Dividendo de 1,37% e um desconto de 1,82% no mesmo anúncio

O EXES11 confirmou R$ 0,13 por cota em rendimentos de setembro de 2026, com data-base em 18 de setembro e pagamento agendado para 25 de setembro. Tomando por referência o fechamento de R$ 9,47 em 31 de agosto, o rendimento mensal equivale a 1,37%. Na mesma janela, o fundo conduz uma oferta secundária de até R$ 56 milhões, com cotas a R$ 9,50 — preço que ficou abaixo do valor patrimonial e da cotação de mercado registrada no encerramento de julho. É esse segundo movimento que define a leitura para quem já está na base ou avalia entrar.

Nenhum real entra no fundo

Todos os papéis colocados são secundários: pertencem ao Éxes Crédito Direto II FIF Multimercado, cotista do próprio EXES11, e a receita da venda fica com ele. Não há emissão de cotas novas nem direito de preferência para os atuais investidores.

A consequência é direta: o patrimônio do fundo não é ampliado pela transação, e os custos da estrutura ficam por conta do ofertante, sem consumo do patrimônio líquido. O que muda é a composição da base de cotistas — e, historicamente, a chegada de novos investidores por meio de ofertas tende a favorecer o giro dos papéis no mercado secundário.

Por que R$ 9,50 importa

O preço unitário fixado embute 1,82% de desconto sobre o valor patrimonial por cota de R$ 9,68, apurado em 31 de julho de 2026. No fechamento daquele pregão, a cota valia R$ 9,55, o que coloca a oferta abaixo também da referência de mercado.

Não existe, aqui, efeito diluidor: sem cotas novas, o valor patrimonial por cota não é afetado. O deságio funciona como parâmetro de comparação para quem avalia entrar pela oferta ou comprar no mercado, e a distância entre R$ 9,50 e R$ 9,68 tende a ser o primeiro número conferido por esse investidor.

Condições e cronograma da operação

ItemCondição
Preço por cotaR$ 9,50
Volume mínimoR$ 1 milhão, o equivalente a 105.264 cotas
Lote adicionalaté 25%
Investimento mínimo1 cota
Público-alvoinvestidores em geral, com alocação pela ordem de recebimento dos pedidos válidos
Natureza100% secundária, sem emissão de novas cotas

A operação teve início na primeira sexta-feira de setembro, o dia 4, conforme o cronograma indicativo divulgado.

A carteira que sustenta os R$ 0,13

O fundo encerrou julho com R$ 136,5 milhões de patrimônio líquido e 14,1 milhões de cotas em circulação. Crédito imobiliário responde por 75,9% do portfólio; cotas de Fiagro — fundos voltados às cadeias produtivas agroindustriais — somam 21,2%, e o caixa, 2,9%.

No pós-fixado, o carrego médio indicado pela gestora é de CDI + 4,47%. Os papéis atrelados à inflação carregam remuneração média de IPCA + 9,97%. Nas operações com garantia real, o LTV médio ponderado — loan-to-value, a razão entre o crédito concedido e o valor da garantia — ficou em 51,97%, e nenhuma delas superou 70%.

O R$ 0,13 não é evento isolado: são 19 meses consecutivos no mesmo patamar. Em junho de 2026, o yield apurado sobre o valor patrimonial do fundo chegou a 15,92% ao ano, segundo a gestora.

O que ainda está em aberto

O estudo de viabilidade elaborado pela Éxes projeta TIR (taxa interna de retorno) de 14,74% ao ano em um horizonte de cinco anos, o que equivale a CDI + 3,40%. As estimativas não passaram por auditoria independente e não representam promessa ou garantia de retorno futuro.

Dois pontos concentram a atenção de quem acompanha o EXES11 nas próximas semanas: a confirmação do repasse em 25 de setembro e o desfecho da oferta — se o volume mínimo é atingido e se o lote adicional de até 25% é exercido. O comportamento da cota em relação aos R$ 9,50 oferece a medida mais concreta do apetite por essa classe de papel no momento.