O Ibovespa encerrou aos 185.629,04 pontos, em queda de 0,93% e perda de 1.737,80 pontos. Segundo a fonte, trata-se da baixa mais intensa desde os -2,50% registrados em 11 de agosto, após sequência de 11 altas seguidas no fim de agosto seguida por duas sessões de ajustes marginais de 0,01% e 0,02%.

A leitura para o investidor pessoa física é de divisão clara entre ganhadores e perdedores: de um lado, empresas ligadas a petróleo e siderurgia sustentaram altas; de outro, bancos, varejo e ativos sensíveis a juros sofreram com a combinação de petróleo acima de US$ 100, rendimentos do Tesouro norte-americano em elevação e ruído institucional em Brasília. O dado central do dia foi o Brent a US$ 101,21, em alta de 3,36%, rompendo US$ 100 pela primeira vez desde julho, o que reorganizou expectativas de inflação e de juros nos Estados Unidos.

Quem segurou a queda e quem puxou o índice para baixo

O pregão de 9 de setembro de 2026, com máxima de 187.362,44 pontos e mínima de 184.810,27 pontos e volume de R$ 26,90 bilhões, deixou o desempenho acumulado em +0,26% na semana, +4,63% em setembro, +7,91% no terceiro trimestre de 2026 e +15,21% em 2026. A terça-feira (8) havia terminado com +1,20%, enquanto a segunda-feira (7) foi feriado do Dia da Independência.

Entre as altas, a fonte cita Petrobras (PETR4) com +0,69% e PRIO (PRIO3) com +0,84%, ambas associadas ao avanço do petróleo internacional. As siderúrgicas tiveram altas mais expressivas, com CSN (CSNA3) em +7,40% e Usiminas (USIM5) em +0,93%. Embraer (EMBJ3) avançou 1,10%, cotada em torno de R$ 95,55 durante a tarde, e Vale (VALE3) saiu de queda ao longo do dia para fechar com +0,10%, mesmo com recuo do minério de ferro por preocupações com a demanda chinesa.

"Esse novo capítulo coloca em xeque os embarques de petróleo pelo Mar Vermelho, que vinha sendo uma rota alternativa ao Estreito de Ormuz."

A frase, atribuída por segundo a fonte a Augusto Parente, especialista em investimentos da AW Capital, resume o argumento ligado ao agravamento da guerra no Oriente Médio, com ataques dos houthis apoiados pelo Irã a instalações sauditas de petróleo e energia.

Na ponta oposta, bancos perderam todos mais de 1%: Banco do Brasil (BBAS3) com -1,86%, Bradesco (BBDC4) com -2,36%, Itaú Unibanco (ITUB4) com -1,98% e Santander (SANB11) com -1,41%. No varejo, o movimento foi em bloco, com destaque para Lojas Renner (LREN3) com -2,41%. Entre frigoríficos, Minerva (BEEF3) perdeu 0,25% e MBRF (MBRF3) desceu 2,33%.

Petróleo de três dígitos reprecifica inflação e juros nos EUA

O petróleo tipo Brent com vencimento em outubro fechou com alta de 3,36%, a US$ 101,21, enquanto o WTI (West Texas Intermediate, referência norte-americana) com vencimento em outubro fechou com alta de 3,25%, a US$ 96,05. A fonte registra que futuros de gás natural com contratos para outubro recuaram 2,40% na NYMEX (New York Mercantile Exchange, bolsa de mercadorias de Nova York).

A alta do petróleo ocorreu junto com avanço dos rendimentos dos Treasuries (títulos do Tesouro dos Estados Unidos) por toda a curva. O Departamento do Tesouro dos EUA anunciou recompra de US$ 6 bilhões em títulos da dívida pública, medida voltada a preservar liquidez e funcionamento do mercado. Segundo a fonte, a reação inicial sugeriu que investidores não se mostraram convencidos pelo tamanho do anúncio e a curva terminou apenas em alta, com juro batendo recorde de 3 anos.

Em Nova York, os principais índices fecharam com perdas. O Dow Jones caiu 0,77%, aos 52.378,10 pontos. O S&P 500 (índice amplo com 500 empresas) recuou 0,48%, aos 7.636,49 pontos. O Nasdaq (índice com peso elevado de tecnologia) cedeu 0,64%, aos 26.253,34 pontos. As Bolsas na Europa também terminaram em baixa.

A fonte cita Kara Murphy, diretora de investimentos da Kestra Investment Management, em declaração à CNBC, afirmando que há menos preocupação com resultados financeiros e o mercado voltou a atenção para o lado do risco. O texto também menciona que investidores aguardam nesta quinta-feira os dados do PPI (Producer Price Index, índice de preços ao produtor) e na sexta-feira o CPI (Consumer Price Index, índice de preços ao consumidor), após relatório de empregos de agosto (payroll, relatório oficial de vagas) acima das projeções.

Felipe Cima, especialista em renda variável da Manchester Investimentos, sublinhou, segundo a fonte, que o mercado está em compasso de espera especialmente pelo CPI, com retomada de apostas em alta de juros e inflação mais elevada. A reunião do Fed (Federal Reserve, banco central dos Estados Unidos) acontece na semana seguinte.

Câmbio, juros futuros e fluxo pressionam ativos domésticos

O dólar comercial subiu 0,51%, cotado a R$ 5,112 na venda, com mínima de R$ 5,081 e máxima de R$ 5,115. A fonte aponta máxima alternativa de R$ 5,113 em atualizações intradiárias e cotação de R$ 5,101 com alta de 0,30% durante a tarde. O DXY (Dollar Index, índice que mede o dólar ante divisas de países desenvolvidos) subiu 0,03%, aos 98,81 pontos. Os DIs (Depósitos Interfinanceiros, juros futuros negociados na B3) avançaram com amplitude por toda a curva.

Nicolas Gomes, especialista de câmbio da Manchester, disse segundo a fonte que a Selic (taxa básica de juros do Brasil) em 14% mantém diferencial elevado em relação aos EUA e o carry (estratégia de carregar posição para capturar diferencial de juros) continua relevante para o câmbio, mesmo com possibilidade de alta nos juros do Fed. Ele citou ainda leilão anunciado de até US$ 1 bilhão à vista pelo Banco Central e fluxo para ativos brasileiros como alívio para dólar e Ibovespa, ao mesmo tempo em que tensão entre EUA e Irã e ataques a navios mantêm o petróleo pressionado.

No fluxo cambial, o Brasil registrou fluxo total negativo de US$ 6,693 bilhões em setembro até o dia 4, conforme dados do Banco Central citados pela Reuters. Em agosto, o fluxo foi negativo em US$ 3,914 bilhões, após quatro meses de fluxo positivo. Pelo canal financeiro, houve saídas líquidas de US$ 6,448 bilhões em setembro até o dia 4. Pelo canal comercial, o saldo foi negativo em US$ 245 milhões. Na semana de 31 de agosto a 4 de setembro, saíram US$ 7,511 bilhões líquidos. No acumulado do ano até 4 de setembro, o fluxo total segue positivo em US$ 9,089 bilhões.

As exportações brasileiras para os EUA somaram US$ 24,1 bilhões entre janeiro e agosto de 2026, queda de 9,7% ante o mesmo período de 2025, menor volume desde 2023, segundo a Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio para o Brasil).

Ruído institucional e agenda com PPI, serviços e BCE

A fonte relata crise no STF (Supremo Tribunal Federal), após o ministro Flávio Dino derrubar o afastamento e mandar reintegrar Andrei Rodrigues como chefe da Polícia Federal, um dia após decisão do ministro André Mendonça em sentido oposto. O texto menciona cobranças por intervenção do ministro Fachin e proposta de lista tríplice para escolha do diretor-geral da Polícia Federal defendida pelo candidato à Presidência Augusto Cury (Avante). Também cita declarações atribuídas a Trump sobre o Irã, incluindo que não busca acordo mas negociação pode acontecer e que a guerra terminaria após eleições de meio de mandato.

Para a quinta-feira, a agenda citada inclui PPI nos EUA, dados do setor de serviços no Brasil e decisão de taxa de juros pelo Banco Central Europeu.

Mapa da sessão por índices e ações mais negociadas

O Índice de Small Caps (SMLL) encerrou com perdas de 1,56%, aos 2.233,83 pontos. O Índice de BDRs (BDRX, carteira de Brazilian Depositary Receipts, recibos de ações estrangeiras) terminou com +0,17%, aos 27.477,15 pontos. O Índice de Fundos Imobiliários (IFIX) encerrou com baixa de 0,44%, aos 3.744,75 pontos, após mínima intradiária de 3.740,59 pontos com -0,55%. O Ibovespa Futuro (INDFUT) tinha queda de 1,14%, aos 187.865 pontos por volta das 14h02.

IndicadorFechamento e variação
Ibovespa185.629,04 pontos, -0,93%
Dólar comercial vendaR$ 5,112, +0,51%
SMLL2.233,83 pontos, -1,56%
BDRX27.477,15 pontos, +0,17%
IFIX3.744,75 pontos, -0,44%
Brent outubroUS$ 101,21, +3,36%
WTI outubroUS$ 96,05, +3,25%

Entre as ações mais negociadas do dia, a fonte lista PETR4 com 51.035 negócios e +0,69%, ITUB4 com 49.925 negócios e -1,98%, B3SA3 com 45.451 negócios e -1,98%, VALE3 com 39.376 negócios e +0,10% e AXIA3 com 37.932 negócios e -1,87%. Em atualização das 15h12, ITUB4 liderava com 35.187 negócios e -1,48%, seguida por PETR4 com 34.295 negócios e +1,10%, B3SA3 com 31.548 negócios e -2,15%, VALE3 com 28.190 negócios e -0,42% e SBSP3 com 26.131 negócios e -0,93%.

Maiores altas e maiores baixas do pregão

Maior altaVariaçãoValor citado
CSNA3+7,40%R$ 7,11
SLCE3+6,11%R$ 17,88
CMIN3+3,57%R$ 6,96
YDUQ3+2,51%R$ 10,20
RECV3+1,51%R$ 11,42
Maior baixaVariaçãoValor citado
VAMO3-4,53%R$ 3,37
MGLU3-4,46%R$ 5,57
DIRR3-4,37%R$ 10,93
RADL3-4,02%R$ 19,60
CURY3-3,64%R$ 32,27

A fonte detalha ainda que, nos minutos finais, SLCE3 subia 5,82% e GFSA3 subia 4,76% entre small caps, enquanto SIMH3 caía 7,92% e TEND3 caía 6,43%. Tenda (TEND3) recuava 6,29%, a R$ 32,95. Braskem (BRKM5) sustentava alta de +0,20%. Suzano (SUZB3) sustentava alta de +0,34%, após +0,30% mais cedo. Klabin (KLBN11) e Rani (RANI3) desciam 0,10% e 0,25%. Analistas da XP citados pela fonte avaliam que preços da celulose melhoram, mas ventos positivos não devem durar, com espaço limitado para recuperação sustentada.

No varejo de vestuário, a fonte cita RIAA3 com -4,97%, CEAB3 com -3,21%, LREN3 com -3,10% e AZZA3 com -2,17%. Entre grandes varejistas, BHIA3 com -4,42%, AMER3 com -3,32% e MGLU3 com -2,74%. No saneamento, CSMG3 com -1,23%, SAPR11 com -3,01% e SBSP3 com -0,97%. Axia Energia (AXIA3) tinha queda de 2,05%, a R$ 54,98. B3 (B3SA3) manteve queda, citada em -2,55%, -2,10% a R$ 17,27 e -1,98% no fechamento. Petrobras ON (PETR3) foi citada com +0,32%, +0,62% e +0,58% em diferentes momentos, enquanto PETR4 oscilou entre +0,58%, +0,94% e +1,10% no intradia. Vale oscilou entre -0,33% a R$ 78,76, -0,28%, -0,22% a R$ 78,85 e +0,10% no fechamento.