O Banco Bradesco S.A. (BVMF: BBDC3, BBDC4) anunciou, na noite de 29 de julho de 2026, a aprovação de um aumento de capital social de até R$ 10 bilhões. A operação prevê a emissão de novas ações ordinárias e preferenciais com deságio de 6% sobre o fechamento da B3 do dia anterior. Em paralelo, o Conselho de Administração antecipou o pagamento de R$ 6,5 bilhões em Juros sobre Capital Próprio (JCP) para setembro, recurso que os acionistas poderão usar integralmente para pagar a subscrição. A movimentação tem como objetivo fortalecer a base de capital da instituição para acelerar investimentos em tecnologia, eficiência operacional e expansão sustentável dos negócios.

Detalhes da captação e emissão de ações

O aumento de capital, realizado via subscrição privada, elevará o capital social do Bradesco de R$ 93,77 bilhões para até R$ 103,77 bilhões. A operação prevê a emissão de até 604,85 milhões de novas ações, divididas em aproximadamente 302,87 milhões de ordinárias (BBDC3) e 301,97 milhões de preferenciais (BBDC4). As acionistas controladoras assumiram o compromisso firme de subscrever um mínimo de R$ 8 bilhões, garantindo o piso necessário para a homologação da oferta. A conclusão bem-sucedida do aumento deve acrescentar cerca de 0,9 ponto percentual ao índice de Capital Principal (Basileia), reforçando a solvência do banco.

Os preços de emissão foram fixados em R$ 15,43 para as ações ordinárias e R$ 17,64 para as preferenciais. O cálculo seguiu o artigo 170 da Lei 6.404/76 e aplicou um deságio de 6% sobre o fechamento de 28 de julho de 2026, prática de mercado destinada a incentivar a adesão dos acionistas e compensar eventuais volatilidades.

Antecipação e uso estratégico dos JCP

Para facilitar a captação, a diretoria antecipou os JCP declarados em 25 de março e 23 de junho de 2026. O novo pagamento está marcado para 15 de setembro de 2026 e totaliza R$ 6,5 bilhões. A antecipação funciona como uma alavanca de liquidez: os acionistas que desejarem participar do aumento de capital poderão optar por compensar integralmente esse crédito no ato da subscrição, em vez de usar saldo bancário ou Pix. Os valores líquidos por ação, já deduzidos a alíquota padrão de 17,5% de IRRF, são de R$ 0,4831 (ON) e R$ 0,5314 (PN).

Cronograma e exercício do direito de preferência

Os acionistas que possuírem BBDC3 ou BBDC4 até o dia 4 de agosto de 2026 (data-base) terão direito de preferência para comprar novas ações na proporção de 5,7219% sobre o total de sua carteira atual. O exercício do direito ocorre entre 6 de agosto e 4 de setembro de 2026. A partir de 5 de agosto, os papéis passam a negociar "ex-direito de subscrição". Caso haja sobras não subscritas, o banco realizará rateios entre os interessados e poderá promover rodadas adicionais ou leilão, a critério da administração.

O que muda para investidores

A principal decisão para o acionista é se exercerá ou não o direito de preferência. Quem não participar da oferta terá sua participação no capital social diluída em, no máximo, 3,40%, dependendo do volume final emitido. Quem subscrever mantém seu percentual de participação, aumenta a exposição ao banco a um preço com deságio e aproveita a compensação dos JCP para minimizar o desembolso financeiro imediato. Os direitos de preferência serão negociáveis na B3 entre 6 de agosto e 1º de setembro, e os recibos de subscrição poderão ser revendidos até a homologação final pelo Banco Central do Brasil (BACEN). O início da negociação das novas ações na bolsa só ocorrerá após a autorização regulatória. Investidores com ações custodiadas no Bradesco devem acessar o portal digital da instituição, enquanto os com ativos na B3 precisam acionar suas corretoras para instruir a operação dentro dos prazos estabelecidos.

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