Principais pontos

  • O estoque de posições vendidas recuou 10,5% para R$ 121 bilhões após o Ibovespa avançar cerca de 11,3% entre 19 de agosto e 4 de setembro.
  • BHIA3 lidera com 30% do free float vendido, enquanto BEEF3 mantém 24,1% mesmo após queda de 5,6 pontos percentuais em 14 dias.
  • SEER3 e MOTV3 ampliaram as apostas contra a ação, com altas de 348,6% e 174,1% no valor financeiro vendido em 14 dias.

O estoque de posições vendidas recuou 10,5% para R$ 121 bilhões após o Ibovespa avançar cerca de 11,3% entre 19 de agosto e 4 de setembro. O movimento, captado pelo relatório XP Short Scout com dados até o fechamento de 4 de setembro e divulgado nesta quarta-feira, mostra uma cobertura parcial das apostas na queda durante o rali que levou o índice de 166.336 pontos na abertura de 19 de agosto para 185.147,15 pontos no fechamento de 4 de setembro, diferença de quase 18,8 mil pontos.

A leitura é que a recomposição tende a funcionar como combustível adicional para a alta no curto prazo, pois investidores vendidos precisam recomprar papéis para zerar operações, ao mesmo tempo em que o risco remanescente fica concentrado em poucos nomes onde o custo de carregar a venda continua elevado. O dado central é R$ 121 bilhões em posições vendidas em aberto, patamar menor após a arrancada, mas ainda relevante para a dinâmica de fluxo na B3.

Cobertura acompanha rali e valida sinal do Bank of America

O short interest (percentual das ações que estão emprestadas e vendidas em relação ao total disponível) mediano entre os papéis do Ibovespa caiu 0,7 ponto percentual, para 6,5%, segundo a fonte. O recuo ocorreu mesmo com a pausa mais recente: nesta quarta-feira (9), a Bolsa caiu 0,93%, com o Ibovespa recuando aos 185.629 pontos.

O comportamento converge com a avaliação divulgada pelo Bank of America na terça-feira (8). O banco elevou a recomendação para ações brasileiras e citou, entre os fatores favoráveis, a melhora dos fluxos e a redução das posições vendidas no mercado local.

Para quem acompanha o mercado, a consequência prática está no custo de manter apostas contrárias em um índice em tendência forte de alta. Historicamente, períodos de cobertura generalizada costumam reduzir a pressão vendedora média, mas ampliam a assimetria entre papéis onde o short foi desmontado e aqueles onde a convicção vendedora permanece.

Onde a venda resiste e o aluguel pesa no bolso

BHIA3 lidera com 30% do free float vendido, enquanto BEEF3 mantém 24,1% mesmo após queda de 5,6 pontos percentuais em 14 dias. No caso de Minerva (BEEF3), o short interest (proporção das ações em posições vendidas) recuou 5,6 pontos percentuais em 14 dias, mas seguiu como o segundo maior percentual do levantamento.

O free float (parcela das ações disponível para negociação livre no mercado) vendido permanece elevado em um grupo restrito. Na sequência de Casas Bahia (BHIA3) e Minerva aparecem SLC Agrícola, Boa Safra e 3tentos. Os dez papéis do ranking apresentam short interest de 19,5% ou mais. Pela metodologia da XP, um short interest acima de 10% é considerado elevado.

O custo para sustentar essas posições também aparece na taxa de aluguel (valor pago para tomar a ação emprestada e conseguir vendê-la). BHIA3 figura entre os aluguéis mais caros, com taxa de 54,7%, atrás apenas de Natura (NATU3), com 64,6%. Níveis altos podem refletir demanda maior pelos papéis para montar posições vendidas, embora o indicador, isoladamente, não defina a direção futura da ação.

PapelShort interest sobre free floatTaxa de aluguel
Casas Bahia (BHIA3)30%54,7%
Minerva (BEEF3)24,1%
Ser Educacional (SEER3)15,5%
Motiva (MOTV3)11,1%8,1%
Natura (NATU3)64,6%

Recuo amplo abre espaço para squeeze em nomes lotados

Entre os papéis com maiores quedas do short interest em relação ao free float nas últimas duas semanas estão Caixa Seguridade (CXSE3), MRV (MRVE3), Magazine Luiza (MGLU3), Hapvida (HAPV3) e Minerva (BEEF3). Em valor financeiro, os recuos mais relevantes ocorreram em Eneva (ENEV3), Eucatex (EUCA4), Usiminas (USIM3), Caixa Seguridade (CXSE3) e Trisul (TRIS3).

Um short, ou posição vendida, representa uma aposta na queda de uma ação. Quando um papel com grande concentração de vendidos passa a subir, investidores podem recomprar os papéis para encerrar as operações. Se as recompras ocorrem de forma concentrada, pode haver um short squeeze (movimento de alta intensificado pela recompra forçada dos investidores vendidos).

A dispersão da cobertura entre proporção do free float e valor financeiro mostra que o alívio não foi pontual, mas distribuído por diferentes perfis de empresa.

Na contramão, dois papéis ampliam a aposta contra

SEER3 e MOTV3 ampliaram as apostas contra a ação, com altas de 348,6% e 174,1% no valor financeiro vendido em 14 dias. A Ser Educacional (SEER3) registrou aumento de 11,9 pontos percentuais no short interest em 14 dias, para 15,5%. Na Motiva (MOTV3), o avanço foi de 6,7 p.p., para 11,1%.

Em MOTV3, o valor financeiro das posições vendidas chegou a cerca de R$ 1,75 bilhão, após alta de 174,1% em 14 dias. Em SEER3, o estoque financeiro das posições aumentou 348,6% no mesmo período, para R$ 96,95 milhões.

Na Motiva, a taxa de aluguel chegou a 8,1%, enquanto o days to cover (estimativa de quantos dias seriam necessários para encerrar as posições vendidas considerando o volume médio negociado) avançou para 9,8 dias. Prazos mais longos de cobertura tendem a indicar menor liquidez relativa para desmontar a posição sem pressionar a cotação.