a fonte mais citada para projetos desse tipo. A monetização desse ativo costuma depender de certificação, de compradores dispostos a firmar contratos longos e de regras de contabilidade de emissões que ainda variam entre mercados.
Quem entra com o quê: 44% do banco, 56% do parceiro privado
Os recursos saem do Fundo Clima – Florestas Nativas e Recursos Hídricos, linha voltada a sistemas agroflorestais, plantio de espécies nativas e recomposição de vegetação, entre outras finalidades. Como a participação do BNDES cobre cerca de 44% do total, a maior parcela do capital permanece com o investidor privado. Esse desenho tende a repartir o risco entre o banco estatal e o empreendedor, em vez de concentrar todo o funding no orçamento público.
A carteira florestal que o banco já vinha montando
O financiamento se encaixa numa estratégia do banco para o setor florestal que, segundo o próprio BNDES, já mobilizou R$ 14,6 bilhões, plantou 354 milhões de árvores, criou 89 mil vagas verdes e retirou 68 milhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente da atmosfera.
| Métrica | Valor |
|---|---|
| Financiamento do BNDES | R$ 200 milhões |
| Investimento total do projeto | R$ 457 milhões |
| Área em restauração | 7,2 mil hectares |
| Participação do BNDES | 44% |
| Prazo total da operação | 25 anos |
| Remoção projetada | 4,7 milhões de t de CO2e em 50 anos |
| Carteira florestal acumulada do banco | R$ 14,6 bilhões |
O que muda para quem acompanha o tema
Para carteiras com exposição a carbono, floresta ou descarbonização, a operação acrescenta uma referência concreta: existe capital público disposto a alongar prazo por décadas em um ativo cujo retorno depende de verificação ambiental. Em um mercado em que o funding de longo prazo é historicamente escasso, o precedente interessa menos pelo valor isolado e mais pela estrutura — prazo extenso, risco dividido com o parceiro privado e lastro em remoção de gases.
O que ainda não está público são o cronograma de desembolso, as garantias exigidas e as metas de verificação das remoções. Esses três pontos tendem a definir se o modelo se repete em escala ou permanece restrito a operações pontuais. Acompanhar a execução do projeto ao longo dos próximos anos ajuda a medir o apetite do sistema financeiro por ativos de natureza e o espaço que florestas nativas passam a ocupar em carteiras temáticas.
