Duas saídas e duas entradas marcaram a revisão mensal da carteira de fundos listados que o BTG Pactual indica para outubro. Deixaram a seleção o RBR Crédito (RBRY11) e o Capitânia FI-Infra (CTPI11), enquanto o JS Real Estate Multigestão (JSRE11) e o Itaú FIC FI-Infra (IFRA11) passaram a integrar o portfólio. O banco também mexeu nos pesos: cortou 2 pontos percentuais da fatia em Kinea High Yield CRI (KNHY11) e ampliou em 3 pontos percentuais a posição em Kinea Hedge Fund (KNHF11).

A seleção reúne agora 15 fundos divididos em duas famílias — os fundos imobiliários (FIIs) e os fundos de infraestrutura (FI-Infra) — e serve como referência de veículos de renda mensal cuja distribuição é isenta de imposto de renda para a pessoa física.

Defasagem dos FIIs diante do recuo do juro longo

O pano de fundo apontado pelo BTG é um quadro fiscal doméstico considerado mais construtivo. Na avaliação do banco, a bolsa já absorveu parte desse alívio ao acompanhar o recuo dos juros futuros, medidos pelos contratos de DI negociados na B3, enquanto os fundos imobiliários responderam com menos intensidade ao longo do ano.

Essa diferença de intensidade, ainda conforme a instituição, abre espaço para avaliar oportunidades numa classe que combina geração de renda e sensibilidade ao juro de prazo longo. As trocas caminham nessa direção: mais peso em tijolo e em hedge funds, historicamente mais sensíveis à curva de juros, e menos exposição a crédito com perfil mais arrojado, sobretudo fundos indexados ao CDI, caso do RBRY11.

Na substituição dentro dos fundos de infraestrutura, o BTG relata ter priorizado a relação entre risco e retorno vista como mais equilibrada no IFRA11 e uma análise qualitativa considerada superior.

A carteira em números

PeríodoCarteira BTGIMA-B 5+
Setembro3,58%7,66%
Acumulado 20265,51%15,36%

No mês passado, a rentabilidade de 3,58% ficou abaixo dos 7,66% do IMA-B 5+, referência da Anbima para títulos públicos indexados à inflação. No acumulado de 2026, os 5,51% da carteira ficam bem distantes dos 15,36% registrados pelo benchmark. O contraste chama atenção: o discurso de cenário mais favorável convive com um desempenho que ainda patina na comparação com o indexador.

Duas famílias, uma mesma promessa de renda

FIIs reúnem carteiras de imóveis ou de crédito imobiliário e costumam distribuir aluguéis e juros a cada mês. Os FI-Infra aplicam em projetos de longo prazo, como energia e transporte, e também carregam apelo de renda. As duas famílias compartilham a isenção de imposto para a pessoa física na distribuição, mas diferem no grau de exposição à economia real e à curva de juros — o que ajuda a explicar por que reagem de formas distintas ao mesmo cenário macro.

O que a defasagem sinaliza para quem vive de renda

Para o investidor pessoa física que monta a renda mensal com FIIs, o episódio reforça um traço estrutural da classe: a reação aos juros longos costuma chegar depois da observada nos títulos públicos. Uma curva de juros em queda, se confirmada, tende a favorecer ativos mais sensíveis à duration — o prazo médio que indica o quanto o preço de um fundo reage a mudanças na taxa. Ainda assim, o desempenho de 2026 mostra que a captura desse movimento depende do segmento de cada carteira e não ocorre de forma automática.

O recorte serve, portanto, como termômetro da defasagem, e não como sinal de direção. O que os números de setembro e do ano evidenciam é a distância entre o discurso de melhora fiscal e a tradução disso em retorno para quem tem exposição a fundos listados.